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A Origem (Inception)
Aug 10th
A Origem (Inception, Ficção Científica, Suspense: 2010 – 148 min)
Direção e roteiro por Christopher Nolan. Estrelando: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Dileep Rao, Michael Caine, Lukas Haas e Pete Postlethwaite.
Em Christopher Nolan nós podemos acreditar, de suas mãos já saíram excelentes obras como “Amnésia” e o último Batman “O Cavaleiro das Trevas”, e ainda outros sucessos como “Batman Begins” e “O Grande Truque”. Depois de reunir um elenco recheado de grandes e competentes atores e cercar a trama (claro, até a data lançamento) de mistérios sem revelar muitos detalhes, não me faltaram motivos para acreditar que “A Origem (Inception)” seria um dos melhores filmes do ano.
Assistir qualquer produção com expectativa lá em cima, como eu fui conferir esta obra, eleva as chances de você se decepcionar. Só que Nolan entra para aquela seleta lista de cineastas que mostram que blockbusters podem ser ao mesmo tempo lucrativos, inteligentes e criativos. Desde Matrix que eu não saía de uma sala de cinema tão deslumbrado e ainda debatendo tanto sobre tudo que acabara de ver.
A trama segue a história de Cobb (Leonardo DiCaprio, Ilha do Medo) que é um especialista em roubar informações (segredos) das pessoas invadindo suas mentes durante o sonho. Certo dia ele recebe a missão de fazer algo um pouco diferente, implantar uma idéia (daí a referência ao título original “Inception”) na mente de Robert Fischer Jr. (Cillian Murphy), herdeiro de uma mega corporação. Como seu pai está prestes a morrer e lhe entregar o testamento, o cliente de Cobb, Saito (Ken Watanabe), solicita que ele faça com que Robert decida dividir a corporação.
Note que em nenhum momento é explicado como funcionam todo aqueles aparatos miraculosos para fazer com que um grupo de pessoas possa entrar num sonho de alguém e lá dentro entrar em ação, e isso na verdade é irrelevante.
A grande sacada de Christopher Nolan é se basear na psicologia e no estudo dos sonhos para construir uma intricada (e por vezes complexa) trama na qual o personagens precisam entrar em sonho, dentro de sonho, dentro de sonho. Não se sinta um burro se em algum momento você perder a noção do que é realidade com o que é sonho, afinal é aí onde mora toda a genialidade do filme, que exige sua atenção durante as quase 2 horas e meia de projeção. Eu nem pisquei os olhos.
Não bastasse um história surpreendente, envolvente e com efeitos especiais e cenas muito bem trabalhadas e editadas, ainda temos um trabalho excelente dos atores. DiCaprio dificilmente erra em algum trabalho, e aqui não é diferente. A jovem Ellen Page depois de Juno mostra que possui muito talento e tem um papel importante como “nova integrante” do grupo, fazer parte de uma espécie de tutorial para deixar o espectador um pouco menos perdido.
Não posso deixar de comentar também sobre Joseph Gordon-Levitt que fez o excelente “500 Dias com Ela” e esbanja talento e desenvoltura em cenas onde a física vai, literalmente, pelos ares. A beleza de Marion Cotillard (Nine) é uma das mais importantes peças de todo o jogo e, para não me estender ainda mais, todo o restante do elenco faz interessantes participações.
Apesar de, para alguns, parecer complexo demais, a única coisa que “A Origem” (porque os títulos nacionais insistem em ser ruins?) exige do espectador é atenção. A engenhosidade da trama é como um grande quebra-cabeças que vai sendo montado cena após cena onde tudo se encaixa perfeitamente. Não bastasse tantos acertos, Nolan ainda nos premia com um desfecho que deixa o filme “vivo” mesmo após o seu término.
13 Desafios, por Dani Vidal
Jul 27th
Depois do grande sucesso que a primeira participação de Dani Vidal com os comentários sobre o filme “A Centopéia Humana” fez aqui no blog, outra oportunidade pintou e a convidei a escrever aqui novamente, desta vez com outro filme ‘polêmico’ e desconhecido do grande público.

13 Desafios (2006, Suspense, Drama)
Você já ganhou algum dinheiro fácil alguma vez na vida? Pode ser que sim, mas você já ganhou MUITO dinheiro sem fazer esforço/ sacrifício? E o que você seria capaz de fazer para ganhar 100 milhões de dólares?
É com esta premissa que o filme 13 Desafios – lançado em 2006 e pouco conhecido pelo publico brasileiro – inicia a epopéia de Pushit em busca do seu prêmio milionário. A história é simples: depois de uma sucessão de problemas, o protagonista se vê afundando em dívidas, tornando-se um fracassado na vida amorosa, familiar e profissional. Mas sem nenhuma explicação aparente recebe uma ligação onde é convidado a participar de um jogo onde em cada etapa concluída, ganha uma quantia em dinheiro e ao final a soma chega a 100 milhões de dólares.
O que parece um roteiro simplista leva o protagonista e o telespectador aos limites do caráter e da sanidade humana. A medida que os desafios vão sendo concluídos tememos saber o que virá pela frente e em 24 horas nosso frágil Pushit se torna um homem obcecado e imprevisível. Eu recomendo este filme de temática atual e desfecho corajoso, para aqueles que gostam de histórias diferentes e rostos desconhecidos. É uma pena que 13 Desafios ainda vai continuar no limbo dos filmes B que não serão lançados no Brasil.
Observações:
- Não considero este um filme de terror. 13 Desafios é uma mistura de suspense e drama e porque não um thriller já que a adrenalina não baixa em minuto algum;
- Este filme tem como pano de fundo Bangkok por isso mesmo, se você prefere as produções no formato americano, passe longe!
- Antes de dizer: “Todo mundo tem seu preço” é bom repensar no – todo mundo – e – preço. Ou para você, qual o preço que você cobraria para degustar um prato de fezes?
- Boa diversão!
A Caixa (The Box)
Apr 2nd


A Caixa (The Box: Terror, Suspense – 2009/2010 – 115 min)
Direção e roteiro de Richard Kelly, adaptando conto de Richard Matheson. Estrelando: Cameron Diaz, Frank Langella, James Marsden, Gillian Jacobs, Michele Durrett.
Depois de estrear para o cinema com o excelente e cultuado Donnie Darko, Richard Kelly surtou e fez um dos piores filmes que já assisti que foi “Southland Tales – O Fim do Mundo“. Quando soube do seu terceiro longa “A Caixa (The Box)” o coloquei rapidamente em minha lista de filmes mais esperados do ano, não pelo trailer que me deixou um pouco preocupado, mas sim para servir como um tira-teima: Kelly é realmente um cineasta de destaque ou seu primeiro trabalho foi sorte de principiante? Infelizmente parece que ele ainda não se curou por completo de seu último surto.
A trama parece a primeira vista bastante simples, ela segue a vida da professora Norma Lewis (Cameron Dias, Jogos de Amor em Las Vegas) que é casada com um engenheiro da NASA interpretado por James Marsden. Os dois possuem um filho e levam uma vida ‘normal’ no ano de 1976. Certo dia Norma recebe uma caixa em sua porta com um botão protegido por uma pequena redoma, é aí que as coisas começam a mudar.

Aperta logo essa porra!
Um tempo depois um sujeito sinistro bate a sua porta, foi a mesma pessoa que deixou a caixa para ela. Ele então faz uma proposta, se ela (em comum acordo com seu marido) apertar o botão uma pessoa, que ela não conhece, irá morrer e ele dará ao casal uma maleta com 1 milhão de dólares.
E a história começa até interessante com tantos temas a respeito de ética e tudo mais, só que acaba descambando para um mergulho um pouco indigesto dentro da louca mente de Richard Kelly. Não sei se tentando explorar um pouco de tudo que ele mostrou em Donnie Darko ou porque ele gosta de inventar e deixar o espectador confuso, não sei, mas realmente não é muito interessante o que ele fez com o roteiro. As atuações de Cameron Diaz e James Marsden também não ajudam muito. Não é que estejam horríveis, mas deixam um pouco a desejar.
Ainda que esteja longe demais de seu grande cult Donnie Darko, o filme tem uns bons momentos de tensão e apesar de todas as suas “viagens” que vão de portais, espelhos, wormholes até aquela mistureba filosófica-religiosa, já é um passo a frente de seu terrível trabalho anterior só por deixar no ar alguns questionamentos sociais.

Não chega a ser um completo fracasso, no meio de tanta coisa que vai se cozinhando em banho maria até o final, daqueles de deixar espectadores que gostam de desfechos claros e tranquilos de cabelo em pé, dá para tirar algumas coisas de interessante em “A Caixa“. Eu só fico mesmo lamentando que cada vez mais esteja certo de que seu primeiro longa foi mesmo, infelizmente, apenas sorte de principiante. Quem sabe um dia ele saia de um desses portais ou túneis temporais que entrou e encontre o caminho novamente para fazer um filme bom, ou que ao menos faça mais sentido.
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