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400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho
Aug 13th
400 Contra 1 (Policial, 2010 – 95 min)
Dirigido por Caco Souza com roteiro por Victor Navas e Julio Ludemi adaptando livro de William da Silva Lima. Estrelando: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Branca Messina, Fabrício Boliveira, Lui Mendes, Jefferson Brasil, Jonathan Azevedo, Rodrigo Brassoloto, Felipe Kannenberg e Negra Li.
Se tem uma coisa que eu não gosto de fazer é falar mal de produções nacionais, só que filme mal feito é ruim independente de sua nacionalidade. Em “400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho” o que vemos é mais do mesmo, aquela mania de tentar fazer algo próximo do que Fernando Meireles fez com “Cidade de Deus” que, no final das contas, se torna apenas mais uma produção totalmente dispensável.
Baseado em livro homônimo de William da Silva Lima, “400 Contra 1” conta a história da formação do que se tornaria uma das maiores facções criminosas do país, o Comando Vermelho. A trama se passa entre os anos 70 e 80, onde o grupo começou a se mobilizar no presídio de Ilha Grande no Rio de Janeiro.
Fica a cargo de Daniel de Oliveira interpretar o protagonista (o autor do livro) William, que é o responsável por iniciar a base da organização criminosa. Com o lema Paz, Justiça e Liberdade (deturpados da melhor maneira possível, afinal estamos falando de criminosos), o movimento começa a agir dentro do presídio carioca.
Daniel de Oliveira é um grande ator e gosto de alguns trabalhos seus, só que aqui ele tenta suprimir seu jeito mineiro com um carioquês tosco e muito mal falado. Destaques mesmo entre os atores são os de Fabrício Boliveira, que interpreta Cavanha e ainda Daniela Escobar, que não sei como conseguiu ficar incrivelmente horrorosa, parabéns aos maquiadores e figurinistas.
Tentar contar uma história séria querendo passar alguma mensagem e, ao mesmo tempo, querer ser um filme descolado e engraçado, faz com que “400 Contra 1” não chegue a lugar algum. Só que o maior problema aqui é a forma em que ele foi montado. É tanto “vai e vem” na linha do tempo que tudo se torna incrivelmente chato, desinteressante e sem impacto algum.
Na verdade fica comprovado que mesmo com uma história curiosa (não vou entrar naquelas discussões de ‘dignificação’ da bandidagem, isso é balela) e uma bela fotografia, se você não encontrar a melhor forma de contar a sua história, você pode destruir todo o seu trabalho. De tanto ficarmos indo e vindo na linha temporal, fica parecendo que o filme não tem nenhum clímax ou algum ‘lugar’ interessante a se chegar e pior, parece que ele tem na verdade “400” minutos de duração.
Arrastado, monótono e sem alma, “400 Contra 1” é mais uma produção nacional que não diz ao que veio, não sei se servirá nem para entrar em algum tipo de estatística. Não é esse o cinema nacional que tanto apoio e gosto de ver.
Ilha do Medo (Shutter Island)
Mar 18th

Ilha do Medo (Shutter Island, Suspense, Policial, Thriller: 2010 – 138 min)
Dirigido por Martin Scorsese com roteiro de Laeta Kalogridis e Dennis Lehane. Estrelando: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Ted Levine.
Martin Scorcese, um dos mais prestigiados e respeitados cineastas contemporâneos, chega para seu quarto trabalho em parceria com Leonardo DiCaprio. Só isso já é o bastante para dizer porque “Ilha do Medo (Shutter Island)” era um dos filmes mais esperados do ano. Mesmo não estando no nível de seus melhores trabalhos, Scorcese ousa e mostra que ainda pode trazer algumas boas surpresas em sua carreira.
A trama, ambientada no ano de 1954, segue a chegada dos agentes federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, Rede de Mentiras) e Chuck Aule (Mark Ruffalo, Ensaio Sobre a Cegueira, Zodiaco) para investigarem o desaparecimento de uma interna do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, localizado no ilha Shutter. O problema, além de uma tempestade que impede que eles possam retornar, é que parece que todos na ilha estão dificultando as coisas e escondendo a verdade.
O filme segue uma linha que se inicia com um suspense intrincado e vai passeando por outros gêneros e estilos que vão desde um policial com toques noir até o terror, com direito a mistérios com alucinações e sonhos pertubadores. E tudo é feito de forma para que a toda hora você fique confuso ou pensando que já está por dentro de toda a trama. Apesar de ser um filme um pouco longo, a tensão sempre presente faz com que o espectador fique ligado até o revelador desfecho, bastante explicado e mastigado.

O elenco faz a sua parte com ótimas atuações de todos com destaques para Ben Kinglsey (Xeque Mate) e Mark Rufallo. Por sua vez Leonardo DiCaprio mostra que continua totalmente à vontade nas mãos de Scorcese, apresentando a todos um trabalho bastante convincente.
Mesmo trazendo uma trama que não tem nada de muito original, todo o trabalho seja na direção, roteiro e no elenco é bem feito, fazendo de “Ilha do Medo” um filme muito bom e uma ótima pedida nos cinemas. Não recomendado apenas para pessoas que não gostam ou não têm mais paciência para tramas ‘obscuras‘, daquelas que só desenrolam mesmo no finalzinho do filme.
Vício Frenético
Jan 18th
Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, 2009 – 121 min)
Direção: Werner Herzog
Roteiro: William Finkelstein
Elenco: Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer, Xzibit, Fairuza Balk, Brad Dourif
Gênero: Policial
Sinopse: Nova roupagem para o cult “Vício Frenético” feito por Abel Ferrara, que contava a história de um policial (o mau tenente do título original) envolvido com drogas, bebida, jogo e corrupção. Como redenção à vida bandida, ele faz de tudo para colocar atrás das grades os estupradores de uma freira.
O último bom filme que tinha visto com o Nicolas Cage tinha sido “O Sol de Cada Manhã (The Weather Man)” e isso já fazem uns 3 anos, inclusive uma das lições que tinha aprendido ano passado era que ele só podia estar brincando e não atuando. E posso dizer, com um certo alívio, que finalmente voltei a ver o velho Cage dando um show. Não é nenhum Adaptação ou Cidade dos Anjos por exemplo, mas no meio de tanta coisa ruim que ele vinha fazendo, “Vício Frenético” se encaixa perfeitamente como uma revigorada em sua carreira como ator.
Dirigido pelo alemão Werner Herzog, do qual nunca tinha visto nenhum trabalho ainda, “Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans“, trata-se na verdade de um remake da produção de 1992 de Abel Ferrara. Na trama Nicolas Cage vive um policial que não é um belo exemplo por sempre estar envolvido com drogas, bebidas, jogos e corrupção. No meio de tudo isso ele ainda corre atrás de alguns bandidos.
Filmes policiais não são muito a minha praia, mas me interessei em assistí-lo após ter visto Nicolas Cage totalmente alucinante nos tralers (sem contar a indicação de Ramon). No filme, entre as investigações do tenente e seu carinho com sua namorada vivida pela bela Eva Mendes, as cenas reais vão se misturando com as alucinações vividas por ele.
O ritmo às vezes fica um pouco arrastado, ainda assim, só a atuação insana de Cage e ainda um par de cenas geniais valem o ingresso. E por mais incrível que possa parecer, principalmente após os seus últimos hediondos trabalhos no cinema, é mesmo o ator aliado a uma trama envolvente que fazem de “Vício Frenético” uma ótima pedida. A indagação que é deixada no final prefiro considerar simplesmente como mais um dos vários surtos apresentados durante a história..
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