Posts tagged Crítica de filme
Karate Kid (2010)
Aug 30th
Karate Kid (Ação, Drama, 2010 – 140 min)
Direção por Harald Zwart com roteiro de Christopher Murphey. Estrelando: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang, Jared Minns, Shijia Lü.
Estava extremamente preocupado e desgostoso com essa história de reviver um dos maiores clássicos do cinema que foi “Karate Kid” com Jackie Chan e Jaden Smith. Mas se tem uma coisa que eu não tenho vergonha e nem receio é de reconhecer quando um trabalho é bem feito e, realmente, a nova “versão” têm seus méritos e consegue divertir sem ofender muito o filme original de 1984.
Na trama conhecemos Dre Parker (Jaden Smith) um garoto que se muda com a mãe para a china, lá ele acaba sendo alvo de uns valentões locais dos quais constantemente toma porrada. Ele então conhece um sujeito (Jackie Chan) disposto a ensiná-lo a lutar para um torneio com métodos digamos “diferenciados”.
Troque a cidade e inclua Daniel ‘San’ Larusso e Sr. Miyagi no lugar do jovem Dre e do zelador Sr. Han, mude a arte marcial de Kung Fu para Karatê e veremos que trata-se da mesma coisa, ou seja, a essência é idêntica. Aliás, essa história de manter Karatê no título de um filme que mostra Kung Fu é forçar a barra demais.
O que mais me preocupava de fato era ver Jackie Chan destruindo o inesquecível e icônico personagem de Pat Morita. Apesar de “no frigir dos ovos” (outra expressão que sempre quis utilizar) caber a Chan o mesmo papel, o de instrutor com métodos não muito convencionais, ele não procura ser (e de fato não é) o Sr. Miyagi e isso contribui muito.
Já Jaden Smith mostra que tem muito do sangue de seu pai (Will Smith) nas veias. Ele consegue ser engraçado e mostrar desenvoltura nas cenas de forma impressionante. Muita gente (me coloque neste bolo) torceu o nariz para o garoto mas ele não decepciona. Na ala feminina temos Taraji P. Henson (a mãe de Dre) e Wenwen Han (a chinesinha interesse romântico do menino) fazendo bons papéis também.
O namorico do jovem Dre com a simpática chinesinha (apesar daquela cabeça grande não sei como mas arrumaram uma chinesa muito bonitinha) é mais trabalhado aqui, assim como suas motivações e persistência nos treinamentos. Isso tudo acarreta numa duração mais alongada do que o original. O problema é que acabou dando menos ênfase e importância ao torneio, que foi melhor trabalhado no filme de 1984.
Se você for um daqueles ranzinzas que nunca dão o braço a torcer ou ainda daqueles que acredita que os filmes clássicos são os únicos que valem a pena serem assistidos e todas novas produções são apenas lixos mercadológicos atuais, não terá como gostar do novo “Karate Kid”. Fui ao cinema, tinha sérias restrições a respeito deste ‘remake’ mas fui surpreendido com um belo trabalho, divertido e engraçado na medida certa, com uma trilha sonora excelente e boas atuações.
Abra seu coração e vá ao cinema sem medo de se divertir com um trabalho que nada mais é que uma nova roupagem, atualizada e bem produzida, de um clássico que pode ser apresentado para essa garotada que não nasceu em nossa época. Mesmo sabendo que o original tem seu lugar guardado dentro do meu peito, reconheço que estava errado e admito que trata-se mesmo de um bom filme.
O Último Mestre do Ar (The Last Airbender)
Aug 22nd
O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, Ação, Fantasia, Aventura: 2010 – 103 min)
Direção e roteiro por M. Night Shyamalan. Estrelando: Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasif Mandvi e Cliff Curtis.
Os últimos trabalhos de M. Night Shyamalan receberam duras críticas mundo afora, ainda assim, como fã do cineasta indiano, tinha esperanças que “O Último Mestre do Ar (The Last Airbender)” fosse a sua redenção, tanto que ele estava em minha lista de filmes mais esperados do ano. Infelizmente presenciei mais um trabalho fraco do diretor/roteirista/produtor (um faz tudo praticamente) e saí totalmente decepcionado da sala.
Confesso que pouco conhecia o desenho, mas tinha noção pelo menos do que se tratava. Na verdade o filme começa até bem, tem um visual impressionante e bem trabalho. As criaturas são muito bem feitas e no início temos até umas piadinhas e situações ‘engraçadinhas’ para descontrair, que não demora muito dá lugar a uma trama insossa e, apesar de falar muito em mundos e criaturas espirituais, é totalmente sem alma.
Adaptado do desenho “Avatar” – que teve seu nome trocado nos cinemas por causa do bilionário filme de James Cameron – somos apresentados a um mundo habitado por quatro nações, o povo da água, do fogo, do ar e da terra. Cada uma dessas ‘tribos’ possuem algumas pessoas que são conhecidas como “mestres” (na verdade o correto seriam dobradores) do elemento ao qual pertencem.
Depois de 100 anos desaparecido, o jovem Aang (Noah Ringer), é encontrado e nele são depositadas as esperanças de colocar paz no mundo, que vive em conflito com o povo do fogo dominando tudo. Aang é um avatar, uma pessoa capaz de dominar os 4 elementos e que possui a tarefa de por ordem entre os povos. O problema é que ele só domina o ar e precisa aprender os outros elementos o quanto antes.
Os problemas são muitos, primeiro Shyamalan tem o obstáculo que toda trilogia ou franquia enfrenta em seu primeiro filme, apresentar os personagens e a história. A questão é que isso ocorre praticamente durante todo o tempo, parece uma grande e chata aula sobre o universo de “Avatar”. Com isso sobra pouco espaço para desenvolver as motivações dos personagens, tudo soa forçado e sem propósito.
Outro grande problema está no elenco que é muito fraco. Primeiro o destaque no poster vai para um personagem secundário interpretado, sem carisma algum, pelo ator Jackson Rathbone (o motivo? Ele participa da Saga Crepúsculo). Dev Patel (Quem quer ser um Milionário) tem talvez o melhor personagem da trama, o príncipe Zuko, o filho renegado pelo pai em busca de sua honra, mas ele estraga tudo com chiliques ininterruptos. Ainda temos a menina que faz a Katara (Nicola Peltz), ela é a pior e apresenta uma atuação deprimente.
Sem sequer possuir um final com um clímax digno de toda a boa produção e expectativa gerada, Shyamalan nos entrega um filme tão fraco quanto seu pior trabalho que foi “O Fim dos Tempos”. Ele não conseguiu apresentar a trama de forma convincente e interessante para quem não conhecia o desenho e, de quebra, conseguiu deixar os fãs enfurecidos por deturpar uma história com tanto potencial.
Os Mercenários (The Expendables)
Aug 15th
Os Mercenários (The Expendables, Ação: 2010 – 103 min)
Dirigido por Sylvester Stallone com roteiro por Dave Callaham e Sylvester Stallone. Estrelando: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Gary Daniels, Terry Crews e Mickey Rourke.
Reunir todos os grandes astros de filmes de ação, tanto os “das antigas” quanto alguns mais atuais, foi uma das idéias mais geniais que Sylvester Stallone já teve. Falando exatamente a língua do seu público alvo, “Os Mercenários (The Expendables)” fez valer o posto de uma das produções mais esperadas deste ano. Saí do cinema me sentindo uma criança feliz vendo um antigo sonho meu ser realizado.
O roteiro deve ter sido escrito em um guardanapo. A trama segue um grupo de mercenários que certa feita recebe a proposta de um trabalho numa pequena ilha do Golfo. Depois de dar uma averiguada no local fica evidente que a missão não vale o risco e eles decidem recusar a proposta. Antes disso, uma linda mulher (Gisele Itié) com um espírito bravo e lutador (bonito isso), desperta no personagem de Stallone sentimentos de redenção. O resto vocês já sabem.
Uma das coisas mais surpreendentes, ao menos para mim, é que mesmo com tantos brucutus reunidos, foi possível desenvolver bem os personagens. Os atores estão bem à vontade e até mesmo o grandalhão do Dolph Lundgren (Soldado Universal 3) se sai muito bem. Jet Li está hilário, Jason Statham (Adrenalina) esbanja carisma e simpatia e os demais astros da ação não decepcionam.
Não podia deixar de falar na cena que todo mundo está comentando, ela é rápida e vem logo no início do filme envolvendo Arnold Schwarzenegger, Bruce Willys e Stallone. Na sessão que fui a sala toda foi ao delírio, realmente paga o ingresso.
O grande trunfo de “Os Mercenários” é misturar cenas competentes e bem trabalhadas com doses certeiras de humor e boas piadas. Saber rir de si mesmo é uma das maiores dádivas que o ser humano pode ter, e o filme trabalha muito bem essa questão.
Mesmo que tenhamos uma trama bem simplista e com algumas cenas ou até personagens pouco relevantes – Mickey Rourke (O Homem de Ferro 2) é apenas uma espécie de tatuador filósofo – “Os Mercenários” trata-se realmente de um sonho de criança e, como filme de ação, é extraordinário. As coreografias das lutas, os tiroteios, as explosões, o corre-corre pega-pega, tudo funciona direitinho. É diversão de primeiríssima qualidade.
Quem gosta de produções com tramas mais bem trabalhadas pode passar longe desta obra. Trata-se de um trabalho que nunca procurou ser o que não é. É filme de macho mesmo (sem tons pejorativos), muito sangue, suor, bombardeios, pouco papo e muita ação. Gostaria muito de apertar a mão de Stallone e dizer: “Porra, Man! Seu filme vale 4 macacos”.
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