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[Lista de Filmes] – Mar Aberto

Mar Aberto (Open Water: Drama, Suspense – 2003, 103 min)

Direção e roteiro de Chris Kentis. Estrelando: Saul Stein, Blanchard Ryan, Daniel Travis e Estelle Lau.

Lançado no ano de 2003, Mar Aberto (Open water) apareceu por aqui no de 2004 e caiu nas graças da crítica por trazer um pouco de inovação e mostrar que não se precisa de muito (o filme custou em torno de 100 mil dólares) para se fazer um bom drama e assustar as pessoas no cinema.

A trama é baseada em fatos reais, o que faz aumentar ainda mais a tensão que a própria história apresenta, e segue um jovem casal que foi se divertir e relaxar dos problemas conjugais em um passeio de mergulho em alto mar. Num erro de contagem, a lancha que os levaria de volta, acaba indo embora e deixando os dois no meio do oceano. Sem ter muito o que fazer, o casal fica à deriva aguardando o pessoal que o levou para o passei se dar conta do ocorrido e voltar para os resgatem, enquanto isso eles tentam apenas sobreviver.

Pode soar um tanto quando insano dizer que um filme com duas pessoas no mar, discutindo o tempo todo e esperando por um resgate possa ser extremamente tenso e aterrorizante. Claro, saber que situações como aquela já aconteceram de verdade e ter tudo aquilo filmado no melhor estilo “Bruxa de Blair“, com aquele ar ‘documental’ e atores poucos conhecidos, só faz piorar as coisas (no bom sentido claro), já que tudo contribui para trazer verossimilhança à trama e fazer com que espectador se imagine naquela assustadora situação.

Eu sei que para alguns essa ‘onda’ de terror psicológico possa parecer apenas balela ou chatice, mas se você não assistiu “Mar Aberto” ainda, acredito que valha a pena fazê-lo, nem que seja para rever alguns conceitos seus num gênero que de certa forma já tem suas bases bem estabelecidas. Trata-se mesmo de um belo projeto com assustadoras doses de tensão.

Ninja Assassino (Ninja Assassin)

Classificação do PorraMan

Ninja Assassino (Ninja Assassin, Ação: 2009 – 99 min)

Dirigido por James McTeigue com roteiro por Matthew Sand e J. Michael Straczynski. Estrelando: Rain, Naomie Harris, Ben Miles, Rick Yune Sho Kosugi.

Tem vezes que eu me deparo numa disputa dentro da minha própria mente, vasculhando e tentando encontrar motivos para certos filmes que me dá na telha de assistir. Bastou eu ver os trailers de “Ninja Assassino”, e todas aquelas cenas tresloucadas de pancadaria, para que algo ativasse em meu cérebro aquela vontade juvenil (adormecida a anos e anos) de ver um “filme de luta”. E foi assim que encarei esta obra que tinha produção dos irmãos Wachowsky (os responsáveis pela trilogia Matrix e pelo filme Speed Racer) e ainda dirigida por James McTeigue que fez o sensacional V de Vingança.

E foi por apostar que caras com um pouco de prestígio fossem trazer alguma coisa além de cenas bem coreografadas de luta e ação, que acabei me dando mal e perdendo meu tempo. Pode parecer chatisse minha, mas eu sinceramente não me incomodo tanto com filmes recheados de cenas clichês ou situações inverossímeis, problema para mim é quando tratam o espectador como idiota.

A trama é apenas mais uma história de vingança, onde um garoto conhecido como Raizo (interpretado pelo astro/cantor pop coreano Rain) é criado para se tornar um ninja assassino por um clã secreto chamado Ozunu. Raizo se enfurece e busca vingar a morte de uma garota do clã a qual ele gostava, executada a mandato de seu mestre após uma tentativa de fuga.

O melhor, aliás, a única coisa que se salva mesmo no filme são as cenas de ação, executadas com maestria por um grupo de dublês que trabalhou em filmes como 300, Trilogias Bourne e Matrix, Watchmen, dentre outros. Tirando isso, não sobraria nada além de uma cópia fiel daqueles American Ninja que passavam na tv aberta todo final de semana tempos atrás. Se você vai ao cinema a procura de diversão apenas pelas cenas de luta que viu no trailer, vá sem medo que as chances de você gostar são até razoáveis.

Tirando estas excelentes cenas de ação com direito a membros, cabeças e muito sangue voando para tudo quanto é lado, não sobra nada digno de nota em Ninja Assassino. Numa obra tão sanguinolenta com censura de 18 anos porque ter cenas de romance tão piegas, forçadas e sem nenhuma química? Sem contar no desfecho lamentável, onde surge um flashback (o filme tem mais flashbacks do que toda a série Lost) para explicar uma lembrança extramamente óbvia, simplesmente ridículo.

O que resta do filme tirando as lutas é todo ruim. O elenco faz a sua parte num show de sofríveis atuações, o único que se salva é o chefão do clã interpretado por Sho Kosugi. O roteiro por sua vez tem tantos furos que parece ter sido atacado por uma chuva de shurikens. Acredite em mim quando eu digo que é com grande pesar que tenho que classificar este filme como ruim. Se fosse feito um video com todas as lutas eu acharia excelente, mas juntar belas coreografias e visuais técnicos impressionantes amarrarados de qualquer jeito amigos, isso não pode ser considerado cinema.

[Lista de Filmes] Filhos da Esperança

Filhos da esperança (Children of Men, Ficção Científica, Drama: 2006 – 109 min)

Dirigido por Alfonso Cuarón com roteiro por Alfonso Cuarón e Timothy J. Sexton, baseado em livro de P.D. James. Estrelando: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Chiwetel Ejiofor, Charlie Hunnam, Claire-Hope Ashitey, Pam Ferris, Danny Huston, Peter Mullan, Oana Pellea, Paul Sharma e Jacek Koman.

 

Filmes com temática sobre futuros pós-apocalipticos me fascinam mesmo quando não são muito bons, e este foi um dos motivos que me fez colocar em minha Lista de Filmes a AssistirFilhos da Esperança (Children of Men)” de Alfonso Cuáron.

O cineasta mexicano ganhou ‘notoriedade’ no mundo da sétima arte com seu filme “E Sua Mãe Também (Y tu Mama Tambien)”. Outro trabalho que lhe rendeu bastante destaque foi ter feito o melhor filme da saga Harry Potter, pelo menos em minha modesta opinião, que foi o terceiro: “O Prisioneiro de Azkaban”. Para mim, “Filhos da Esperança” foi um dos 20 melhores filmes da década.

A trama se ambienta no ano de 2027 em Londres, cidade onde vive Theo (Clive Owen, Mandando Bala, Duplicidade), sujeito que parece não se importar muito com os problemas ao seu redor. Entre epidemias, vírus, problemas com imigrantes, o maior fardo que a humanidade carrega consigo é o fato de que ninguém consegue mais ter filhos a 18 anos.

 

Clive Owen e Julianne Moore

 

Theo parece estar tão alheio aos problemas do mundo que nem mesmo a morte da pessoa mais jovem do planeta o comove, enquanto o mundo chora e se desespera. Ele ‘desperta’ mesmo quando se vê envolvido num grande problema, proteger uma jovem que se encontra grávida. Não precisa nem dizer que esta tarefa é muito perigosa simplesmente pelo fato de ter ao seu lado o ‘objeto’ mais valioso do planeta.

Com boas participações de grandes artistas como Julianne Moore (Ensaio sobre a Cegueira) e Michael Caine (o eterno mordomo de Batman), Clive Owen assume a responsabilidade de protagonista muito bem, fazendo um excelente trabalho.

O melhor em “Filhos da Esperança” são duas cenas filmadas em uma só tomada (take), sem cortes ou edições (num único ‘plano-sequência’). Em uma destas a câmera acompanha Clive Owen correndo e tentando salvar a criança de um cena incrível de batalha, com tiros e bombardeio para todos os lados. Posso afirmar que só isso já valeria todo o filme.

 

Corre meu filho!

 

Além de uma história interessante e envolvente, de um trabalho muito bom dos atores e de cenas memoráveis e emblemáticas, “Filhos da Esperança” deixa a todos uma contundente crítica social. Ainda que Alfonso Cuáron deixe uma mensagem de fé e esperança (nunca uma adaptação/tradução de título de filmes para o cinema nacional foi tão feliz) na humanidade em seu desfecho, a situação mostrada no filme possui muitas semelhanças com o que vemos acontecer atualmente, e isso é o que mais assusta.

[Lista de Filmes] As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides, Drama: 1999 – 97 min)

Direção e roteiro por Sofia Coppola baseado em livro de Jeffrey Eugenides. Estrelando: James Woods, Kathleen Turner, Kirsten Dunst, Hanna R. Hall, Chelse Swain, A.J. Cook, Leslie Heyman, Danny deVito,Scott Glenn, Jonathan Tucker, Anthony DeSimone, Hayden Christensen e Josh Hartnett.

 

Desde longas datas, bem antes de criar este blog, que vinha recebendo diversas indicações para conferir o trabalho como diretora de Sofia Coppola. E nada mais cristalino para mim do que acrescentar casos como este à minha querida e útil Lista de Filmes a Assistir. O próprio título “As Virgens Suicidas (The Suicides Virgin)“, já é suficientemente chamativo.

Lançado em 1999 a trama se ambienta na década de 70 e conta a história da família Lisbon que vive num belo bairro de Michigan (EUA). Ela é composta por pais superprotetores, o professor de matemática interpretado por James Woods e a mãe religiosa e altamente rigorosa interpretada pela atriz Kathleen Turner. E para completar cinco belíssimas adolescentes que, obviamente, atraem a atenção dos garotos da região.

Baseado no livro de Jeffrey Eugenides a história segue basicamente a narrativa (visão) dos rapazes em relação às garotas. Cercadas de uma proteção exagerada e que extrapola os limites do senso comum, após uma tentativa de suicídio da jovem Cecília, seus pais tentam colocar alguma “normalidade” em casa. Convidam os rapazes para uma festa no porão da casa deles e é nesse fatídico dia que Cecília consegue o que tentou antes, se joga do seu quarto e consegue suicidar-se. A partir daí a vida das garotas que já era reclusa se torna um inferno, a Sr. Lisbon fecha a casa e as meninas de qualquer contato externo, inclusive com a escola.

E mesmo num drama que retrata o universo feminino, o alívio é ver que este universo não é colocado num ponto de vista com um lado feminista forte e repulsivo. A história das garotas suicidas apesar de ser absurda em alguns pontos, traz ao espectador diversos pontos de reflexão. E o final mesmo que óbvio (o próprio título já entrega tudo), pouco interfere nesta obra de destaque.

Grande parte do sucesso de “Virgens Suicidas” se deve ao trabalho do elenco. James Wood e principalmente Kathleen Turner estão ótimos. Das jovens garotas fica até fácil saber porque hoje Kirsten Dunst (O Homem Aranha, Um Louco Apaixonado) conseguiu tanto destaque e sucesso, ela arrasa neste filme fazendo a mais velha e rebelde. Outras participações interessantes são a dos jovens (na época) Josh Hartnett (30 Dias de Noite, Xeque-Mate) e Hayden Christensen (Jumper, Awake – A Vida por um Fio ), mais conhecido como o odiado (pelo menos pelos fãs mais xiitas) Anakin Skywalker que se tornou Darth Vader na nova trilogia de Star Wars.

Num belo trabalho de Sofia Coppola que conseguiu transmitir com tamanha leveza um drama tão contundente e de certa forma melancólico, auxiliada é claro por um trabalho inspirado do elenco, o resultado só podia mesmo ser um ótimo filme, daqueles pequenos clássicos para ser admirado por entusiastas e amantes do cinema com um olhar um pouquinho mais apurado que o normal.