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Idas e Vindas do Amor (Valentine´s Day)

Idas e Vindas do Amor (Valentine’s Day, 2010 – Romance, Comédia: 125 min)

Dirigido por Gary Marshall com roteiro por Katherine Fugate. Estrelando: Ashton Kutcher, Jennifer Garner, Julia Roberts, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Jessica Alba, Jessica Biel, Bradley Cooper, Patrick Dempsey, Topher Grace, Queen Latifah, Taylor Swift, Taylor Lautner.

 

Se eu tivesse um dia o trabalho de enumerar todos os clichês que estou saturado de ver em romances, bastaria desta “obra” (naquele sentido que você imaginou agora) de Gary MarshallIdas e Vindas do Amor (Valentine´s Day)”. E nem mesmo o grande elenco contando com estrelas consagradas consegue salvar este, que para mim até aqui, foi o pior filme que vi este ano.

A trama segue diversas histórias paralelas onde elas acabam se cruzando de uma forma ou de outra, mostrando pessoas enfrentando contratempos e desencontros amorosos em suas vidas bem no dia dos namorados, que em grande parte do mundo é no dia 14 de fevereiro, o dia de São Valentim ou ‘Valentine´s Day’.

No que parece ser uma cópia barata e mal feita do filme “Simplesmente Amor”, hollywood demonstra que ainda não se cansou de sua infalível fórmula de sucesso para comédias românticas. Entre tantos arcos imbecis e manjados, eu destacaria apenas o de Julia Roberts (Duplicidade) com Bradley Cooper (Se Beber Não Case) no avião, por ter um desfecho um pouco fora do esperado e também o com a linda Anne Hathaway (Agente 86), que consegue arrancar alguns risos e divertir um pouco.

Entre tantos momentos de vergonha alheia e falta de inspiração e criatividade – como a do menininho “maduro” sofrendo por estar apaixonado, quem nunca viu isso por favor – não sobra quase nada de bom em “Idas e Vindas do Amor”. Claro, se você é daqueles que não se cansa em ver as mesmas historinhas de romance que saem todos os dias nos cinemas, este filme é um prato cheio, já que são 200 historinhas manjadas em um filme só.

E sabe o que me deixa mais triste em tudo isso? Saber que, quando eu dou uma de bom namorado e aceito ver uma produção como esta, tenho uma parcela de culpa e contribuo (ainda que numa porcentagem irrisória) com este tipo de filme. Afinal, estou no meio daqueles que pagaram para ver isto no cinema.

Mesmo que a gente saiba o que esperar de produções deste gênero, o mínimo que se pede é que o caminho até o final (no melhor estilo novela da Globo) seja ao menos divertido e não tortuoso e desesperador. Que me desculpem os amantes de romances, mas a única coisa boa que consigo ver neste filme é que ele já está me ajudando a montar a lista dos piores de 2010. Agora só faltam mais nove!

Zumbilândia (Zombieland)

Zumbilândia (Zombieland, 2009: Terror, Comédia, Ação – 88 min)

Dirigido por Ruben Fleischer, com roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick. Estrelando: Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin e Bill Murray.

George Romero se consagrou como o mestre dos filmes de zumbi, que se tornou até um gênero de filme. Suas obras sempre foram reconhecidas por terem um cunho social por detrás de toda a mística em torno dos mortos-vivos. “Zumbilândia (Zombieland)“, ao contrário disto, é a mais pura diversão do início ao fim.

E o diretor Ruben Fleischer disse que a idéia para fazer Zombieland surgiu mesmo quando ele assistiu “Todo Mundo Quase Morto”, que possui altas doses de humor negro. Não tenho nem como explicar a minha fascinação por filmes de Zumbi, sejam eles do mestre Romero ou adaptações de filmes seus como ótimo “Madrugada dos Mortos” de Zack Snyder, ou ainda projetos como este, eu sempre assisto porque adoro.

E Zumbilândia já mostra para o que veio logo nos créditos iniciais, onde, através de uma narrativa do personagem Columbus, ele descreve alguma de suas regras para sobrevivência no mundo agora tomado por estes mortos-vivos (que são acelerados bem ao estilo dos vistos em “Extermínio”). A diversão já começa a partir daí e em alguns momentos parece até um jogo de videogame as cenas.

Na trama seguimos a história de Columbus (Jesse Eisenberg, Adventureland), um sujeito um tanto quanto nerd e que tinha uma vida que podemos taxar como insignificante antes do planeta se tornar a ‘Zumbilândia’. Certo dia ele encontra um sujeito ‘durão’ chamado Tallahassee (Woody Harrelson, 2012, Onde os Fracos não tem Vez) e vai com ele de carona num verdadeiro ‘road-movie’, vivendo com suas regras e observando Tallahassee se divertir matando zumbis de tudo quanto jeito e até elegendo a morte da semana.

Numa parada eles encontram duas espertas (até demais) garotas: Wichita (Emma Stone, Superbad – É Hoje) e Little Rock (Abigail Breslin, Pequena Miss Sunshine), que estão até melhor habituadas que eles a viver neste mundo hostil.

Todo o elenco faz um trabalho sensacional e esbanja carisma mas, dos protagonistas, o destaque fica mesmo para Woody Harrelson que está hilário. O jovem Jesse Eisenberg continua demonstrando que tem um futuro bastante promissor, mesmo sendo comparado por muita gente com o Michael Cera. As meninas também contribuem e muito para fazer de Zombieland um filme divertidíssimo e interessante. Agora, a participação de Bill Murray (com direito até a cena extra após os créditos) é impagável e vale o filme.

Longe de querer ser uma obra prima do cinema, o que os diretores, roteiristas e atores quiseram deixar como principal marca em Zumbilândia é mesmo a diversão sem limites. Com cenas geniais, politicamente incorretas e algumas memoráveis, um lugar na minha lista de melhores que vi este ano já está devidamente ocupado, e com méritos.



PS
: Mais assustador do que viver em Zumbilândia é morar numa província como Salvador (3º maior cidade em população no Brasil). O filme, que tinha cartazes espalhados até num cinema por aqui, no dia da estréia “lá no Brasil” (Royalties para Ramon Prates) simplesmente não apareceu na programação, até mesmo o dito cartaz sumiu. Esperei meses até a estréia nacional, pois queria pagar para ver no cinema, e mais uma vez me vi decepcionado com a distribuição dos filmes por aqui. Mas enquanto houver torrents, existe esperança.

Amor Sem Escalas (Up In The Air)

Amor Sem Escalas (Up In The Air, 2009/2010 – 109 min)

Direção: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner
Elenco: George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga
Gênero: Drama, Romance

 

Sinopse: Ryan Bigham é um especialista em redução de pessoal corporativo cuja adorada vida repleta de viagens é ameaçada justamente quando ele está perto de atingir dez milhões de milhas como viajante frequente e logo depois que ele conhece a mulher de seus sonhos, que também é viajante frequente.

 

Desde ano passado, quando o filme foi lançado lá fora, que “Amor Sem Escalas (Up in the Air)” vinha sendo alerdeado como um novo ‘clássico’ do cinema, angariando diversas indicações e premiações festivais afora. Parte das apostas de que esta seria sim uma grande obra estavam lançadas devido a Jason Reitman, que já tinha mostrado que sabia das coisas com o ótimo “Obrigado por Fumar” e também com o tão badalado “Juno“.

A trama aqui gira em torno de Ryan Bigham (George Clooney) que é um especialista em ‘demissões’ corporativas, contratado pelas grandes corporações para ‘desligar’ o pessoal e também mostrar a eles (como uma forma de consolo digamos assim), que o mundo não acabou e existem grandes opções para melhorar seu futuro.

Na sua vida acabam entrando duas mulheres, Natalie (Anna Kendrick), uma novata que tenta difundir uma idéia de demissões por videoconferência para redução de custos com viagens, e também a bela Alex (Vera Farmiga, “A Orfã“), que tem um estilo de ser bem parecido com o de Ryan e acaba fisgando o rapaz com alguns encontros calorosos.

E o melhor de “Amor Sem Escalas” é que, de todos os vários desfechos um tanto quanto óbvios que me vinham à mente quando estava  o assistindo, nenhum deles se concretizou na tela, deixando espaço para um final brilhante, um trabalho realmente primoroso, tanto na direção, roteiro e também no elenco, que tem a frente o galã George Clooney, que tem feito belíssimos trabalhos ultimamente como “Conduta de Risco” ou ainda o divertidíssimo “Queime Depois de Ler“.

Outro grande destaque no elenco está na jovem Anna Kendrick, que dá um show de interpretação fazendo uma personagem muito carismática e em certos pontos bem divertida.

E essa mescla de boa história, daquelas que lhe deixam refletindo por muito tempo depois de seu final, com um trabalho muito bom no elenco só podia mesmo resultar num grande filme. Claro, o terrível título nacional “Amor Sem Escalas“, que nos remete àquelas insossas comédias românticas pode enganar muita gente. Não se trata aqui de um filme fechadinho e bem mastigado,  e sim de uma obra para quem espera um algo a mais quando entra numa sala de cinema.

 

Tá Rindo do Quê? (Funny People)

Tá Rindo do Quê? (Funny People, 2009/2010 – 146 min)

Sinopse: George é um cômico stand up de tremendo sucesso que um dia descobre ter uma doença com poucas chances de cura. Ira também é cômico, possui um certo talento, mas trabalha num restaurante e ainda sonha em se tornar um artista de respeito nas poucas vezes que sobe ao palco. Certa noite, quando os dois acabam se apresentando no mesmo local, George decide contratá-lo para ser seu assistente pessoal. Nasce então uma grande amizade entre eles.

Direção: Judd Apatow
Roteiro: Judd Apatow
Elenco: Adam Sandler, Seth Rogen, Leslie Mann, Eric Bana, Jonah Hill, Jason Schwartzman, Aubrey Plaza, Maude Apatow, Iris Apatow
Gênero: Drama, Comédia.

 

Poucas vezes a ‘tradução’ de títulos de filmes para o Brasil soa melhor que o original, e foi o que aconteceu com “Funny People” que virou “Tá Rindo do Quê?“. Sem contar os grandes sucessos da comédia recente nos cinemas que Jud Apatow produziu, esta é a terceira obra que ele dirige – antes tivemos “O Virgem de 40 Anos” e “Ligeiramente Grávidos“. E de todos que ele participou, este é sem dúvidas o filme mais adulto e que, se não fosse tão grande sua duração, teria um destaque maior do que apenas as nossas prateleiras de DVD.

Na trama conhecemos George Simons (Adam Sandler), um comediante de muito sucesso e com muito dinheiro é claro. Certo dia ele acaba conhecendo num show Ira (Seth Rogen, Ligeiramente Grávidos, Pagando Bem, Que Mal Tem?) que é um comediante que está começando. Ele vê algo no rapaz e decide contratá-lo para ser seu assistente pessoal. Aos poucos uma amizade começa a surgir entre os dois, e Ira tenta fazer George mais humano e feliz.

Na verdade existem outras tramas paralelas com os colegas de quarto de Ira, relações amorosas e tudo mais, só que o filme tem uma duração tão grande e acontece tanta coisa que, se eu fosse parar para comentar sobre tudo isso ninguém iria conseguir ler até o fim. E foi quase isso que senti ao ver o filme, tem momentos que são tediosos e que se você não for uma pessoa paciente e persistente não conseguirá chegar até o fim.

E é no elenco que temos o melhor deste filme, todos muito bem afiados e convincentes em seus papéis. Adam Sandler faz uma atuação realmente muito boa, de tirar o chapéu até dos que odeiam ele e seus trabalhos. Seth Rogen, para mim, é o melhor do filme. Temos ainda interessantes participações de Leslie Mann, Eric Bana (Star Trek, Te Amarei para Sempre), Jonah Hill (o gordinho do Superbad), sem esquecer das filhas do diretor Maude e Iris Apatow. E ainda tem Eminem fazendo uma cena hilária.

Pode até soar um pouco estranho, mas o que tenho a dizer sobre “Ta Rindo do Quê?” é que se trata de um bom filme, com boas atuações e uma história bonita, mas é um pouco chato e grande demais. Não me faria nenhuma falta se sumissem uns 30 ou 40 minutos, garanto que até as distribuidoras poderiam pensar em lançá-lo nos cinemas por aqui, mas desse jeito que ele foi feito só servirá mesmo para os fãs dos trabalhos de Apatow e sua turminha conhecer seu projeto mais adulto e ‘maduro’.