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Ninja Assassino (Ninja Assassin)

Classificação do PorraMan

Ninja Assassino (Ninja Assassin, Ação: 2009 – 99 min)

Dirigido por James McTeigue com roteiro por Matthew Sand e J. Michael Straczynski. Estrelando: Rain, Naomie Harris, Ben Miles, Rick Yune Sho Kosugi.

Tem vezes que eu me deparo numa disputa dentro da minha própria mente, vasculhando e tentando encontrar motivos para certos filmes que me dá na telha de assistir. Bastou eu ver os trailers de “Ninja Assassino”, e todas aquelas cenas tresloucadas de pancadaria, para que algo ativasse em meu cérebro aquela vontade juvenil (adormecida a anos e anos) de ver um “filme de luta”. E foi assim que encarei esta obra que tinha produção dos irmãos Wachowsky (os responsáveis pela trilogia Matrix e pelo filme Speed Racer) e ainda dirigida por James McTeigue que fez o sensacional V de Vingança.

E foi por apostar que caras com um pouco de prestígio fossem trazer alguma coisa além de cenas bem coreografadas de luta e ação, que acabei me dando mal e perdendo meu tempo. Pode parecer chatisse minha, mas eu sinceramente não me incomodo tanto com filmes recheados de cenas clichês ou situações inverossímeis, problema para mim é quando tratam o espectador como idiota.

A trama é apenas mais uma história de vingança, onde um garoto conhecido como Raizo (interpretado pelo astro/cantor pop coreano Rain) é criado para se tornar um ninja assassino por um clã secreto chamado Ozunu. Raizo se enfurece e busca vingar a morte de uma garota do clã a qual ele gostava, executada a mandato de seu mestre após uma tentativa de fuga.

O melhor, aliás, a única coisa que se salva mesmo no filme são as cenas de ação, executadas com maestria por um grupo de dublês que trabalhou em filmes como 300, Trilogias Bourne e Matrix, Watchmen, dentre outros. Tirando isso, não sobraria nada além de uma cópia fiel daqueles American Ninja que passavam na tv aberta todo final de semana tempos atrás. Se você vai ao cinema a procura de diversão apenas pelas cenas de luta que viu no trailer, vá sem medo que as chances de você gostar são até razoáveis.

Tirando estas excelentes cenas de ação com direito a membros, cabeças e muito sangue voando para tudo quanto é lado, não sobra nada digno de nota em Ninja Assassino. Numa obra tão sanguinolenta com censura de 18 anos porque ter cenas de romance tão piegas, forçadas e sem nenhuma química? Sem contar no desfecho lamentável, onde surge um flashback (o filme tem mais flashbacks do que toda a série Lost) para explicar uma lembrança extramamente óbvia, simplesmente ridículo.

O que resta do filme tirando as lutas é todo ruim. O elenco faz a sua parte num show de sofríveis atuações, o único que se salva é o chefão do clã interpretado por Sho Kosugi. O roteiro por sua vez tem tantos furos que parece ter sido atacado por uma chuva de shurikens. Acredite em mim quando eu digo que é com grande pesar que tenho que classificar este filme como ruim. Se fosse feito um video com todas as lutas eu acharia excelente, mas juntar belas coreografias e visuais técnicos impressionantes amarrarados de qualquer jeito amigos, isso não pode ser considerado cinema.

Zumbilândia (Zombieland)

Zumbilândia (Zombieland, 2009: Terror, Comédia, Ação – 88 min)

Dirigido por Ruben Fleischer, com roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick. Estrelando: Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin e Bill Murray.

George Romero se consagrou como o mestre dos filmes de zumbi, que se tornou até um gênero de filme. Suas obras sempre foram reconhecidas por terem um cunho social por detrás de toda a mística em torno dos mortos-vivos. “Zumbilândia (Zombieland)“, ao contrário disto, é a mais pura diversão do início ao fim.

E o diretor Ruben Fleischer disse que a idéia para fazer Zombieland surgiu mesmo quando ele assistiu “Todo Mundo Quase Morto”, que possui altas doses de humor negro. Não tenho nem como explicar a minha fascinação por filmes de Zumbi, sejam eles do mestre Romero ou adaptações de filmes seus como ótimo “Madrugada dos Mortos” de Zack Snyder, ou ainda projetos como este, eu sempre assisto porque adoro.

E Zumbilândia já mostra para o que veio logo nos créditos iniciais, onde, através de uma narrativa do personagem Columbus, ele descreve alguma de suas regras para sobrevivência no mundo agora tomado por estes mortos-vivos (que são acelerados bem ao estilo dos vistos em “Extermínio”). A diversão já começa a partir daí e em alguns momentos parece até um jogo de videogame as cenas.

Na trama seguimos a história de Columbus (Jesse Eisenberg, Adventureland), um sujeito um tanto quanto nerd e que tinha uma vida que podemos taxar como insignificante antes do planeta se tornar a ‘Zumbilândia’. Certo dia ele encontra um sujeito ‘durão’ chamado Tallahassee (Woody Harrelson, 2012, Onde os Fracos não tem Vez) e vai com ele de carona num verdadeiro ‘road-movie’, vivendo com suas regras e observando Tallahassee se divertir matando zumbis de tudo quanto jeito e até elegendo a morte da semana.

Numa parada eles encontram duas espertas (até demais) garotas: Wichita (Emma Stone, Superbad – É Hoje) e Little Rock (Abigail Breslin, Pequena Miss Sunshine), que estão até melhor habituadas que eles a viver neste mundo hostil.

Todo o elenco faz um trabalho sensacional e esbanja carisma mas, dos protagonistas, o destaque fica mesmo para Woody Harrelson que está hilário. O jovem Jesse Eisenberg continua demonstrando que tem um futuro bastante promissor, mesmo sendo comparado por muita gente com o Michael Cera. As meninas também contribuem e muito para fazer de Zombieland um filme divertidíssimo e interessante. Agora, a participação de Bill Murray (com direito até a cena extra após os créditos) é impagável e vale o filme.

Longe de querer ser uma obra prima do cinema, o que os diretores, roteiristas e atores quiseram deixar como principal marca em Zumbilândia é mesmo a diversão sem limites. Com cenas geniais, politicamente incorretas e algumas memoráveis, um lugar na minha lista de melhores que vi este ano já está devidamente ocupado, e com méritos.



PS
: Mais assustador do que viver em Zumbilândia é morar numa província como Salvador (3º maior cidade em população no Brasil). O filme, que tinha cartazes espalhados até num cinema por aqui, no dia da estréia “lá no Brasil” (Royalties para Ramon Prates) simplesmente não apareceu na programação, até mesmo o dito cartaz sumiu. Esperei meses até a estréia nacional, pois queria pagar para ver no cinema, e mais uma vez me vi decepcionado com a distribuição dos filmes por aqui. Mas enquanto houver torrents, existe esperança.

Sherlock Holmes

Sherlock Holmes (Sherlock Holmes, 2009/2010 – 128 min)

Direção: Guy Ritchie.
Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Kelly Reilly
Gênero: Suspense, Aventura.

Sinopse: O detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e seu fiel parceiro John Watson (Jude Law) envolvem-se em uma batalha contra o crime na Inglaterra, utilizando suas habilidades físicas e mentais.

 

O clássico personagem Sherlock Holmes foi criado no longíquo final do século 19 pelas mãos de Sir Arthur Conan Doyle, e de lá para cá já deu as caras em diversos romances (livros), e também em alguns filmes. Lançado ano passado lá fora, figurou em muitas listas de filmes mais esperados deste ano (nos cinemas brasileiros), e sem dúvidas faz juz à sua espera, pois trata-se de um filme que dosa bem cenas de ação, com suspense e bom humor.

Esta nova adaptação traz um Holmes (Robert Downey Jr., Homem de Ferro, Trovão Tropical)  modernizado, diferente um pouco do que a gente ‘conhecia’ dele. Ele herda suas principais características claro, como sua aguçada inteligência, suas deduções bastante lógicas de encarar os mistérios e a utilização de métodos científicos para desvendar os casos. Não poderia faltar também o seu fiel escudeiro Watson (Jude Law).

A trama segue a fiel dupla envolvida num grande mistério em uma batalha contra o crime na Inglaterra, tendo como pano de fundo o Lorde Blackwood, praticante de atividades envolvendo magia negra. Cabe aos dois tentar desvendar os mistérios ’sobrenaturais’ por trás de diversos assassinatos.

Na linha de frente o destaque fica mesmo pra Robert Downey Jr., que interpreta muito bem o sagaz Sherlock Holmes, que traz ainda gosto por lutas e um humor bem ácido e divertido. Jude Law faz um belo trabalho também como Watson, e as cenas de “amor” (bromance como alguns gostam de chamar) entre os dois rendem também hilários momentos. Junto à dupla temos ainda a gracinha da Rachel McAdams (Te Amarei para Sempre, Intrigas de Estado) e Mark Strong (Rede de Mentiras), que trabalhou com o diretor Guy Ritchie no divertido RocknRolla, fazendo um vilão ao menos convincente.

Com boas cenas de ação (algumas usando aqueles jogos de câmera lenta e depois acelerando), pitadas de romance, bom humor e um elenco carismático trabalhando direitinho, Sherlock Holmes se mostra mesmo como uma ótima diversão. E pensando nisso fizeram o favor de reservar os minutos finais do filme (depois de todo aquele momento Scooby Doo), para deixar escancarada uma continuação. Ainda assim, é muito pouco para estragar o belo entretenimento que esta obra representa.

Avatar

Avatar (Avatar, 2009 – 162 min)

Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi
Gênero: Ficção Científica, Ação, Aventura.

 

Sinopse: No futuro, Jaze é o ex-fuzileiro naval paraplégico enviado a um planeta chamado Pandora. Lá, além da riqueza em biodiversidade, existe também a raça humanóide Na’vi, com sua própria língua e cultura. O que evidentemente entra em choque com os humanos da Terra.

 

Falar de um filme que estava sendo produzido e criado a quase uma década, que custou mais de 400 milhões de dólares e que trazia consigo uma carga altíssima de expectativas nunca será uma tarefa fácil. James Cameron é mesmo um cineasta visionário, ele passou tempos pesquisando, produzindo e criando tecnologia para conseguir fazer seu projeto da forma como ele sonhava. E o que posso tentar dizer depois de tanta coisa que já foi comentada é que sim, valeu todo o hype e expectativa, Avatar é simplesmente uma obra espetacular e emocionante.

 

Jake e seu avatar

 

O mundo imaginário que James Cameron criou é assustadoramente tão vivo e bem feito que parece real. Pandora tem uma rica fauna com uma floresta ‘luminosa’ e que parece viva em uma biodiversidade tão incrível e bem detalhada que impressiona. Os animais e também a raça humanóide que habita o planeta, os Na´vi são tão bem feitos em termos de cultura e organização social que fica difícil acreditar que tudo aquilo realmente não existe.

Outro grande ponto de destaque que pode-se presenciar em Avatar na parte técnica são as cenas onde vemos a interação de atores reais com os azulões Na´vi e todo o cenário em volta. É incrível ver como tudo parece realmente estar acontecendo e todos parecem mesmo estar juntos ali, mesmo sabendo que os azulões foram criados e os atores ‘humanos’ estão encenando com uma tela de fundo verde atrás. Claro, é um projeto que foi feito para ser visto em 3D e é somente assim que você deve assistí-lo, caso contrário esqueça.

 

Zoe Saldanae Sam Worthington modo azulões

Zoe Saldana e Sam Wortinghton modo azulões

 

A trama conta a história de Jake Sully (Sam Worthington, O Exterminador do Futuro – A Salvação) um fuzileiro paraplérgico que chega a Pandora substituindo seu irmão morto numa missão que visa obter um minério muito valioso, para isso tendo que bater de frente com os habitantes locais conhecidos como Na´vi. E alguns humanos, como Jake, utilizam-se de avatares, que são seres Na´vi criado geneticamente em laboratório, que conseguem receber, através de uma câmara a consciência de um ‘controlador’ humano.

E como Cameron não deixou nenhum ponto passível de queixas na parte técnica e visual, tem gente que conseguiu se apegar no roteiro para encontrar o ponto fraco do filme. Cameron, em meu modo de pensar, optou por uma saída inteligente ao utilizar uma história já conhecida e segura. Só que ele soube construir os personagens e criar cenas de ação tão fantásticas que, sinceramente, não vi nenhum mal em se ter uma trama manjada, para mim pelo menos funcionou.

 

Stephen Lang com Sam Worthington

 

No elenco podemos destacar os trabalhos de Sam Worthington, interpretando de forma muito convincente o protagonista Jake Sully, a atuação emocionante de Sigourney Weaver, que volta a trabalhar com Cameron após “Alien” e também ao trabalho de construção de um vilão muito bem feito por Stephen Lang. Zoe Saldana (Star Trek) se não aparece em carne osso, empresta seus movimentos e feições a uma Na´vi, num processo que para ela deve ter sido muito gratificante.

E se Avatar não se tornar algo revolucionário, com certeza pelo menos será um grande marco na história do cinema. Tem lá sua história manjada, tem lá seu apelo ecológico estampado por detrás da trama, mais ainda assim trata-se de um filme grandioso em todos os sentidos, e que recomendo a todos irem assistir, em 3D logicamente. É algo que realmente acredito que todos merecem presenciar e sentir.