Cinema
Os Mercenários (The Expendables)
Aug 15th
Os Mercenários (The Expendables, Ação: 2010 – 103 min)
Dirigido por Sylvester Stallone com roteiro por Dave Callaham e Sylvester Stallone. Estrelando: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Gary Daniels, Terry Crews e Mickey Rourke.
Reunir todos os grandes astros de filmes de ação, tanto os “das antigas” quanto alguns mais atuais, foi uma das idéias mais geniais que Sylvester Stallone já teve. Falando exatamente a língua do seu público alvo, “Os Mercenários (The Expendables)” fez valer o posto de uma das produções mais esperadas deste ano. Saí do cinema me sentindo uma criança feliz vendo um antigo sonho meu ser realizado.
O roteiro deve ter sido escrito em um guardanapo. A trama segue um grupo de mercenários que certa feita recebe a proposta de um trabalho numa pequena ilha do Golfo. Depois de dar uma averiguada no local fica evidente que a missão não vale o risco e eles decidem recusar a proposta. Antes disso, uma linda mulher (Gisele Itié) com um espírito bravo e lutador (bonito isso), desperta no personagem de Stallone sentimentos de redenção. O resto vocês já sabem.
Uma das coisas mais surpreendentes, ao menos para mim, é que mesmo com tantos brucutus reunidos, foi possível desenvolver bem os personagens. Os atores estão bem à vontade e até mesmo o grandalhão do Dolph Lundgren (Soldado Universal 3) se sai muito bem. Jet Li está hilário, Jason Statham (Adrenalina) esbanja carisma e simpatia e os demais astros da ação não decepcionam.
Não podia deixar de falar na cena que todo mundo está comentando, ela é rápida e vem logo no início do filme envolvendo Arnold Schwarzenegger, Bruce Willys e Stallone. Na sessão que fui a sala toda foi ao delírio, realmente paga o ingresso.
O grande trunfo de “Os Mercenários” é misturar cenas competentes e bem trabalhadas com doses certeiras de humor e boas piadas. Saber rir de si mesmo é uma das maiores dádivas que o ser humano pode ter, e o filme trabalha muito bem essa questão.
Mesmo que tenhamos uma trama bem simplista e com algumas cenas ou até personagens pouco relevantes – Mickey Rourke (O Homem de Ferro 2) é apenas uma espécie de tatuador filósofo – “Os Mercenários” trata-se realmente de um sonho de criança e, como filme de ação, é extraordinário. As coreografias das lutas, os tiroteios, as explosões, o corre-corre pega-pega, tudo funciona direitinho. É diversão de primeiríssima qualidade.
Quem gosta de produções com tramas mais bem trabalhadas pode passar longe desta obra. Trata-se de um trabalho que nunca procurou ser o que não é. É filme de macho mesmo (sem tons pejorativos), muito sangue, suor, bombardeios, pouco papo e muita ação. Gostaria muito de apertar a mão de Stallone e dizer: “Porra, Man! Seu filme vale 4 macacos”.
400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho
Aug 13th
400 Contra 1 (Policial, 2010 – 95 min)
Dirigido por Caco Souza com roteiro por Victor Navas e Julio Ludemi adaptando livro de William da Silva Lima. Estrelando: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Branca Messina, Fabrício Boliveira, Lui Mendes, Jefferson Brasil, Jonathan Azevedo, Rodrigo Brassoloto, Felipe Kannenberg e Negra Li.
Se tem uma coisa que eu não gosto de fazer é falar mal de produções nacionais, só que filme mal feito é ruim independente de sua nacionalidade. Em “400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho” o que vemos é mais do mesmo, aquela mania de tentar fazer algo próximo do que Fernando Meireles fez com “Cidade de Deus” que, no final das contas, se torna apenas mais uma produção totalmente dispensável.
Baseado em livro homônimo de William da Silva Lima, “400 Contra 1” conta a história da formação do que se tornaria uma das maiores facções criminosas do país, o Comando Vermelho. A trama se passa entre os anos 70 e 80, onde o grupo começou a se mobilizar no presídio de Ilha Grande no Rio de Janeiro.
Fica a cargo de Daniel de Oliveira interpretar o protagonista (o autor do livro) William, que é o responsável por iniciar a base da organização criminosa. Com o lema Paz, Justiça e Liberdade (deturpados da melhor maneira possível, afinal estamos falando de criminosos), o movimento começa a agir dentro do presídio carioca.
Daniel de Oliveira é um grande ator e gosto de alguns trabalhos seus, só que aqui ele tenta suprimir seu jeito mineiro com um carioquês tosco e muito mal falado. Destaques mesmo entre os atores são os de Fabrício Boliveira, que interpreta Cavanha e ainda Daniela Escobar, que não sei como conseguiu ficar incrivelmente horrorosa, parabéns aos maquiadores e figurinistas.
Tentar contar uma história séria querendo passar alguma mensagem e, ao mesmo tempo, querer ser um filme descolado e engraçado, faz com que “400 Contra 1” não chegue a lugar algum. Só que o maior problema aqui é a forma em que ele foi montado. É tanto “vai e vem” na linha do tempo que tudo se torna incrivelmente chato, desinteressante e sem impacto algum.
Na verdade fica comprovado que mesmo com uma história curiosa (não vou entrar naquelas discussões de ‘dignificação’ da bandidagem, isso é balela) e uma bela fotografia, se você não encontrar a melhor forma de contar a sua história, você pode destruir todo o seu trabalho. De tanto ficarmos indo e vindo na linha temporal, fica parecendo que o filme não tem nenhum clímax ou algum ‘lugar’ interessante a se chegar e pior, parece que ele tem na verdade “400” minutos de duração.
Arrastado, monótono e sem alma, “400 Contra 1” é mais uma produção nacional que não diz ao que veio, não sei se servirá nem para entrar em algum tipo de estatística. Não é esse o cinema nacional que tanto apoio e gosto de ver.
A Origem (Inception)
Aug 10th
A Origem (Inception, Ficção Científica, Suspense: 2010 – 148 min)
Direção e roteiro por Christopher Nolan. Estrelando: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Dileep Rao, Michael Caine, Lukas Haas e Pete Postlethwaite.
Em Christopher Nolan nós podemos acreditar, de suas mãos já saíram excelentes obras como “Amnésia” e o último Batman “O Cavaleiro das Trevas”, e ainda outros sucessos como “Batman Begins” e “O Grande Truque”. Depois de reunir um elenco recheado de grandes e competentes atores e cercar a trama (claro, até a data lançamento) de mistérios sem revelar muitos detalhes, não me faltaram motivos para acreditar que “A Origem (Inception)” seria um dos melhores filmes do ano.
Assistir qualquer produção com expectativa lá em cima, como eu fui conferir esta obra, eleva as chances de você se decepcionar. Só que Nolan entra para aquela seleta lista de cineastas que mostram que blockbusters podem ser ao mesmo tempo lucrativos, inteligentes e criativos. Desde Matrix que eu não saía de uma sala de cinema tão deslumbrado e ainda debatendo tanto sobre tudo que acabara de ver.
A trama segue a história de Cobb (Leonardo DiCaprio, Ilha do Medo) que é um especialista em roubar informações (segredos) das pessoas invadindo suas mentes durante o sonho. Certo dia ele recebe a missão de fazer algo um pouco diferente, implantar uma idéia (daí a referência ao título original “Inception”) na mente de Robert Fischer Jr. (Cillian Murphy), herdeiro de uma mega corporação. Como seu pai está prestes a morrer e lhe entregar o testamento, o cliente de Cobb, Saito (Ken Watanabe), solicita que ele faça com que Robert decida dividir a corporação.
Note que em nenhum momento é explicado como funcionam todo aqueles aparatos miraculosos para fazer com que um grupo de pessoas possa entrar num sonho de alguém e lá dentro entrar em ação, e isso na verdade é irrelevante.
A grande sacada de Christopher Nolan é se basear na psicologia e no estudo dos sonhos para construir uma intricada (e por vezes complexa) trama na qual o personagens precisam entrar em sonho, dentro de sonho, dentro de sonho. Não se sinta um burro se em algum momento você perder a noção do que é realidade com o que é sonho, afinal é aí onde mora toda a genialidade do filme, que exige sua atenção durante as quase 2 horas e meia de projeção. Eu nem pisquei os olhos.
Não bastasse um história surpreendente, envolvente e com efeitos especiais e cenas muito bem trabalhadas e editadas, ainda temos um trabalho excelente dos atores. DiCaprio dificilmente erra em algum trabalho, e aqui não é diferente. A jovem Ellen Page depois de Juno mostra que possui muito talento e tem um papel importante como “nova integrante” do grupo, fazer parte de uma espécie de tutorial para deixar o espectador um pouco menos perdido.
Não posso deixar de comentar também sobre Joseph Gordon-Levitt que fez o excelente “500 Dias com Ela” e esbanja talento e desenvoltura em cenas onde a física vai, literalmente, pelos ares. A beleza de Marion Cotillard (Nine) é uma das mais importantes peças de todo o jogo e, para não me estender ainda mais, todo o restante do elenco faz interessantes participações.
Apesar de, para alguns, parecer complexo demais, a única coisa que “A Origem” (porque os títulos nacionais insistem em ser ruins?) exige do espectador é atenção. A engenhosidade da trama é como um grande quebra-cabeças que vai sendo montado cena após cena onde tudo se encaixa perfeitamente. Não bastasse tantos acertos, Nolan ainda nos premia com um desfecho que deixa o filme “vivo” mesmo após o seu término.
Joaquin Phoenix, surto, delírio ou brincadeira?
Aug 6th
O documentário de Casey Affleck sobre a carreira de rapper do ator Joaquin Phoenix teve seu cartaz divulgado. Mas afinal, toda essa história seria apenas uma estratégia para fazer sucesso com um documentário no melhor estilo “Borat” ou será que ele realmente surtou?
A carreira de Joaquin Phoenix em filmes foi bastante promissora, tendo feitos inúmeros sucessos no cinema como “Gladiador“, “Sinais”, “Johnny e June” e “Amantes” (que foi seu último trabalho ‘sério’).
Nestes últimos meses o ator foi visto dando uma de maluco em programas de entrevistas, deixou o cabelo e barba crescer de forma bastante assustadora e decidiu seguir carreira como rapper. Foi vaiado algumas vezes e chegou a inclusive brigar com fãs.
O suposto documentário chamado “I’m Still Here: The Lost Year of Joaquin Phoenix” promete ser bastante polêmico por mostrar o ator cheirando cocaína e expondo suas partes diversas vezes.
Se é brincadeira ou se é coisa séria eu não sei, o fato é que eu tenho muito medo desse projeto. Joaquin sempre se mostrou ser um excelente ator e, caso seja confirmado que ele tenha dado uma de “Borat”, seria bastante divertido. Só não sei se isto deveria ser taxado como genialidade ou idiotice.
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