Cine Cult
V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual
Aug 2nd
Aconteceu nesta última semana aqui em Salvador (27 de julho a 1 de agosto), no Teatro Castro Alves (TCA), o V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (SEMCINE). O grande Roberto Câmara presentou-me no dia do meu aniversário, 1 de agosto, com um par de convites (Tribuna de Honra e tudo mais) para o encerramento do evento.
Como o próprio nome diz, a proposta do evento é discutir e negociar cinema e produções audiovisuais no País. Contando para isso com a participação de empresários, patrocinadores, cineastas, artistas, produtores, distribuidores e tudo mais envolvido neste meio.
Na sala do coro do TCA houve a premiação de curtas (com sua apresentação em seguida), agradecimentos aos participantes e por fim a exibição do longa Tcheco-Polonês Karamazovi. Vou comentar um pouco a respeito de cada produção exibida.
Curta “Nego Fugido”
Sinopse: “Brinquedo de nego forro fugido é abrir roda para mostrar que tudo é caça e caçador“. Confira abaixo o trailer:
Nego Fugido mostra a chegada de um casal em Acupe (cidade do recôncavo baiano) querendo conhecer um pouco da manifestação cultural local, que existe unicamente nesta cidade, “Nego Fugido”. Os dois jovens conhecem a manifestação popular só que de uma maneira surpreendente e até um pouco assustadora.
Temos aqui um curta quase documental que serviu para conhecer uma cultura que realmente não sabia de sua existência. Para quem quiser enxergar um pouco além da manifestação popular, conseguirá ver que ela mexe em feridas históricas. O trabalho dos atores é muito bom.
Um grande “mico” aconteceu na hora da premiação. Ninguém apareceu para receber o prêmio e o apresentador já estava desconversando ,enquanto o reitor da UFBA (que iria entregar o prêmio) já estava se dirigindo para sentar em sua poltrona, neste exato momento eis que surge uma figura de camiseta regata falando no celular. Ele subiu ao palco falando ao celular possivelmente com o criador do curta e recebeu o prêmio ele mesmo, com o celular no ouvido e tudo mais. Isso que era confiança! E não tinha nome melhor mesmo para este curta a não ser “Nego Fugido”, fugiu até na hora de receber o prêmio.
Curta Cães
Sinopse: “No sertão nordestino, Inácio, um jovem líder camponês, luta contra a aristocracia da região. Gravemente ferido, em uma emboscada onde morre quase toda sua família, Inácio é resgatado pelo seu pai, Domingos, que passa a levá-lo nas costas, por um árduo e estreito caminho na caatinga, em busca da cidade mais próxima, na esperança de poder salvar a vida do filho.” Confira abaixo o trailer:
O curta baiano Cães já tinha levado 3 prêmios – fotografia, ator e prêmio da crítica – no 41º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro. Aqui temos realmente uma fotografia muito boa do sertão nordestino, todo em preto e branco com alguns raros momentos onde vemos alguma coisa avermelhada.
Este levou o prêmio de melhor curta, e eu achei realmente muito bom apesar de ouvir das pessoas que na verdade não conseguiram entender nada. Engraçado que tenho um primo que conhece um dos responsáveis por esta obra e o próprio disse que realmente não era para entender muita coisa não. Rá! Fato é que foi aplaudidíssimo, seja por educação ou por pose pareceu que o público presente realmente gostou.
Vemos a todo tempo o Inácio carregado nas costas de seu pai que foi o resgatar dos “cães”. Num mixto de fuga e pesadelo temos as visões dos dois personagens, sendo que a de inácio é a mais pertubadora, convivendo entre diálogos com o pai sempre a reclamar do filho. Durante a caminhada visões do passado surgem para deixar tudo ainda mais insano. Sério, adorei mesmo sendo tudo uma grande viagem.
Karamazovi (República Tcheca e Polônia, ficção, 2008, 110 min)

Depois dos dois premiados curtas foi a vez do longa Karamazovi dirigido por Petr Zalenka. Produção da República Tcheca e Polônia trata-se de um filme difícil e bastante denso. Esta obra me lembrou bastante a trama de Hamlet, inclusive o Roberto concordou quando comentei este fato. Engraçado que na mesma sala do coro do TCA uma semana antes tive a oportunidade de ver a representação de Hamlet com Wagner Moura e grande elenco.
Karamazovi é um filme bem premiado e bastante elogiado pela crítica especializada. Ainda sim, quando terminou as pessoas ficaram realmente atordoadas, tímidos aplausos surgiram. Verdade seja dita, é bom sim mas é duro e complexo por demais. Quem não estiver antenado é capaz até de dormir.
No filme um grupo de artistas chega para ensaiar uma apresentação em uma antiga fábrica. Em um certo momento um sujeito diz que o ensaio vai começar, e não vai ser interrompido até o seu final. É exatamente o que ocorre até o fim do filme. Tem horas que você já fica perdido no que está realmente acontecendo e o que é ensaio, ou se tudo é ensaio ou devaneio. Metáforas e situações “cults” à parte valeu a pena ter assistido.
*Agradecimentos especiais novamente ao Roberto do Me Tire Deste Ócio, que me deu um belo presente de aniversário. Acompanhando ele estava ainda sua ‘respectiva’ Dani Vidal do Hello Stranger.
*Fontes: Blog da ABCV (Associação Baiana de Cinema e Vídeo) e IMDb;
Entre os Muros da Escola (Entre les Murs)
Apr 20th

Entre os Muros da Escola (Entre les Murs – França, 2008 / Brasil 2009 – 128 min)
Direção: Laurent Cantet.
Roteiro: Robin Campillo, Laurent Cantet, François Bégaudeau.
Elenco: François Bégaudeau, Laura Baquela, Nassim Amrabt, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Damien Gomes, Arthur Fogel, Dalla Doucoure.
Gênero: Drama.
Sinopse: Baseado em livro homônimo de François Bégaudeau, em que relata sua experiência como professor de francês em uma escola de ensino médio na periferia parisiense, lugar de mistura étnica e social, um microcosmo da França contemporânea.
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes ano passado, “Entre os Muros da Escola (Entre les Murs)” é um filme que fala da relação professor-aluno ao mesmo tempo em que nos mostra o contexto social e político da França e suas colônias. Não é definitivamente um filme fácil uma vez que nem tudo fica bastante claro para todos que o assistem, é preciso ter um olhar mais amplo para compreender o que nos é apresentado.
Toda a trama se passa dentro de um colégio da periferia de Paris, basicamente dentro da sala de aula. É lá que François – interpretado por ele mesmo, ou seja, é quase uma autobiografia ou documentário de suas experiências na sala de aula – tenta lidar com a difícil relação de poder que os professores possuem sobre os alunos, a hierarquia de nossas instituições de ensino.

François na verdade tenta ser um pouco mais que apenas o mestre, ele tenta conseguir uma cumplicidade e respeito dos alunos se aproximando deles, mas o filme nos apresenta como toda essa relação é bastante complicada. Na sala de aula temos uma diversidade enorme com imigrantes, cidadãos ‘franceses’ oriundos das (ex)colônias e até um chinês.
Problemas familiares, diversidades culturais e muitas contestações dos alunos em sala de aula. Por parte do corpo de professores temos as questões administrativas de uma escola, e nos é apresentado que eles também sofrem bastante com tudo isso. François fica meio que intermediando os dois lados e fica difícil separar no filme o que é ficção do que seria documental.

Definitivamente “Entre os Muros da Escola” é uma obra diferenciada por nos deixar muitas brechas e metáforas no ar. Talvez por isso não seja um filme indicado para qualquer um, é daqueles que quando termina você ainda fica digerindo o que viu. É um bom filme sem dúvidas e que ganhou bastante as críticas especializadas, entretanto, como eu disse no início, se você não tiver uma visão mais ampla e literalmente não ‘viajar nas metáforas e deixas‘ pode ficar meio “no ar” quando vir os créditos finais subindo a tela. Confesso que não consegui ser tão ‘maduro‘ quanto precisava para idolatrar esta obra.
Os poster mais estranhos do cinema
Oct 6th
O Jardel me mandou através do contato aqui do “Porra, man!” um link para um site/blog muito legal, o www.WeirdPosters.blogspot.com – The Wrong Side of the Art. O site foi criado na verdade como um repositório para os posters de filmes que o autor coleciona, funciona como uma alternativa ao álbum que ele possui no picasa.
A grande maioria são de filmes “B”, Cults, filmes de Terror geralmente bem antigos, e como ele mesmo diz, que a grande maioria das pessoas chamam de ‘lixo’ (arrumei uma tradução melhor para ‘shit’
). A quantidade é imensa e tem muitos sensacionais e hilários. Tem de grandes filmes como “A Hora do Espanto”, “Hellraiser”, alguns de George Romero e outros muito desconhecidos também.
Separei na galeria abaixo alguns que vi achei geniais, confira na galeria abaixo e depois dê uma passada lá no site que vale a pena. Conversei com o autor do blog e ele autorizou utilizar as imagens. Quem quiser pode dar uma passada lá e utilizar que é tranquilo, ele faz questão de colocar com uma ótima resolução.
[Cine Cult] Tully
Jul 12th
Tully
Direção: Hilary Birmingham.
Roteiro: Hilary Birmingham, Matt Drake adaptando história de Tom McNeal.
Elenco: Glenn Fitzgerald, Anson Mount, Bob Burrus, Julianne Nicholson, Laura Walker, Joe Smalley, Tim Driscoll.
Ano: 2000.
Gênero: Drama.
Tempo: 102 min.
Sinopse: Tully Coates Jr. leva uma vida “agitada” com as mulheres, consiguindo sempre uma ‘companheira’ a cada dia. Já seu irmão é um rapaz mais pacato e leva uma vida simples. Tully Coates Sr., cuida de seus filhos com muito trabalho e tudo caminha bem, até que um dia ele recebe um aviso que sua ex-mulher deixou uma grande dívida que pode lhe custar a fazenda.
Faz muito tempo que decidi começar uma nova categoria aqui no blog para os filmes “cult“. Confesso que taxar algum filme como ‘cult‘ é demais para o meu conhecimento, entretanto, vou levando em consideração essas classificações a partir das emissoras que passam os filmes e o classificam como tal – a exemplo do Telecine Cult – ou ainda das distribuidoras e crítica. Tully foi um dos muitos filmes que assisti no meu grande “hiato” de acesso a internet, que agradeço em especial ao serviço da Oi/Telemar.
Tully é um filme simpes mas com uma história muito bonita. Lançado em 2000 recebeu diversos prêmios (alguns de festivais independentes) e foi um filme bem aceito pelo crítica. Eu gostei, mas achei o filme meio lento, devagar. No final a história não tem nada de espetacular, mesmo assim é um bom filme. A maioria do elenco trabalhou (e alguns ainda trabalham) bastante em série televisas, sendo que o Anson Mount chegou a participar do primeiro episódio da segunda temporada de Lost, “Man of Science, Man of Faith“.
Tully Coates Jr é um rapaz que faz muito sucesso com as mulheres, tem uma boa aparência e utiliza isso para passar cada dia/noite com uma mulher diferente. Enquanto seu irmão Earl Coates é uma pessoa mais pacata e que leva a vida cuidando de seu bezerro para tentar vencer uma competição. Seu pai, o velho e bom Tully Coates, tenta com muito trabalho salvar a fazenda depois de receber uma notícia que sua ex-mulher, mesmo morta, deixou uma grande dívida, o que pode levar toda sua terra.
No meio de tudo isso aparece Ella, e que “mexe” um pouco com o Coates Jr., mas claro ela se preocupa e fica receosa se deve ou não se envolver com ele, afinal, ela não quer ser apenas mais uma em sua vida. Tully se passa no interior dos Estados Unidos e tem todo aquele clima de filme ‘antigo’ de fazenda americana. O filme vai caminhando, as coisas vão acontecendo vagarosamente e no fim eu esperava algo mais do que o que foi mostrado.
No geral um bom filme, talvez eu tenha deixado algo passar sem perceber, sei lá. O que gostei mesmo foi da bela história de família que Tully Coates tem com seus filhos, os criando sozinho e com muito trabalho. A jornada de Coates Jr e seu irmão Earl também tem difíceis reviravoltas e surpresas.
Quem tiver a oportunidade de assistí-lo, e gostar de dramas “familiares” e belas histórias de “vida“, pode assistir que vai gostar. Pra quem prefere filmes mais ágeis e surpreendentes não é uma boa pedida. Como este filme é considerado “Cult“, talvez seja um pouco difícil de encontrá-lo, mas sinceramente, não vale tanto assim a procura.
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