Crítica | O Irlandês (The Irishman)

É impressionante constatar o alto nível dos filmes dirigidos por Martin Scorsese. Mesmo com uma carreira longa, ele se mantém muito acima da média. O Irlandês é mais um exemplo de sua evidente qualidade. Com um elenco com nomes como Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci e uma duração de 3 horas e 30 minutos que parecem bem menos do que isso, o filme é um deleite para os fãs do bom cinema. A trama nos conta a história de Frank Sheeran, um homem que entra para a máfia com uma absurda naturalidade e fica cada vez mais importante nesse meio. Ao contrário de clássicos do gênero como O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros, não há qualquer glamour na caracterização da máfia aqui. Acompanhar a vida de Frank Sheeran é como um mergulho em mundo melancólico e perigoso. Um mundo em que o sucesso é algo relativo e efêmero e que te afasta cada vez mais daqueles que realmente importam. Martin Scorsese demonstra em Irlandês o seu cinema maduro e pungente. É como se tudo o que ele criou até agora fosse uma matéria-prima para a realização deste épico. O Irlandês conta com recursos estilísticos eficientes que jamais ofuscam a trama. Por 3 horas e 30 minutos ficamos como que hipnotizados pelo o que testemunhamos e sentimos um certo alívio quando os créditos começam a subir. Já adianto, o meu alívio não teve nada a ver com a bexiga, pois pausei o filme duas vezes (Obrigado, Netflix!). E não há problema nenhum se você fizer o mesmo!


Classifi.: 4 de 5

O Irlandês

Título Original: The Irishman
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Steven Zaillian
Elenco: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci
Ano: 2019
Duração: 3h 29 min
Info: IMDb

Related Posts with Thumbnails

Author: brauns

Um despretensioso comentarista de filmes e seriados. Fã de Kubrick, Spielberg e Kurosawa, nomes que me ajudaram a perceber o enorme potencial do cinema.

Share This Post On

4 Comments

  1. Curto e direto! Concordo com sua crítica, principalmente na parte que diz que Scorsese é acima da média, e que não glamoriza a máfia, ao contrário de outros títulos.

    Post a Reply
  2. Cara, confesso que não assisti em uma sentada só, la ela, mas que filme, que produção cinematográfica. Que homem esse tal de Scorcese.

    O mais impressionante, alem de tudo que você descreveu, e como o filme fala sobra a vida e termina, naquela porta entreaberta, numa sensação de completa melancolia.

    Um dos melhores do ano.

    Post a Reply
    • Não temos bexiga pra isso!! haha

      Essa cena final já entrou para história. Coisa linda. FILMAÇO.

      Post a Reply

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.