Crítica | Dois Papas

Quando a Netflix anunciou o filme Dois Papas com Anthony Hopkins (Silêncio dos inocentes – 1991) e Jonathan Pryce (Brazil -1985) como protagonistas, fiquei curiosa e ansiosa pela data de lançamento, afinal, com dois atores de peso contracenando juntos só poderia sair algo interessante.

O filme que estreou dia 20 de dezembro com a direção do brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e contando com roteiro de Anthony McCarten (A hora mais escura) é uma deliciosa história sobre a renúncia do Papa Bento XVI e a ascensão do Cardeal Bergoglio como novo chefe da Igreja Católica.

O foco é no confronto dos dois personagens –  Bento XVI e o Cardeal Jorge Bergoglio – que apresentam visões diferentes do mundo. Anthony se encontra confortável no papel do ex-chefe da Igreja, desde a sua postura e fala percebemos  as características de um papa vaidoso e ambicioso.

Jonathan consegue transmitir o carisma que o Papa Francisco tem com seu jeito desprendido e cativante. É notória a semelhança dos atores com os personagens reais, o que acaba sendo um dos pontos positivos do filme junto com os diálogos afiados e inteligentes. 

Dois Papas recorda o período da renúncia do Papa Bento XVI, durante  os escândalos da igreja sobre os casos de pedofilia, corrupção e a série de documentos secretos vazados pelo próprio mordomo de Bento. Além disso conhecemos um pouco da  trajetória de Bergoglio durante a ditadura do seu país, seus medos,  arrependimentos e a sua chegada até o cargo de chefe da Igreja Católica.   

O longa acaba sendo uma surpresa entre os filmes baseados em fatos reais, seu ritmo é envolvente e ambicioso.. A maneira como a câmera  é colocada nos mostra a visão do espaço pelos olhos dos personagens, fazendo com que nos aproximemos ainda mais da história que possui momentos de humor muito bem inseridos. 

Em resumo, Dois Papas é palco da brilhante interpretação de seus protagonistas que apresenta alguns elementos fictícios acrescentados para poder incrementar a história ao público. O diretor faz um paralelo com imagens da época e flashbacks e entrega um incrível experiência cinematográfica longe de ser apenas mais um filme religioso.


4 de 5

Dois Papas (The Two Popes)

Direção: Fernando Meirelles
Roteiro: Anthony McCarten
Nacionalidades: Reino Unido, Itália, Argentina, EUA
Gênero: Drama
Ano: 2019
Duração: 2h 05min
Classificação: 12 anos
Distribuição: Netflix

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Author: Rafaela Araújo

Fotógrafa,jornalista em formação, brincando com design gráfico na horas vagas, amante de westerns e apaixonada por um preto e branco

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3 Comments

  1. Decepcionante, mais uma estória mudada para agradar a opinião pública e mídia, principais responsáveis pela queda de Bento. Mais um revisionismo da esquerda (Meirelles é um apoiador fervoroso de Marina Silva) para continuar moldando a sociedade no progressismo. 1° Eles nunca foram amigos, portanto o filme já é 80% fantasia. 2° Bento era um Papa extremamente popular, é só ver fotos da época e comprovar como levava multidões as ruas. 3° Bento XVI foi muito a fundo na questão de pedofilia dentro da igreja, alias, Bergolio atualmente continua tendo os mesmos problemas.

    Só resta lamentar e corar de vergonha com duas cenas, a cena do Múleo, o sapato vermelho do Papa, que foi um ato de humildade de Bento XVI, alemão, com a tradição italiana. E a forçação de barra em colocar a imagem da ex-presidente impichada na tela.

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    • Não sou religioso, mas pelo o que acompanhei ao longo dos anos a popularidade do Bento XVI não chegou nem perto da do João Paulo II.

      Gostei muito de Dois Papas, filme que não despertava o menor interesse em mim. O roteiro não tinha a obrigação de ser um registro histórico preciso, mas sim de oferecer uma dramatização interessante, que foi o caso. Além disso, ele investe em uma bem vinda mensagem sobre tolerância.

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    • Como já diria Luke em The Last Jedi: “Impressionante, cada palavra do que você falou… Tudo errado”.

      É um filme, talvez você não saiba o que é um filme, e você conseguiu ver tudo isso? Uma completa viagem de ácido lisérgico, só pode.

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