Crítica | Joker (2019)

Quando Joaquin Phoenix (Her – 2013) aceitou a proposta de interpretar o Coringa, imediatamente associei a palavra profundidade podendo ser um dos motivos da escolha do ator ao encarar o papel. Quando saiu a notícia que teria uma ponta de Robert de Niro e um dedo de Martin Scorsese na produção, veio logo à mente a possibilidade de um filme sério sem nenhuma das limitações impostas por ser inspirada nas obras da DC Comics, trabalhado intensamente na personalidade do personagem, uma versão insana debatendo sobre questões morais e demônios internos com o plano de fundo a cidade de Gotham. Graças ao desempenho de Phoenix e a inspiração do diretor vinda de clássicos dos anos 1970 e 1980 em retratar uma nova versão, o filme Joker vai muito além disso tudo.

Phoenix, inicia o filme sendo Arthur Fleck, um palhaço de rua que mora com sua mãe doente em Gotham mergulhada no cenário de desigualdade social. Arthur que é fã de um apresentador de show noturno Murray Franklin interpretado por Robert  De Niro (Um Senhor Estagiário) sonha em um dia ter o seu próprio stand-up.  Apesar do seu desequilíbrio mental, ele tenta alcançar o que deseja da maneira que acha certo  sendo um provocador do caos na cidade de Gotham. 

Ao longo do filme somos apresentados a um time de atores coadjuvantes como a vizinha que Arthur gosta Sophie (Zazie Beetz), Thomas Wayne (Brett Cullen) e aos detetives Burke e Garrity (Shea Whigham e Bill Casmp) todos com boas interpretações.

Todd Phillips (Trilogia Se beber não case), dirige o filme com o roteiro de Scott Silver (8 mile). A dupla consegue entregar um filme ousado e explosivo. Percebemos como cada o jogo de câmera foi minuciosamente pensado para engrandecer ainda mais o que está sendo apresentado em cena, os primeiros minutos é um exemplo disso. Um grande mérito da obra é a trilha sonora composta magnificamente pela compositora islandesa Hildur Guðnadóttir (A Chegada) com seu  violoncelo transmitindo um clima  tensão e emoção em cena. 

O Figurino de Mark Bridges, fez exaltar ainda mais o personagem, trazendo autenticidade entre as cores amarelo, laranja e azul nessa nova versão. A fotografia de  Lawrence Sher, com certeza é um das partes brilhantes do filme, pois sentimos quando o personagem se encontra grande, encurralado e pequeno, ocasionando desconfortos claustrofóbicos. 

Joker é um drama espetacular com atuação monstruosa do Joaquim Phoenix e brilhantemente bem produzido. Talvez o “Efeito Logan” tenha permitido a execução final desse material, pois quadrinhos apresentam histórias complexas e podem ser material de base para render incríveis histórias. Muitos comentam que o filme parece ser perigoso, a melhor forma de descobrir é encarar essa nova versão. 


Classif.: 5 de 5

Título original: Joker
Ano de produção: 2019
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Todd Phillips, Scott Silver
Produção: Todd Phillips, Bradley Cooper, Richard Baratta, Bruce Berman, Joseph Garner, Emma Tillinger Koskoff
Trilha sonora: Hildur Guðnadóttir
Direção de fotografia: Lawrence Sher
Edição: Jeff Groth
Design de produção: Mark Friedberg
Figurino: Mark Bridges
Estúdios: DC Comics, DC Entertainment, Joint Effort, Warner Bros.
Distribuição: Warner Bros.

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Author: Rafaela Araújo

Fotógrafa,jornalista em formação, brincando com design gráfico na horas vagas, amante de westerns e apaixonada por um preto e branco

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