Rainhas do Crime | Crítica do filme

Recentemente, críticas e intrigas que giravam em torno da escolha de Lashana Lynch em assumir o papel de 007 serviram como impulso para reconhecer a importância e a falta de fortes papéis femininos em filmes.  Em 2018, o site The Wrap divulgou uma pesquisa que mostra como a presença de protagonistas femininas aumentou, mas o cenário ainda é dominado por homens. Entretanto, podemos ver a movimentação da indústria para rever a situação através de longas metragens como Rainhas do Crime

Melissa McCarthy (Um amor de vizinho) , Tiffany Haddy (Tuca e Bertie) e Elisabeth Moss (MadMen) interpretam mulheres casadas com mafiosos que dominam a rede de serviços no bairro de Hell’s Kitchen em Nova York na década de 70. Katy interpretada por Melissa, casada com Jimmy e mãe de dois filhos, sempre colocou sua família em primeiro lugar. Ruby, representada por Tiffany,  é uma mulher infeliz por não ser respeitada no bairro graças a cor de sua pele, algo que também reflete em seu relacionamento, sendo rejeitada por seu esposo Kevin e sua sogra. Já Moss interpreta Claire que vive um relacionamento abusivo com seu marido Rob. 

No início do filme percebemos que elas não estão satisfeitas com suas vidas e a maneira como são tratadas, sendo sempre submissas e desvalorizadas. Seus maridos nunca deixaram elas interferirem nos negócios pois pensavam que elas não seriam capazes. As coisas acabam mudando quando os mafiosos são surpreendidos pelo FBI em um roubo que não sai como o planejado e acabam sendo presos. Inconformadas com a situação, as mulheres passam a sentir necessidade de assumir os negócios, conseguindo pela primeira vez ter o controle de suas vidas e uma condição financeira melhor.  

O drama foi dirigido e escrito por Andrea Berloff, que foi indicada ao Oscar pelo roteiro de Straight Outta Compton – A história do N.W.A. O roteiro, que é baseado no quadrinho The Kitchen de Ollie Masters e Ming Doyle, apresenta um humor leve com piadas inteligentes e um ritmo rápido para contar a história através da edição frenética principalmente na passagem de tempo. 

A fotografia do filme, dirigida por Maryse Albert que trabalhou em Creed – Nascido para Lutar, deixa um pouco a desejar logo no início, pois as cenas são escuras, o que pode ter sido o intuito da diretora, mas acaba sendo algo que pode prejudicar a experiência do público. No decorrer do filme, percebemos que isso muda com a introdução de cores mais vibrantes, o que é bom e deixa ainda mais evidente o equívoco da escolha da iluminação nas cenas iniciais.  

Rainhas do Crime é um ótimo filme, com uma hora e quarenta e três minutos que passam voando, mas apresenta algumas cenas importantes ao final do filme que não foram bem desenvolvidas. Apesar disso, o resultado final é positivo, já que acerta na química entre as atrizes escolhidas, com mulheres protagonizando uma história de máfia, uma aposta interessante em um gênero que sempre foi liderado por homens.

Ótimo: 4 de 5

Rainhas do Crime (The Kitchen)

Direção: Andrea Berloff
Roteiro: Ollie Masters e Ming Doyle
Elenco: Elisabeth Moss, Melissa McCarthy, Domhnall Gleeson, Tiffany Haddish, Common e Margo Martindale
Gênero: Ação, Crime e Drama
Ano: 2019
Duração: 102 minutos

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Author: Rafaela Araújo

Fotógrafa,jornalista em formação, brincando com design gráfico na horas vagas, amante de westerns e apaixonada por um preto e branco

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