Creed II | Crítica do Filme

Assim como o protagonista principal, Creed 2 tenta trilhar seu próprio caminho mas ainda se ‘escora’ nos alicerces sólidos herdados da franquia Rocky. Se no primeiro filme lançado 3 anos atrás Adonis conseguiu honrar o legado deixado pelo seu pai, agora é a vez de enfrentar novos desafios em sua eterna busca por começar a criar o seu próprio legado.

A trama acompanha a vida de Adonis Creed (Michael B. Jordan) que precisa lidar com alguns desafios dentro e fora dos ringues. Quando o sucesso chega, nem ele mesmo se dá conta e acaba não se sentindo um verdadeiro campeão. Em meio a isso, agora ele precisa lidar com alguns problemas pessoais que envolvem sua família (a antiga e nova que se forma) enquanto tenta encontrar o seu próprio caminho e propósito de vida.

Lá vem o campeão?

Steve Caple Jr. teve a sua frente um grande desafio na direção dessa sequência após o sucesso do primeiro filme dirigido por Ryan Googler (que estava ocupado com Pantera Negra e assumiu aqui a produção), mas soube utilizar bem os elementos já estabelecidos na franquia (e aí incluo todos os 6 filmes de Rocky) quando foi preciso. O seu trabalho com o elenco foi um dos grandes destaques, ele soube humanizar os ‘vilões’ e até construir momentos de uma certa redenção para eles.

A forma como as lutas foram filmadas também merece um grande destaque, em alguns momentos é possível quase sentir os golpes aplicados nos ringues. Existem cenas em primeira pessoa que são primorosas. Claro que contribui, para isso, o bom trabalho do elenco que deram sequência ao que já tinha sido apresentado, e aprovado, no primeiro filme. É preciso também reconhecer  a atuação de Florian Munteanu que fez o Drago “Jr” que convence tanto nas cenas de luta quanto nas pequenas nuances que os seus olhares transmitem, mostrando que toda a sua raiva está canalizada por um motivo mais forte.

O roteiro é simples e tenta até adicionar algumas camadas a mais na história, mas elas acabam travando um pouco o filme, principalmente em sua metade inicial. Existe uma eterna busca pelo sentido da vida. Adonis Creed não se sente campeão e nem merecedor de tudo o que conquistou até aqui, e sua busca desenfreada por fazer as coisas valerem acaba indo de encontro com o que todos ao seu redor tentam lhe passar, afinal, é preciso antes de tudo que a busca dele tenha um propósito e que faça sentido, para ele e não para o que os outros pensam.

Existem alguns momentos em que é possível ver a imagem de Apollo Creed às costas de Adonis e ela diz muito sobre o que é Creed 2, é sobre um filho que após reconhecer o legado de seu pai precisa tentar sair um pouco de sua sombra para trilhar o seu próprio caminho. Para isso ele encontra, mais uma vez, em Rocky (Sylvester Stallone) uma figura paterna que apesar dos erros acolhe na hora certa e, numa das cenas mais bonitas de todo o filme, sabe dar espaço ao novo e reconhecer que, agora sim, é a vez de Adonis Creed brilhar.

Os brutos também amam

A parte final não foge muito ao que toda franquia apresentou até aqui, é justamente quando o filme parece correr livre depois de tantas recaídas e retomadas e do esperado tropeço e volta do “inferno” na jornada do herói que tudo faz sentido. É como se estivéssemos em uma sala de espera (confortável e com ar condicionado, é verdade) aguardando o nosso nome ser chamado. E o chamado surge justamente quando a música tema chega pra nos alegrar e nos emocionar, e como é difícil não se emocionar. Creed 2 é um verdadeiro soco no coração, não chega a matar como em outras oportunidades, mas derruba.

4 de 5 controles


Creed 2 (2018)

Direção: Steven Caple Jr
Roteiro: 
 Sascha Penn
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Wood Harris, Phylicia Rashad, Dolph Lundgren, Florian Munteanu
Gênero: Drama, Esporte
Ano: 2018
Duração: 90 minutos

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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