Steven Spielberg botou a boca no trombone, falando recentemente à mídia americana e internacional uma opinião surpreendente sobre a Netflix e seus filmes. Ou não será tão surpreendente assim? O renomado diretor falou que os filmes produzidos e dirigidos pela plataforma de conteúdos não deveriam ser considerados para os Oscars, mas sim para os Emmys, os prêmios de televisão. Isso porque, em sua perspectiva, um filme Netflix segue um formato de televisão e não de cinema.

A produtora de filmes

 

(8555744z) Steven Spielberg 'Five Came Back' film screening, Arrivals, New York, USA - 27 Mar 2017

Photo by Erik Pendzich/REX/Shutterstock 

As declarações vêm em um momento interessante para a evolução de toda a indústria do cinema e do entretenimento. A Netflix foi primeiro uma distribuidora de conteúdos de parceiros; depois virou produtora de séries, como Narcos e House of Cards; e agora está produzindo filmes. Em 2017 foram cerca de 60 os títulos lançados nesse formato, e em 2018 a empresa espera lançar um total de 80.

São quase 2 títulos por semana, é um número que ninguém consegue bater. Já imaginou a fortuna que a Netflix está investindo para conseguir essa quantidade incrível de conteúdo original? Ninguém mais vai falar que a Netflix é só uma distribuidora de filmes de outros.

Não é por acaso que seus parceiros estão anunciando o fim da parcerias, como a Disney, que vai deixar de ter seus conteúdos lá. A Netflix agora é um concorrente muito sério.

Netflix: uma aposta de risco?

A Netflix avança a caminho de virar um dos gigantes tecnológicos do século XXI, como o Facebook, a Amazon ou a Google. Muitos se perguntam se sua dívida astronômica (que o jornal LA Times calculou em 2017 ser de cerca de $20 bilhões) não será demasiado grande para que o projeto tenha sucesso. Alguns comparam toda a atividade da empresa a uma jogada no NetBet Casino onde os promotores esperam ter a sorte de seu lado e conseguir o prêmio máximo. Não será demasiado arriscado?

Estratégia consciente?

A administração da empresa se defende desta questão, afirmando que a Netflix está consciente há vários anos que o seu crescimento faria com que seus parceiros repensassem a estratégia de ter lá os conteúdos. A única solução seria mesmo começar desenvolvendo conteúdos próprios.

Hollywood passou um tempo difícil com a questão da pirataria do cinema. Parece que, agora, a internet está trazendo uma nova ameaça: não a pirataria, mas o aparecimento de… conteúdo original.

Pode ser que seja bom para alguns atores que Hollywood vai deixando ficar para trás sem entendermos bem porquê. É o caso de Will Smith, que estrelou em “Bright”, lançado no finalzinho de 2017. Será que os atores Netflix vão mesmo passar ao lado dos Oscar, no futuro?

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