Respire, dirigido pela estreante Mélanie Laurent, França, 2015.

A melhor ilustração que podemos ter desta obra fílmica seria o jargão popular: “De quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Entretanto seria um crítico Spoiler se mostrasse o porquê de tal jargão ser ideal para resumir o filme; E como quero que todos assistam esta obra, não contarei o seu final, apenas darei algumas opiniões para motivá-los.

Seguinte: Hipocrisia de lado, todos sabemos que existem pessoas boas e ruins, raivosas e caridosas, invejosas ou apenas relapsas. Sim, dentro de cada um de nós existem vários seres bons e ruins ao mesmo tempo, pois o ser humano é complexo por natureza; Todavia podemos fazer a distinção de quem quer só sacanear o tempo inteiro, e de quem sacaneia só de vez em quando; Pois bem, com esta introdução apresentamos a duas protagonistas da obra fílmica tipicamente francesa; Duas adolescentes: Sarah (Lou de Laâge), a canalha, e Charlie (Joséphine Japy), a inocente. E estes dois personagens calharão de serem mulheres e adolescentes, mas poderiam ser dois homens adultos, por exemplo, pois essência humana é o tema em questão, então pouco importa o sexo ou a idade de cada uma.

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Mas voltemos ao filme e enxergamos inicialmente duas mulheres totalmente diferentes, e talvez por esse motivo, se apaixonarem uma pela outra. Quando refiro-me a paixão não é aquela que por acaso esteja a imaginar. A paixão das mulheres-garotas era de uma querer ficar com a outra somente pela presença e nenhum outro sentimento mais. Enquanto Sarah era libertina e esperta que sabia curtir festas e a vida como ninguém (quem não admira uma pessoa assim?), a nossa amável Charlie era o oposto disso: Tímida, doce, ingênua e humana.

Logo quando se conhecem em sala de aula as coisas se dão super bem, com direito a baladinhas perfeitas e boas doses de haxixe para nunca pararem de rir, e com isso nunca ficarem enjoadas uma da outra. Entretanto com o tempo as pessoas tendem a mostrarem sua própria face, geralmente quando pisam nos seus calos, e aí então que o discurso narrativo da obra fílmica muda drasticamente, mas especificamente quando a amável Charlie descobre que Sarah tem uma mãe alcoólatra. Após o evento descrito o que vemos são acessos de bullyng atrás de bullyng da Sarah para com sua amiga ou ex-amiga Charlie. A nossa amável Charlie consegue suportar tantos bullyngs, em um período curtíssimo de tempo, devido ao exemplo que tem em casa: Uma mãe sem personalidade que aceita as idas e vindas do seu marido na hora e dia que ele bem quisesse ou entendesse. Com um exemplo deste é natural que nossa protagonista assuma uma postura do tipo: “Tá bom, quer me sacanear, pode fazer isso, vou superar ou mereço sofrer mesmo”.

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Quando mencionei que trata-se de um filme de características humanas, e estas não tem necessariamente nada a ver com gênero ou idade, é porque conseguimos nitidamente enxergar o lado sádico de uma pessoa quando esta quer ser deste modo, e por outro lado vemos também a consequência de quem sofre tal sadismo. A direção da ainda atriz Mélanie Laurent é um trunfo a mais da estória contada, mas sem dúvidas que a interpretação das duas personagens principais fazem toda a diferença, e isso sem mencionar que noventa minutos para um filme deveria ser o tempo necessário para, ao terminá-lo, sair “respirando bem”. E isto de fato acontece.

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