Amores Inversos, dirigido pela Liza Johnson com Kristen Wiig e Guy Pearce , EUA, 2013.

Não sei por que o filme não foi bem recebido pela crítica e “para variar” discordo da maioria da classe e dou no mínimo quatro estrelas ao filme, e não duas, como deram a maioria dos especialistas que tem o rabo preso aos grandes jornais e sites nacionais, caso que acarreta muitas vezes não poder escrever o que sente, mas sim o que o seu empregador quer que ele escreva. Comigo não tem essa: escrevo o que percebo e sinto dos filmes. Já neguei alguns trabalhos para justamente não ficar nessa mesma situação dos demais colegas de trabalho; Independência pra mim é igual à água, ou seja, sem ela eu morro. No tocante a diretora do filme é importante salientar que esta ganhou o prêmio Nobel de literatura no ano passado com outra obra, claro. Todavia em relação a seu longa Amores Inversos, este aborda principalmente a liberdade em suas entrelinhas ou a capacidade ou até a falta dela.

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Vamos a uma breve introdução: O filme começa com uma cena de morte (e por isso já se inicia com uma pegada forte) de uma senhora idosa. A cuidadora desta senhora idosa é a nossa protagonista; Uma enfermeira com traços altruístas e misteriosos em sua face e personalidade. Logo após a morte da sua patroa, a nossa enigmática mulher recebe uma proposta de emprego para cuidar de uma menina sem mãe em uma cidade vizinha. Como estava sem emprego aceita e se muda pra lá. Chegando no novo posto de trabalho ela se empolga com o pai dessa garota que iria cuidar; Mas atentem bem ao termo “se empolgar” que impregno a nossa protagonista. Se esta fosse uma pessoa dita como normal logo faríamos o link de “se empolgar” com no mínimo se oferecer a tal pretendente, porém para a nossa cuidadora de idosos e crianças o verbo “empolgar” tem um significado mais interno do que externo. Acho então que podemos afirmar que tratava-se de uma pessoa tímida, também sem passado amoroso e ainda um ser com alma e natureza de uma enfermeira, ou seja, de uma natureza altruísta que na maioria das vezes sede seu lugar e sentimentos para o bem-estar dos seus patrões ou próximos. Acho isso, o altruísmo, uma baita característica humana bonita; Imaginem passar sua vida toda pensando sempre no outro primeiro; Isto é nobre, porreta, não? Por essas coisas que ainda teimosamente acredito no homem, mas também não julgo quem não acredita.

Pois bem: Antes do pai da garota ir para sua casa (que ficava em outra cidade) este deixa um singelo bilhete a cuidadora, agradecendo-a por cuidar da sua filha, por ela fazer essa função que teoricamente seria a dele, caso ele fosse “normal”. Na real o mais fora do normal era o pai da garota: Um sujeito que acabara de sair da prisão por ter sido condenado pela morte da sua esposa, e mãe da garota, em um passeio de lancha quando este cidadão se encontrava drogado e bêbado pilotando o automóvel aquático e matando a mãe de sua filha. Por culpa ou fragilidade o cara se torna um visceral viciado em cocaína e álcool; Mas voltemos ao filme; Seguinte: Por morarem em uma cidade pequena a filha desse pai com problemas, juntamente com uma amiguinha invejosa por ser mais pobre que a amiga, se juntam e começam a escrever cartas e mais cartas para a nossa inocente cuidadora fingindo que era o pai da garota, e a cuidadora por sua vez acreditava e ficava cada vez mais entusiasmada com as falsas cartas. Entusiasma-se tanto que se muda de vez para a casa do cara, em Chicago. Quando chega encontra um homem doente quase morrendo de tuberculose. Como de costume, cuida de mais uma pessoa que necessitava de cuidados urgentes mesmo sabendo a essa altura que o tal homem não tinha escrito nada pra ela a não ser um único bilhete de boas vindas. Cuida tanto desse “caso perdido” que o cara consegue largar a cocaína e o álcool. Escrevendo friamente assim parece que essas cenas foram sem emoções e dramas, muito pelo contrário, se o filme tem um trunfo este é o da entrega dos atores aos seus papéis mostrando visceralidade em todos as cenas capitais do filme. Fato é que sem querer a moça altruísta de origem pobre e ingênua consegue o que quer de uma forma inesperada; Descobre que tinha a capacidade de amar alguém e não só amar seus pacientes de forma “terceirizada”; Refiro-me sobre um amor carnal que a preenchia envolvendo carinho e respeito mútuo, e não somente de uma parte, que era o único amor que nossa protagonista conhecia: O de paciente-cuidador.

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Está aí; Uma coisa simples que muda total e radicalmente a vida de qualquer ser humano: O Amor (e isso sem forçar a barra para não correr o risco de ser “piegas”); Então pratiquemos este tal amor maior que dá e não pede nada em troca. Talvez assim um dia cheguemos lá e o entenda em sua total plenitude: Estupendo e cativante filme norte-americano da sua zona underground e por isso merece ser conferido.

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