Atrás da porta (Hinter Der Tür)

Atrás da porta (Hinter Der Tür), dirigido pelo.cineasta húngaro István Szabó, (Mephisto (1981) e Coronel Redl (1985)), Hungria / Alemanha, 2012, com Helen Mirren.

Escreva-se ou fale-se tudo a respeito desse filme menos que seja simples, de fácil digerimento, pois não o é. Para inicio de conversa quem não tem um entendimento da estória de Budapeste, capital da Hungria, de 1960, é melhor antes passar no Wikipédia, ler sobre o país e sua época para depois então sentar a bunda em uma poltrona de cinema. Já adianto; mesmo tendo noção de parte da estória, ainda assim o filme não é fácil de ser compreendido.

As duas personagens que encabeçam a estória são: uma escritora que precisa de uma empregada para escrever mais e a tal empregada é uma sujeita confusa a parte, e por isso dá o tom para filme em todos os sentidos, sejam esses morais, amorais, imorais e até mortais. Como uma profunda conhecedora da vida, a empregada com seu jeito rabugento de quem conhece e sofre com as dores existenciais e suas perdas ensina, através de sua personalidade de poucos amigos e de pavio curto, a sua patroa e seu doente marido, ambos escritores, o que é válido crer ou descrer.

Você pode assistir ao filme amanhã e interpretar o oposto do que escrevo, pois as duas personagens que dão as cartas são surpreendentemente incompreensíveis. Não me arisco a taxar o filme como feminino, apesar de que em determinada cena a empregada protagonista fala de fato isso: “homens, são todos uns burros!”. O que se pode se taxar do filme é que ele é extremamente tocante e forte em seu roteiro, instigando tudo e todos, incluindo sociedades e religiões.

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Penso da seguinte forma: a sofredora secretária do lar idosa é o que é por ter nascido assim: forte por natureza e por isso aguenta tudo que aguentou e por sua vez a sua patroa, a escritora, a vê como um exemplo de pessoa em todos os aspectos humanos possíveis, porém não tem coragem de sair da sua zona de conforto e se colocar na pele de sua secretária. Fato este que nada fragiliza a tal patroa; se trata apenas da sua incapacidade de se colocar no lugar da sua “professora da vida”. Se diga tudo sobre essa produção, menos que ela seja simples.

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Author: Diogo Berni

A paixão pelo cinema surgiu ao mesmo tempo igual pela música. Assistia a sessão da tarde e depois ia ouvir cantando junto os vinis dos Titãs, Raul Seixas e Legião Urbana. O cinema ficou mais sério depois de um espanto vendo o filme Blade Runner: O Caçador de Androides. Sonhava todos os dias com aqueles seres de um outro mundo que eram imunes a dor , mas ainda assim ou talvez por isso mesmo, existia da minha parte uma profunda curiosidade e admiração em saber o porquê eles eram daquela maneira: sem sentimentos e medos alguns. O cinema significou primeiramente um espanto, e após anos mais tarde descobri que aquele espanto fazia-me bem Daí por diante viciei e virei cinéfilo; hobby que carrego até hoje com muito orgulho: cinéfilo de carteirinha.

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