Killer Joe – Matador de Aluguel, William Friedkin, EUA, 2011.

A trama é inteligente, instigante e politicamente incorreta: o que faz toda a diferença. A estória é a seguinte: por dividas com o tráfico de cocaína; o tal do Chris tem uma ideia mirabolante: matar sua mãe e receber o seguro de vida em nome da sua irmã única e caçula. Para isso ele contrata um matador de ofício, o “ Killer Joe”. Basicamente esse é o enredo do filme, porém em matéria de sétima arte afirmar que básico é de fato raso ou simples é no mínimo uma temeridade.

A estória é tão engenhosamente armada que nos seus 15 minutos de projeção pensei: “Putz, mais uma merda americana, onde só irá ter tiros e nudez pela censura de 18 anos”. Ainda bem que nada disso acontece, o filme é pulsante, ativo dos seus décimo-sextos minutos adiante até a cena final onde cada personagem tem sua função definida na agradável trama que, por certos momentos, lembra ao estilo do diretor Tarantino, porém com um pouco mais de inteligência e objetividade.

Temos um pai alcoólatra e uma esposa bonita e meiga, uma menina quase altista por não ter amigas e ficar no seu quarto e, por fim, o seu irmão envolvido com entorpecentes, isso sem falar do Killer Joe. Acabarei por contar alguma cena do filme se continuar escrevendo, de modo que precisarei parar, pois o roteiro é tão meticulosamente encaixado que se uma cena for contada é bem capaz de dar alguma pista do final da trama.

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O que posso adiantar são seus personagens. A menina caçula tem um papel importantíssimo no filme como um todo, mostrando quando o homem quer virar bicho ele vira e vice-versa também. O seu irmão mais velho mostra como a vida urbana é de fato, ou seja, como o cotidiano pode nos detonar. O pai dos dois, por sempre estar bêbado mostra em seu silencio um peculiar modo de acompanhar aquelas catarses de situações de uma forma distinta e por incrível que pareça, consegue perceber as coisas mais lucidamente do que os outros personagens. Se tivéssemos que dar algum título a esse pai o daria como o psicanalista da família apesar de toda sua insanidade e inutilidade comportamental, porém não emocional. Sem comentar sobre a personalidade do matador Joe de aluguel e sua desprovida forma de ver a vida e as pessoas; como meramente produtos descartáveis, e pelo ator (Matthew McConaughey) ter se saído tão bem não fica difícil de acreditar na sua forma de pensar.

Pronto: parei por aqui, senão darei pistas demais a um dos filmes mais legais do gênero, ao menos para esse que voz escreve.

4 de 5

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