James Brown, dirigido por Tate Taylor, com Chadwick Boseman, Nelsan Ellis, Viola Davis, EUA, 2015.

A cinebiografia conta a história estadunidense não no formato que estamos acostumados a ver, ou seja, o seu lado político, econômico e subversivo. O êxito da obra produzida por Mick Jagger dos Rolling Stones está em nos contar a história do século XX da uma maneira peculiar, de uma forma musical e artística: De um jeito James Brown de ser.

Apesar de o filme ser muito bom, acho que não fica no páreo para ganhar o Oscar, pois em muitas cenas de um filme de quase duas horas e meia, sobram buracos, inclusive em seu roteiro que insiste em flashbacks de quando o James era criança para linkar com sua fase mais famosa, e de certa maneira demonstrar o porquê da personalidade daquele adulto ser cheio de certezas de que era um Deus. Certeza é que todos eles tiveram e ainda tem influencias do rei da black music norte-americana.

A cinebiografia do cantor mostra uma infância difícil no estado americano da Carolina do Sul, criado por dois pais irresponsáveis, que na real, queriam apenas se livrar do moleque. Este que ainda criança conhece a fúria do ser humano, e pior ainda: dos seus próprios genitores. A partir daí seu juízo de valores meio que desmorona ainda adolescente saindo e entrando em pensionatos até chegar às prisões quando se torna um pouco mais velho. E é justamente na prisão que James Brown conhece seu principal parceiro. Este foi fazer uma apresentação musical no presídio e fica fascinado pelo talento do prisioneiro. Fica tão impressionado com o talento de Brown que o tira de lá e lhe dá um lar, família e abrigo; Coisas que o futuro rei do Soul jamais teve, e ainda por cima (e por baixo também) o ex-presidiário consegue “faturar” a irmã do cara que o tirou do xadrez.Os dois “irmãos” caem na estrada ou ao menos nas redondezas mais próximas com sua banda, originária dos ritmos das igrejas gospels que tanto a comunidade negra daquele país apreciava nos anos de 1940. Os caras tinham suingue e foi uma questão de tempo para explodirem e as gravadoras os convidarem para gravar primeiro vinil. Entretanto um integrante da banda chamava mais atenção que os outros, e era exatamente ele: Sim, James Brown.

Sem pestanejar Sr. Brown sabe que tinha uma missão nesta terra e como já diz o ditado que não se faz uma omelete sem a quebra de algumas amizades ou ovos. Posto isto, James Brown rompe com seus companheiros de banda e aceita a proposta de um empresário judeu do ramo para gravar seu primeiro single sozinho e daí então meu irmão, o sucesso pela suingueira de Sr. Brown só batia cada vez mais em sua porta, e sem sacrifício, visto que o artista estava acima do seu tempo. Logo Sr. James Brown tratou de engravidar uma moçoila que resumidamente por fim viu seu filho primogênito morrer aos vinte e um anos, e James já com uns quarenta, coisas erradas da vida; Ver um filho ir antes de você.

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A loucura de querer ser Deus atormenta e fortalece James Brown após o fatídico episódio, entretanto o show tinha que continuar e as conquistas afro-americanas também, e James Brown sabia que sua participação neste processo evolutivo dos seus irmãos de cor era imprescindível; Sabia que ao lado do líder político negro Luther King, James Brown era seu líder musical e espiritual. Para ele estava destinado o oficio de não deixar a peteca cair em busca de melhores dias e igualdade entre brancos e negros nos EUA. Tem uma frase bacana do filme dita por James que era:

“Se quiser ser um Boss (líder), tem que pagar as consequências da sua escolha”.

E torna-se visível que James Brown já tenha nascido predestinado a isso: A liderar, seja seu público, seus filhos, seus músicos e suas mulheres, mas principalmente ser um líder das massas que clamavam por mudanças naqueles tempos (e hoje, quer dizer ontem em 2014, parece que as coisas não estão muito diferentes por lá, haja vista a morte de dois jovens negros por dois policiais brancos sem motivo algum aparente para tais crimes ).

Todavia o que podemos salientar desta cinebiografia ou talvez a mensagem que ela nos transmite é nos mostrar mais até que brigas entre raças vigentes até hoje (não esquelamos do Brasil também), mas essa daqui de uma forma bem mais velada, é que para ser um líder não basta apenas querer: É necessário bem mais que isso, é preciso ter o dom de Boss; E tal dom , adicionado ainda com a musica pode ser uma linha bastante tênue entre loucura e lucidez, entre ser um Deus ou um mero alienado.

No caso de James Brown não temos duvida após assistir sua cinebiografia em afirmar que o cara foi mesmo um mártir da música negra norte-americana e porque não afirmar mundial, que deve inclusive ser sempre lembrado, afinal não é todo dia que nasce um gênio. James Brown; Com toda sua fúria e talento, nós (brancos ou negros) te agradecemos pelo legado musical que deixou.

Classificação 3 de 5

Bom: 3 de 5

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