A Garota Dinamarquesa

A Garota Dinamarquesa, mais um filme onde Eddie Redmayne ”sumiu” no personagem.

Ano passado fomos arrebatados com a atuação tão sensível, incrível e emblemática desse jovem ator britânico com o filme A Teoria de Tudo, onde ele simplesmente encarnou no personagem de Stephen Hawking, dando a sensação que estávamos vendo o próprio Stephen na tela do cinema para o nosso deleite. Em A Garota Dinamarquesa não foi diferente, novamente vimos ele sumir e devemos ressaltar que Hollywood adora atores que tem essa habilidade de imergir nos personagens que interpretam, Daniel Day Lewis considerado um dos maiores atores, se não foi o maior ator da história, possui 3 Oscar de Melhor Ator devido a essa aptidão de desaparecer nos personagens, com o Eddie Redmayne não é diferente.

O filme é do diretor de O Discurso do Rei e Os Miseráveis, logo você já sabe o que esperar vindo dele, e não se decepciona. Nos 30 primeiros minutos de filme deixa nítido que o Einar tem algo de diferente, seu olhar sensível já diz isso, ele não adota trejeitos ou um modo de andar singular e sugestivo, nem uma fala afeminada, o olhar dele é um olhar compassivo e sensível. Tudo começa com um ”jogo” de sua esposa Germa, ela é uma pintora e pede pra ele posar com um vestido, servindo de inspiração, a cena dele colocando o vestido por cima do corpo e sentindo quem ele realmente é, sua essência, com certeza é uma das cenas mais sensíveis desse filme, logo ambos começam esse ”jogo” criando uma personagem chamada Lili, que no começo podemos até pensar que o Einar é apenas um homossexual, mas logo conseguimos perceber que realmente ”ele” é uma mulher dentro do corpo de um homem, uma alma feminina enclausurada em um corpo que não condiz com o que sente.

Uma das cenas mais incríveis e tocantes e que deixa claro essa situação em que o personagem se encontra é quando ele, em frente ao espelho, se observa, se toca e se enxerga como mulher, muitos podem se chocar com essa cena, pois ele coloca seu órgão sexual pra trás, fazendo então uma ”vagina” de mentira, digamos assim, mas a maneira como se ele se enxerga e como ele toca, é claro que Einar na verdade sempre foi Lili, porém podemos acompanhar essa esplêndida descoberta do seu eu interior e essa intimidade com o telespectador é excepcional.

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O filme tem uma narrativa longe de ser cansativa, a história é apresentada de maneira paciente, a construção da personalidade da Lili é simplesmente incrível, o olhar do Einar desde os primeiros minutos do filme até o desfecho vai mudando a cada momento que ele se emerge ”Lili” e menos ”Einar”, o olhar dele desde o início do filme apresenta, sem pressa, quem ele realmente é, ele não precisou de roupas, maquiagens, um andar diferente ou uma fala ”feminina” pra transmitir sua feminilidade, seu olhar desde o começo do filme nos mostrou isso.

A sensibilidade retratada nesse filme é incrível e a história da Lili é simplesmente sensacional e indiscutível, desde os exames psicológicos que o personagem foi submetido enquanto ”Einar”, exames que constatavam que ele era louco, pervertido, esquizofrênico e “pior”, era homossexual em uma época extremamente homofóbica. Logo ”Einar” percebe que sempre foi ”Lili” e resolve fazer sua operação de mudança de sexo, mas o tempo todo no filme ele foi ”Lili”, ele apenas ”vivia” no corpo de Einar.

Um filme com uma história incrível e comovente. Uma atuação onde você não enxerga o ator, mas sim o personagem. De fato, podemos concluir que Eddie Redmayne tem mestria em imergir nos seus personagens.


 

garota dinamarquesaA Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, 2015/2016 – 120 min)
Drama, Biografia

Dirigido por Tom Hooper com roteiro de Lucinda Coxon. Estrelando: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Ben Whishaw, Amber Heard, Sebastian Koch, Matthias Schoenaerts, Adrian Schiller e Emerald Fennell.

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Author: Letícia Cunha

Comecei a me interessar por cinema muito cedo quando Alfred Hitchcock me mostrou o que era cinema de verdade. Sou apaixonada também pela forma que os filmes espanhóis retratam a sexualidade com naturalidade e a forma como os filmes franceses contam suas histórias.

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1 Comment

  1. Gostei do filme, achei a fotografia linda, ela emula pinturas em tela, a história é importante e gostei até das atuações, mas achei um filme morno confesso.

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