Existem algumas coisas que são tão ruins e tão ridículas que acabam se tornando extremamente divertidas a depender do ângulo que você encare. A série Z Nation se enquadra exatamente no contexto que os americanos adoram chamar de “guilty pleasure“, ou como é chamado por aqui “prazer culpado“. É um seriado tão absurdo, tão trash e tão Classe B (quiçá C) que acaba sendo muito divertido.

Ambientada 3 anos após um Apocalipse Zumbi ter destruído o país, Z Nation acompanha um grupo de sobreviventes que acabam entrando numa ‘missão’ de ter que transportar um sujeito que é a chave para a cura da epidemia dos Zs de Nova York até a Califórnia, onde existe um laboratório esperando o sangue desse sobrevivente que foi testado em um experimento e não morreu após ser mastigado por 8 zumbis, ou seja, seu sangue pode ser a chave para a cura.

Waaaaaaaaaaaaaaaalllllllllltttt!!!!

A trupe!

Obviamente a série pegou carona no sucesso de “The Walking Dead”, mas ao contrário do grande show da AMC, Z Nation, que é do canal SyFy e produzida pela mesma turma que fez “Sharknado” (e tem uma piada em um episódio sensacional que se refere a este filme), segue um lado mais maroto, mais bem humorado e, claro, sem toda aquela carga dramática até porque é um apocalipse absurdo, com atores de qualidade questionável e algumas situações que são impossíveis de serem levadas a sério. São tantas que vou listar aqui algumas coisas:

  • Zumbinado – Sim, um tornado de Zumbis em que a personagem ainda faz a linda piada e diz: “Pelo menos não são tubarões“.
  • Comerciantes do Apocalipse – Tem uma turma que anda em um carro, as vezes um caminhão, vendendo artigos para matar zumbis. Logo no primeiro episódio a ruivinha do grupo compra um bastão com espetos de ferro feito de latas de cerveja. Sim, isso mesmo.
  • Festival do apocalipse – Tem um episódio que a turma vai até uma espécie de rancho com um bar no estilo velho oeste participar de um festival que, entre outras coisas, tem uma competição de tiro ao alvo com zumbis. O vencedor leva uma metranca .50!
  • Bebê zumbinado – Tem um episódio com um bebê do mochila de criança tal qual na refilmagem de “Madrugada dos Mortos” do grande Romero por Zack Snyder.
  • Possui uma própria linha cronológica do Apocalipse, as datas são ditas como “AZ” e “DZ” (antes ou depois dos Zs na versão traduzida claro)
  • Zunami – Sim, uma Tsunami de Zumbis. Uma multidão incontrolável de zumbis vem chegando prum local e são tantos que levantam uma poeira que parece uma verdadeira onda do apocalipse.
  • Zumbi chapado – Em um espiódio o Doc do grupo que é um verdadeiro coroa das dorgas, num momento de vida ou morte resolve dividir um cigarro do capeta com um zumbi. Sim, o Z fica chapado!
  • Rádio do Apocalipse – Tem um agente da NSA que fica no pólo gelado que além da missão de guiar o grupo utilizando rádios, satélites, internet e tudo mais (sim, tudo isso funciona ainda hahahha) ele resolve, geralmente no fim dos episódios, fazer um especial do apocalipse que é transmitido via rádio com direito a informativos, músicas e até dedicatórias de amor.
Uma ruiva com um bastão para explodir cabeças de Zumbis? Claro.

Uma ruiva com um bastão para explodir cabeças de Zumbis? Claro.

Estas são apenas algumas das coisas inacreditáveis (e divertidas) que o roteiro alucinado da série traz e que, devido a boa audiência que recebeu nos EUA em 2014, foi trazida para debaixo do cobertor da Netflix que inclusive já garantiu uma segunda temporada.

Sem o peso do suspense e horror de outras produções do gênero como a já citada “The Walking Dead“, Z Nation caminha numa linha complicada porque se for analisada com um pouco de sobriedade (se você tem mais de 18 anos e bebe recomendo assistir aos episódios embriagado, eles ficam ainda melhores) é um seriado bem ruim, com atores fracos, histórias sem pé nem cabeça (literalmente), motivações loucas e uma mistureba das coisas mais macarrônicas que produções B ou trash possam trazer.

A Rádio do Apocalipse

Cidadão Z

É uma merda mas é engraçada, e é isso que faz de Z Nation uma diversão leve e que vai reservar, para os que embarcarem na onda, algumas boas risadas mesmo que ofenda a quase todo o instante a inteligência de qualquer um que não seja um zumbi.

***

  1. Claro, pode ser apenas uma merda e eu estar rindo enquanto os atores e produtores estão levando tudo isso que estão fazendo a sério. Isso seria preocupante, mas tendo em vista que está nas mãos das mesmas mentes geniais que trouxeram Sharknado ao mundo…
  2. Os nomes dos episódios também são um show à parte.
  3. Um (único) ponto forte em relação à The Walking Dead, a série possui um objetivo “final”. Se vão nos enrolar por anos e nunca chegar lá, são outros 500, mas pelo menos existe um norte.
  4. Se fosse fazer uma analogia com comida, Z Nation é aquela mistureba que você faz pegando várias sobras de comidas da sua geladeira e mesmo lhe dando azia e lhe reservando um lugar no trono horas depois, é gostosa.
  5. Qual a sua série “prazer culpado“?

 

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