50 Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey)

A esta altura do campeonato é difícil comentar sobre “50 Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey)” sem cair em exageros. O romance erótico best-seller escrito por E.L. James, que já foi traduzido para mais de 50 idiomas e já vendeu mais de 100 milhões de cópias ao redor do mundo, é um sucesso que deixa muita gente incomodada. A adaptação para o cinema também está fazendo muito dinheiro e já está batendo recordes de bilheteria, mas a verdade é que todo esse burburinho talvez seja reflexo da obra original, já que o filme é um romance como outro qualquer sem maiores atrativos e totalmente inofensivo.

A trama conta a história da jovem Anastasia Steele (Dakota Johnson, “A Rede Social”), uma estudante de literatura com 21 anos e ainda virgem que vai entrevistar, para o jornal da faculdade, um poderoso, jovem e intimidador magnata chamado Christian Grey (Jamie Dornan). Deste encontro começa a brotar uma complexa relação entre ambos e, a partir da descoberta amorosa e sexual de Anastasia, aos poucos, Christian vai lhe mostrando o seu mundo e os seus apetites sexuais nada ortodoxos.

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Seria apenas mais um romance padrão não fosse a introdução na história das práticas “BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão)” que o sr. Grey gosta de praticar e quer, por contrato escrito (risadas infinitas), aplicar em Ana. Só que ao contrário do que parecia perante todo clamor mundial que “50 Tons de Cinza” vinha gerando, não é contundente ao conversar sobre os desejos ‘apimentados‘ do Sr. Grey perante o sexo, na verdade é até um pouco moralista (ainda que a protagonista esteja tentando dar um nó no rapaz que se diz ‘dominador’) e, por fim, é bastante pobre nas atuações. Tanto a garota quanto o danadão precisam melhorar bastante se quiserem seguir nessa carreira.

Tirando algumas frases divertidas como “eu não faço amor, eu fodo com força” não sobra muito em “50 Tons de Cinza” (o filme, não li e nem lerei os livros) que não já se tenha visto em outras zilhares de obras do gênero. Tem mais beijo, romance e show off ‘sou rico’ do que tapas, mordidas e chicotadas que tragam alguma tensão sexual que justifique tamanho alvoroço.

O final pode até parecer corajoso para alguns, mas na verdade não passa de uma comédia romântica com sua fórmula manjada como outra qualquer, a diferença é que como são três obras a história está dividida em (INACREDITÁVEIS) 3 partes que provavelmente darão 3 filmes. Claro, isso se não inventarem de dividir o último livro em dois.

Faz carinha de quem tá gostando demais...

Faz carinha de quem tá gostando demais…

No final das contas, por mais que algumas pessoas não entendam ou se chateiem com o sucesso que “50 Tons de Cinza” vem tendo tanto nas livrarias quanto nos cinemas, é importante saber que se trata apenas de (mais) um romance inofensivo, da mesma forma que as palmadinhas do Sr. Grey em Ana.

***

  1. “50 Tons de Cinza” nasceu como uma fanfiction (uma espécie de história derivada criada por fãs de alguma obra específica) de Crepúsculo.
  2. Foi o trailer de filme mais visto em 2014. Sim, mais até do que o de Star Wars!
  3. Dos 125 minutos de filme, apenas 14 deles são destinados a cenas de sexo.


50tonstrailer2-novoposter0350 Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey, 2015 – 125 min)
Romance, Drama

Dirigido por Sam Taylor-Johnson com roteiro de Kelly Marcel adaptando romance escrito por E.L. James (II). Estrelando: Jamie Dornan, Dakota Johnson, Jennifer Ehle, Eloise Mumford, Victor Rasuk, Luke Grimes, Marcia Gay Harden e Rita Hora.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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18 Comments

  1. Não tinha como esperar outra coisa desse filme a não ser uma bomba mesmo. Pelo trailer já notava-se ser bem pobre no tocante às atuações, tudo muito sem vida como a própria cor sugere, será que não nisso que inspiraram para atuar? AHAHAH!

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    • Até que já vi filmes piores, nem sei dizer se é exatamente uma bomba, acho que esperava até ser pior hehehe

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  2. Já viu filmes piores… e pagou…
    hehehehehe
    Devo acabar assistindo… ou não…

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    • Coisas que fazemos por amor, é a frase que melhor define a minha investida nesse filme. Eu sendo você não veria, mas boa sorte hehehe

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  3. Pelo tanto que falavam do livro eu também esperava mais do filme. Mesmo me esforçando para me livrar de todos os preconceitos que tinha sobre a história.

    As atuações deixaram muito a desejar em intensidade.

    Até estou cogitando ler os livros, não pela história em si, mas pelas discussões que esse livro gerou em torno da vida íntima de um casal. Mas aí já estou saindo do escopo do blog rs..

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    • Leia sim e me conte depois, tenho preguiça de encarar esses livros hehehe

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      • Pode deixar hahaha

        Pelo que ouvi falar a leitura deve fluir fácil, como os livros do Dan Brown. Vou ver se a história só funciona para mulheres rs

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        • Os de Dan Brown são até divertidos, uma pena que você não consiga ler muitos que são todos iguais hehehe

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    • Olha, vc que pensa em ler o livro, melhor mudar de ideia. Foi o pior livro que ja li em minha vida! Pessima estoria, super repetitivo como a parte que a garota morde os labios, fica vermelha de vergonha…nossa, muito ruim mesmo!!! Li pensando que iria encontrar – ainda que cliche – um romance erotico, mas esse livro e’ horrivel!!! O que me “fascina” foi o fato de vender milhoes de exemplares!

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      • Acredito que o livro encontrou um nicho de mercado muito fértil e se aproveitou disto.

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  4. Eu li os livros, e, levando em conta exatamente eles, o filme é um primor! hahahahahaha
    Esse é um dos raros casos em que o filme é melhor que o livro. E se pra quem só viu o filme não acha tão bom, não recomendo a leitura.

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    • Tenha medo, se o livro é ainda pior aí eu fico ainda mais sem entender tamanho alvoroço hehehe

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      • hahahahaha! Tenha medo mesmo!
        Acho que os créditos são todos da editora, numa sacada de marketing incrível!
        Uma fanfic inspirada na saga Crepúsculo, cheia de sexo “sadomasoquista”? O sadomasoquismo vai entre aspas mesmo, pq ele é quase inexistente em toda a história, mas pensa bem… eles já tinham um público e atiçaram a curiosidade das pessoas porque era pra ser um livro de sexo. Aí todo mundo comprou, e depois todo mundo começou a falar mal… e enfim, virou polêmica.
        Eu confesso que só fui assistir ao filme porque queria muito ver como hollywood iria transformar um livro de sexo em um filme sem transformá-lo em pornografia barata. E acho que, apesar de todos os problemas, das atuações pouco convincentes, é um bom filme. Mas também não sei dizer se acho isso porque as minhas expectativas eram muito baixas, ou se é mesmo…. rsrsrsrrs
        Falei demais!
        🙂

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        • Que nada Angela, o espaço dos comentários é pra isso mesmo, estender o texto e prolongar a conversa.

          E é bom ter opinião também de quem gostou do filme, muita gente nem assistiu e tá dizendo que é ruim sem nem ter visto hehehe

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  5. Encarei a leitura do primeiro livro com esforço e o filme consegue deixar tudo ainda mais raso. Pensando se encaro os dois seguintes…

    POSSÍVEL SPOILER
    Inclusive porque o final que você insinuou que alguns podem achar corajoso cai por terra ainda no primeiro livro (que dá pra imaginar, já que tem outros dois livros, rs…)

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    • Justamente, basta saber que a história continua para imaginar o que virá seguir hehehe

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  6. Eu já não queria ver esse filme mesmo, essa sua crítica é mais um motivo pra eu não querer ver hehehe

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    • Bom, pelo menos ela (a crítica) serviu a um bom propósito heheheh

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