Qual o limite ético da metodologia de ensino que um professor pode aplicar em seu(s) aluno(s)? Será que os métodos tradicionais e ‘politicamente corretos’ são suficientes para ‘despertar’ um novo gênio da música?

Grande vencedor do Festival de Sundance de 2014 e com 5 indicações ao Oscar de 2015, “Whiplash – Em Busca da Perfeição” (a maldição dos subtítulos nacionais continua) ainda que esteja inserido em um subgênero manjado, aquele dos filmes que brincam com o eterno embate “mentor x aprendiz”, conta com atuações tão intensas e uma trama tão instigante que faz jus à todas as premiações que vem recebendo e, além disso, é uma obra indispensável para todos os amantes da (boa) música e do (bom) cinema.

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Na trama vamos acompanhar a trajetória de um baterista de jazz (Miles Teller, “The Spectacular Now”) que estuda na melhor escola de música dos Estados Unidos e que aspira ser um músico tão inesquecível quanto os seus maiores ídolos. Quando surge uma oportunidade para trabalhar ao lado do super prestigiado (e temido) maestro Fletcher (J. K. Simmons, “Maré de Azar”) ele abraça a chance com tudo o que tem e começa a perseguir a perfeição a qualquer custo.

O maestro é implacável e possui métodos nada tradicionais de cobrança, aliado a isso o jovem baterista possui uma obsessão quase desumana em prol de seu objetivo de vida. Não demora muito e o novato (assim como alguns outros alunos de sua famosa banda) começa a ser humilhado de diferentes formas enquanto cobre a sua bateria de suor e sangue.

A direção de Damien Chazelle é impressionante (ainda mais se for comparado aos seus trabalhos anteriores), ele consegue construir os momentos de tensão e desespero como poucos (até o simples ato de ir buscar as baquetas esquecidas se transforma numa sequência incrível de dor no coração do espectador). Apesar de ter um tom minimalista em certos momentos, “Whiplash” é uma obra bastante imersiva (você não quer que o filme acabe nunca) e intensa.

Miles Teller - Whiplash

Toca Rauuuulll!!

Miles Teller toca (de verdade) até sangrar e J. K. Simmons atua como poucas vezes fez em sua carreira, e essa interpretação avassaladora e premiada de Simmons aliada a determinação do jovem Teller são a combinação perfeita para que “Whiplash” seja uma das histórias mais bem contadas, interpretadas e, vale o trocadilho maroto, com melhor ritmo dos últimos tempos.

Não é um filme sobre jazz apenas, e tampouco uma obra onde você verá um aluno finalmente compreendendo os ensinamentos à primeira vista estranhos de seus mestre e dando aquela virada esperada no final, é muito mais que isso, “Whiplash” questiona sobre o quão disposto pode estar alguém para ultrapassar os limites morais, físicos e éticos para se alcançar a ‘perfeição, afinal, não existem duas palavras mais perigosas no mundo moderno do que “bom trabalho”.

***

  1. A cena em que Simmons dá uma tapa na cara de Teller foi feita várias vezes com um tapinha “de boa”, para uma última tomada os atores decidiram que seria uma tapão na cara de verdade, e esta é a cena que está no filme.
  2. Milles foi forçado pelo diretor a tocar até se esgotar fisicamente.
  3. Miles Teller, que toca bateria desde os 15 anos, ficou com bolhas nas mãos devido ao estilo vigoroso e não convencional da bateria de jazz. Um pouco de seu sangue ficou nas baquetas e no instrumento.
  4. Embora Miles Teller toque bateria desde que tinha 15 anos de idade, ele teve aulas adicionais de 4 horas por dia, 3 dias por semana para se preparar.
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Excelente: Classificação 5 de 5

whiplash_poster_brazilWhiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014/2015 – 106 min)
Drama, Musical

Um filme de Damien Chazelle com Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist, Paul Reiser, Austin Stowell, Nate Lang, Max Kasch e Damon Gupton.

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