Ouija – O Jogo dos Espíritos

Quem nunca ‘brincou’ de conversar com os espíritos no conhecido “jogo do copo” pelo menos já deve ter ouvido falar de algum conhecido que já o fez. Dirigido por Stiles White, “Ouija – O Jogo dos Espíritos”, utiliza-se do tabuleiro conhecido como ‘Ouija’ – que existe de verdade e é inclusive um produto registrado desde 1890 – para realizar um filme de baixo orçamento que tinha até potencial para fugir um pouco da enxurrada dos já manjados e aborrecidos clichês do gênero, mas que infelizmente se perde numa história boba e sem nenhum grande atrativo.

A trama é centrada na jovem Laine (Olivia Cooke) que acaba sendo surpreendida pelo suicídio repentino de sua melhor amiga (Shelley Henning) que comentou, momentos antes de sua morte, ter achado um antigo jogo de Ouija do qual elas brincavam quando crianças. Intrigada com a morte de sua grande amiga, Laine reúne o restante de seus amigos para jogar e tentar se comunicar com o espírito da sua best friend para descobrir a verdade sobre o ocorrido.

Ouija - O Jogo dos Espíritos

Ao invés do copo, o tabuleiro de Ouija do filme possui uma espécie de triângulo com um olho de Thundera uma lente no meio que foi incorporada na história do filme com uma ideia até bacana já que, olhando através dela, a pessoa poderia ver o espírito que estivesse por perto. Um instrumento como este poderia (e deveria) ser melhor utilizado para trazer momentos de muita tensão e alguns sustos bem intensos, mas infelizmente os ‘melhores sustos’ (um ou dois pra dizer a verdade) são aqueles que podemos chamar de “sustos da zoeira”, já que envolvem apenas os coadjuvantes aparecendo em momentos inoportunos e de ‘supetão’ na frente da protagonista.

As atuações não são boas e deu para ver que a direção não quis se arriscar e preferiu ficar no terreno das obviedades e ‘burrices’ já esperadas em produções do gênero, ou seja, sim, as coisas só acontecem à noite, as luzes falham quando eles precisam dela e os personagens sempre acham uma boa ideia irem sozinhos para os lugares mais macabros e escuros que encontrarem pelo caminho. E para os que forem assistí-lo esperando pelo velho clichê de jovens com pouca roupa podem desistir, já que “Ouija – O Jogo dos Espíritos” não possui cenas sensuais ou de nudez.

ouija-2014

Existe uma virada na história perto do desfecho que tenta dar uma guinada na trama mas não consegue salvar o filme do fiasco e que só não se transformou numa completa perda de tempo para os que estavam na sessão que assisti com uns colegas de trabalho onde um sujeito, que já tinha feito toda a fileira de poltronas onde estávamos sentados tremer algumas vezes por causa dos pulos que ele dava ao se assustar em alguma cena, pouco tempo depois de falar em alto e bom tom que estava com o coração doendo, grita no cinema quando a protagonista pela enésima vez pega o tal tabuleiro de Ouija:

– “Êta porra, evem essa misera com a TAUBA dos espíritos de novo!”

***

  1. Foi uma das sessões de cinema mais divertidas que participei por conta do tal sujeito (que era alto e malhadão) que mencionei no final da resenha e que parece não assistir muito a filmes do gênero já que se cagou de medo desta produção que não chega nem perto dos grandes clássicos do terror/horror. Em tempo, quando ele gritou “TAUBA” ele queria dizer tábua, evem significa lá vem em baianês e misera (e não miséria) é um adjetivo pejorativo dado a pessoas que são desgraçadas.
  2. O filme é produzido pela Planet Dunes do explosivo Michael Bay e custou apenas 5 milhões de dólares, valor muito modesto para os padrões de Hollywood.
  3. Olivia Cooke faz a série Bates Motel (espero que lá ela atue melhor…).

ouija-posterOuija – O Jogo dos Espíritos (Ouija, 2014 – 89 min)
Terror

Dirigido por Stiles White com roteiro de Stiles White e Julie Snowden. Estrelando: Olivia Cooke, Ana Coto, Daren Kagasoff, Bianca A. Santos, Douglas Smith, Shelley Hennig, Sierra Heuermann, Sunny May Alisson, Lin Shaye, Claudia Katz, Vivis Colombetti, Matthew Settle, Afra Sophia Tully e Claire Beale

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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6 Comments

  1. Tava na dúvida se encarava esse filme, acho que vou deixar para um dia chuvoso, quem sabe…

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    • É melhor acompanhar a chuva batendo na terra e molhando as plantas Amanda

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  2. Ultimamente é difícil encontrar um filme de terror decente.

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    • Os melhores, por incrível que pareça, não chegam aos cinemas. Só pesquisando e chamando Jack Sparrow

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  3. Eu vi o trailer e realmente parece ser horrível! Mas essa sua sessão deve ter sido bem divertida. hahahaahah

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    • Sim, pela sessão valeu muito a pena heehehe

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