Desde que as primeiras imagens, trailers e notícias a respeito de “Transcendence” começaram a surgir que logo ele começou a ‘pipocar’ em várias listas de produções mais esperadas de 2014. Não era para menos, ficção científica com uma premissa bem interessante, um elenco de peso e com a direção do estreante Wally Pfister, diretor de fotografia dos filmes de Nolan, era mesmo uma aposta quase certa mas que se mostrou ser um dos maiores desastres do cinema neste ano.

Na trama vamos conhecer um cientista especializado em inteligência artificial (Johnny Depp, “Sombras da Noite”) que, depois de ser alvejado por um terrorista/ativista que acredita/prega a independência humana frente à inteligência artificial, está às portas da morte. Com auxílio de sua namorada (Rebecca Hall, “O Retrato de Dorian Gray”) e de seu amigo (Paul Bettany, “Homem de Ferro 3”), ambos também cientistas, ele tem a sua memória transferida para um computador. Rapidamente ele começa a evoluir e a descobrir em uma velocidade assustadora grandes descobertas científicas, o que acaba por ameaçar os poderes existentes.

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A discussão de até onde a inteligência artificial deve ir, o quanto o homem deve/pode ficar dependente das máquinas (ou até mesmo ser substituído por elas) é sempre pertinente e a premissa do filme é, sem dúvidas, interessante. Só que “Transcendence – A Revolução” se perde logo na metade inicial do filme e toda a sua “ciência mágica” não contribui nem um pouco em sustentar a famosa “fé cênica”, aquela crença ‘superficial’ necessária para manter o espectador preso/interessado na história.

Wally Pfister estreia com o pé esquerdo no cinema, principalmente em relação ao seu trabalho com o elenco. Se o senhor Depp já anda desgastado com uma sequência não muito boa de trabalhos recentes, parece que aqui ele não fez nenhuma questão de entregar uma boa atuação. E o que falar da participação, por exemplo, de Morgan Freeman (“Oblivion”) e Cillian Murphy (“Poder Paranormal”)? Sinceramente, eles nem precisavam estar lá, e pior, pelas suas feições em cena pareciam que nem eles sabiam o que estavam fazendo ali.

Torcida do Vitória acompanhando seu time perder mais um jogo na série A.

Torcida do Vitória acompanhando seu time perder mais um jogo na série A.

Se a direção erra feio o roteiro não deixa por menos, enxerta um triângulo amoroso de dar vergonha entre os personagens de Depp, Hall e Bettany e ainda faz uma salada indigesta que mistura ficção científica, homem x máquina, discussões filosóficas, criacionistas (com alusões diretas a Deus), nanotecnologia, regeneração, criação espontânea, meritocracia solar, e bem, já nem eu sei mais o que estou escrevendo!

Tinha tudo para dar certo, mas infelizmente “Transcendence” é mais uma boa ideia que é muito mal executada e o resultado de tudo isso é um filme que mancha um gênero tão querido (pelo menos por este que vos escreve) e é um verdadeiro desperdício de dinheiro, talento e tempo. Uma das piores produções de 2014.

***

  1. Dica importante caso você ainda assim queira ver este filme. Quando Morgan Freeman gritar “fuja!”, obedeça.

Ruim: Classificação 1 de 5

Transcendence – A Revolução (Transcendence, 2014 – 119 min)
Ficção científica

Dirigido por Wally Pfister com roteiro de Jack Paglen. Estrelando Johnny Depp, Rebecca Hall, Morgan Freeman, Paul Bettany, Cillian Murphy, Kate Mara, Cole Hauser e Clifton Collins Jr.

 

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