O Juiz (The Judge)

O diretor David Dobkin mais conhecido por comédias como “Penetras Bons de Bico” resolveu se ‘arriscar’ em filme ‘mais sério’ e contou com uma dupla imponente (os Roberts Downey Jr. e Duvall) para estrelar o seu mais recente trabalho, “O Juiz (The Judge)”. Com boas atuações e mesclando drama familiar com ‘filme de tribunal’, o resultado é um filme correto e que possui alguns pontos positivos.

Na trama vamos conhecer um advogado rico e bem sucedido (Robert Downey Jr., “Homem de Ferro 3”) que vai precisar retornar à sua cidade natal quando recebe a notícia da morte da sua mãe. Lá ele terá que “enfrentar” o seu pai (Robert Duvall, “THX 1138”) que trabalha a mais de 4 décadas como juiz da cidade. A relação dos dois não é nada boa, mas eles precisarão tentar se entender já que uma acusação de assassinato coloca o pai numa situação que precisará da ajuda de seu filho para se defender do processo.

robert-downey-jr-robert-duvall

Em diversos momentos, como em uma passagem em que pai e filho, após mais uma discussão, descem do carro em que estavam e seguem em caminhos opostos, fica claro o distanciamento entre os dois e é nisso que boa parte da produção dirigida por David Dobkin se concentra, no drama familiar e na história de (tentativa de) reconciliação ainda que tardia. Esse tema se mistura também com outro bastante querido pelo público, os filmes de disputa em tribunais.

Durante boa parte essa mescla de ‘subgêneros’ do cinema funciona, muito por méritos das atuações de Robert Downey Jr. – ainda que em alguns momentos seu personagem lembre bastante o Tony Stark do “Homem de Ferro” e “Os Vingadores” – e também da atuação quase que impecável do veterano Robert Duvall. O elenco coadjuvante também atua a contento, em especial o Jeremy Strong (“Lincoln“) que faz um dos irmãos do advogado que possui problemas mentais e é o responsável por alguns dos poucos, mas muito bem vindos, momentos de humor.

Ainda que não dê para bater o martelo (tinha que usar essa expressão, me perdoem) e dizer que seja um filme ruim, “O Juiz” não se arrisca muito e tampouco entrega algo inovador ou que seja inesquecível. Seu ritmo um pouco arrastado em algumas partes e sua duração de mais de 2 horas não contribuem muito e deixa o filme quase que tedioso em algumas partes, fazendo parecer que com um formato de mini-série com 2 ou 3 capítulos talvez funcionasse melhor. Existe ainda uma cena de “DR familiar” em pleno tribunal perto do desfecho que é meio vergonha alheia também.

JUDGE, THE

No final das contas temos uma produção apenas regular, em minha opinião fecal claro. Nem mesmo as boas atuações e a forma como a história se encerra contribuem para torná-lo uma obra de destaque, muito pelo contrário, não tardará muito e ele provavelmente entrará na ingloriosa lista das produções ‘esquecíveis’ do cinema.

***

  1. Na minha classificação ‘oficial’ eu daria 2,5 estrelas (como o fiz no Letterboxd), resolvi aproximar pra baixo mas isso não quer dizer que seja um filme ruim. É sempre bom lembrar praqueles que só se dão o trabalho de “ler” os controles e, quicá com muita sorte, as minhas declarações finais. 🙂
  2. A cena do filho ajudando o pai enfrentar a velhice (e outros problemas mais) no banheiro é muito bem conduzida e é um dos momentos mais delicados do filme.

Regular: Classificação 2 de 5

The-Judge-Official-PosterO Juiz (The Judge, 2014 – 141 min)
Drama

Dirigido por David Dobkin com roteiro de Nick Schenk e Bill Dubuque. Estrelando: Robert Downey Jr., Robert Duvall, Vicent D´Onofrio, Jeremy Strong, Vera Farmiga e Billy Bob Thornthon.

 

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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5 Comments

  1. Eu acho que você às vezes vê o filme muito levado pelas impressões Márcio, eu sei que isso é o que vale, mas elas podem nos liderar a decisões muito duras ou lenientes demais, pelo simples fato de ser uma impressão mesmo e não buscar ver o que há “a mais” naquele contexto.

    Abraços!

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    • A ideia do blog e dos meus textos é bem por aí, nada muito de ficar analisando entrelinhas, são apenas impressões de uma pessoa comum que gosta de ir ao cinema.

      Eu sei que poderia me aprofundar mais e não me deixar levar pelo lado “emocional” muitas vezes, mas aí perderia a graça 😀

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      • AHAHA! É verdade! É que às vezes fico com pena de certos títulos. 🙂

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        • hehehehe mas no fundo voc~e não deixa de ter a sua razão, umas 3 estrelas talvez estaria melhor encaixado aqui 😀

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  2. Bom filme, porém lento e demorado, como foi dito. Mesmo tendo um roteiro clássico, gostei. Vale as duas estrelas e meia, mas eu aproximaria para três.;)

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