Robocop (2014)

José Padilha na direção era garantia para muitos de que o remake do “policial do futuro” seria com toda a certeza um bom filme. Aí vieram as primeiras notícias dele descontente com “a mão forte” dos investidores (ele achou que iriam lhe dar uma franquia e MILHÕES para ele fazer o que quisesse?) e também o primeiro trailer que não disse muito ao que veio. Sabiamente Padilha depois desmentiu tudo e disse que o resultado de “Robocop (2014)” é exatamente o que ele queria fazer e apresentar.

Sem entrar nos méritos de comparações com a obra original de Paul Verhoeven de 1987, até porque acho que o propósito de um remake (ou releitura) não é necessariamente copiar o seu antecessor, e nisso Padilha até acertou, ao criar sua própria versão da história (ainda que siga a mesma premissa) e, em algumas partes, o filme tem realmente “a sua cara”, entretanto não traz muita emoção e também não empolga em momento algum.

RoboCop

A trama se passa em 2028 num futuro onde drones e robôs são utilizados pelos EUA para “garantir a segurança” mundo afora, mas não dentro do próprio país devido a uma lei apoiada pela maioria dos americanos. A Ominicorp, visando maiores lucros, deseja reverter esse cenário e para isso precisará “conquistar os americanos”. O dono da companhia Raymond Sellars (Michael Keaton) decide então criar um robô que tenha consciência humana e a oportunidade aparece quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, deixando-o entre a vida e a morte.

Existem algumas boas sacadas em “Robocop (2014)” a começar pela participação de Samuel L. Jackson (“Django Livre”) como o apresentador Novak, uma direta alusão a forma como a mídia manipula a opinião pública de acordo com seus interesses reacionários. Outros temas interessantes debatidos são a questão da corrupção na polícia (e sedução pelo poder), e as indústrias fora dos EUA que praticamente escravizam dezenas de funcionários (alguém lembrou da Apple ou Samsung na China?).

A falta de violência, sinal dos nossos tempos em que os blockbusters precisam ter uma censura baixa para serem mais ‘abrangentes’, não é necessariamente um grande problema, o triste é perceber que o filme começa e termina e não é capaz de arrancar grandes emoções tampouco criar alguma empatia com o policial que luta para manter a sua humanidade depois de ter se tornado quase que por completo uma máquina. Não se torna também um grande atrativo a história da família, uma vez que tanto a construção do personagem principal (interpretado por Joel Kinnaman) quanto a história do núcleo familiar não funcionam.

RoboCop-2014

E as cenas de ação? Totalmente comuns e descartáveis, sem nenhum atrativo ou inovação que as façam fazer valer a pena. Tampouco existem pontos altos, cenas contundentes ou até mesmo um clímax no filme. A cena final é tão ruim e sem graça que chega a ser inacreditável, tornando todas as aparições do programa de Novak mais interessantes do que toda a história em si. Do elenco coadjuvante eu destacaria, além do senhor Samuel, a participação de Gary EVERYOOONEE Oldman.

Não que o Robocop de Padilha seja um desastre ou chegue a ser um filme ruim, longe disso, mas particularmente assisti o filme como se estivesse com o nível de dopamina perto dos 2%. Por mais que não desonre o original (o que já é alguma coisa), faltou emoção, faltou empatia e faltaram aqueles momentos que poderiam tornar esta uma obra inesquecível ou, quanto nada, que a deixasse acima da média das produções do gênero.

***

  1. Vamos de preto!
  2. Finalmente você está na cor certa.
  3. A Detroit de Padilha é mais segura que os melhores bairros de Salvador, não vi necessidade alguma de robôs nas ruas ali.
  4. A cena que mostra a Alex Murphy o que restou dele é assustadora.

Regular: Classificação 2 de 5

Robocop 2014 postersRoboCop (2014 – 117 min)
Ficção Científica, Ação, Policial

Dirigido por José Padilha com roteiro de Joshua Zetumer. Estrelando: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish, Samuel L. Jackson, Jackie Earle Haley, Michael K. Williams, Jennifer Ehle, Jay Baruchel, Marianne Jean-Baptiste e John Paul Ruttan.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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24 Comments

  1. quando Samuel l. Jackson aparecia é muito bom, e o recado final dele foi pra eu sair do cinema satisfeito, embora o final não tinha sido aquela batalha de tirar o folego, foi como erico borgo falou:”faltou um toque Michael Bay” com aqueles final explosivos, eu mesmo aceitei o filme, mais grande oarte do que você falou aí é verdade, concordo com sua critica!

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    • Não é nem que eu não tenha aceitado o filme, só de ele não desmerecer o original e tentar trilhar um caminho próprio já acho que foi bastante válido, só faltou alguma coisa a mais para torná-lo um bom filme aos meus olhos, é claro.

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  2. Também fiquei em cima do muro, com mais tendência a ter gostado. Foi bom ele realmente atualizar o filme e seguir seu caminho, mas como você disse, a gente não consegue criar empatia com o protagonista.

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  3. Uma pena….
    Marcio,ouvi um mancebo dizer que o Padilha foi sem imaginação para criar esse futuro, e que ele está muito parecido com a nossa realidade. Já eu achei esta visão bastante plausível, o que acha?

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    • A visão do futuro dele é sim bastante plausível, talvez não já para 2028 mas é sim futuro muito próximo do caminho que devemos seguir.

      Só não achei aquela cidade muito violenta, o policial morava numa mansão, rua tranquila e tal hehehe

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      • Mas aí é que está Marcio, a OCP estava manipulando a opinião para aceitar a robotização, pode ver que enquanto a cidade não parecia fora do normal, SAMUCAS FILHO DO JACK gritava sobre o quão a violência estava descontrolada no país

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    • Pura pauncuzice desse mancebo, em nenhum robocop(seja de 87 ou de 2014) o foco era de monstrar um futuro estilo futurama ou fuga de nova york, e sim um critica social, no caso do Veorheven era a banalização da violencia enquanto no padilha é o estilo EUA/Russia style of paz mundial

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  4. Poderia ter sido melhor tenho para mim que os caras que deram a grana inteferiram no resultado final, o protagonista não consegue prender o publico isso conta muito no resultado final,caso tenha o robocop 2 espero que seja mais dinamico.

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    • Eu também acredito nisso Lucas, faltou o Robocop interagindo com a comunidade e todo mundo amando ele, não simplesmente apresentar em números percentuais que a população tava curtindo ele, tinha que mostrar ele nas ruas e etc.

      Tá certo que passou bem rápido as pessoas gritando por ele nas ruas, mas não foi o suficiente, em minha opinião, para vender essa ideia.

      Como este foi um filme de “origem”, se vier um segundo tem tudo para ser muito melhor. Vamos aguardar.

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  5. Nossa, você não gostou mesmo! Achei que rolou empatia, mas é de cada um msmo rsss

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    • Fui de peito aberto e nem sou do time que ta reclamando da atuação do Joel Kinnaman, acho que ele atuou no nível que o papel exigiu, mas realmente não me importei nem mesmo com o filho dele, podia todo mundo escorregar do topo de prédio que pra mim não faria diferença hehehe

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  6. Exatamente isso Caio, este mancebo queria ver algo no estilo de “De Volta para o Futuro II”, e como você disse, esta não é a proposta e nem faria muito sentido.

    PS: Fugindo um pouco do assunto, gostaria de perguntar se vai rolar uma critica do “Blue Jasmine”, o mais novo filme do Woody Allen.

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    • Blue Jasmine ainda não assisti acredita? Mas em breve farei isto e comentarei Leonardo. Na frente dele tem Nebraska e Tudo Por um Furo por enquanto.

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  7. As cenas de ação são mesmo genéricas e é o ponto mais fraco do filme. Quanto a empatia com o personagem, entendo, mas acho que a ideia não era exatamente colarmos nele, mas sermos mesmo observadores de uma briga ampla entre ética, polícia, imprensa, dinheiro, máquina e ser humano. Acho que o personagem a se criar empatia é exatamente o de Gary Oldman com sua ideologia quase Dr. Frankenstein. Enfim…

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    • No momento que até no filme o colocam como um herói, e até tentam dar um aspecto “humano” e que agrade as massas acho que sim, era pra gerar uma empatia com o Robocop. O filme de 1987 tornou o Robocop um ícone da cultura pop, esse nem ele tampouco sua família gera alguma importância para quem o está assistindo.

      Vejamos o outro filme de Padilha que tem uma estrutura similar a este, Tropa de Elite. Capitão Nascimento gerou alguma empatia? Não foram apenas os personagens secundários (Matias, Cap. Fábio) como aqui com Gary Oldman.

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      • Entendo, mas tudo é relativo. A OmniCorp queria esta empatia, foi para isso que o personagem foi criado. Mas, Padilha também queria? Não sei. Como já demonstrou competência para mais, acredito que possa ser uma escolha. A ideia da OmniCorp era criar o herói, mas este herói falha nos planos em vários aspectos, por causa da questão humana. É disso que trata o filme. Da forma como eles vão despersonificando o ser e o tornando mais máquina para atingir os objetivos esperados, até que algo de humano brota nele lá no final. É diferente do filme de Verhoeven. Lá, sim, queriam criar um herói inconteste.

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        • Pode até ser que Padilha queria justamente não criar empatia com seu protagonista, vai saber, mas acho bastante improvável. Primeiro porque tem o lance da família inserido ali muito mais forte do que no original, e segundo que dá para perceber alguns elementos da “jornada do herói” na construção do personagem principal, pelo menos eu vi assim.

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  8. Assisti o filme e achei apenas competente, dentre tantas péssimas refilmagens.
    Não gostei do Samuel Jackson e do Gary. Parecia que estava vendo Os Vingadores e o filme do Batman, respectivamente.
    Ah, sem esquecer, o protagonista que não empolga.
    Talvez tenha faltado cenas de ação melhores também.
    Enfim, gostei, mas esperava muito mais por ser um filme com o Padilha.

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  9. gosto muito do Joel Kinnaman,ele faz the killing,uma das minhas séries preferidas,recomendo.quanto ao filme lógico que assistirei,estou muito curiosa pra ver como o Padilha se saiu,mas esse lance da censura tá foda,saudades do meu tempo de infância quando não existia essa merda.

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  10. O maior erro do filme é lançar propostas e não construir ou desconstruir nenhuma de maneira completa. Falta isto, fato. Agora tem muitos aspectos positivos sim e achei ele melhor que o original em alguns aspectos.

    Achei uma obra competente no geral e 2 controles, para mim, é ruim. 😛

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    • De zero a 10 daria uma nota 5, regular, ou dois controles e meio, mas como não tenho como dividir aí aproximo ou para cima ou para baixo, e aqui não teve muita coisa que me fizesse aproximá-lo para cima.

      O 2 controles aqui uso para filmes regulares ou fracos, digamos, filmes “mais ou menos” que deixam a desejar e ainda faltam alguma coisinha para serem considerados bons.

      Filmes ruins aqui ganham mesmo 1 controle. Tem alguns poucos e raríssimos que levam nenhum hehehe

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  11. Eu acho que gostar ou não de um filme está ligado à experiência de cada um.Particularmente gostei do filme,exceto pelo final,muito simplista.

    Para mim,ficou claro que houve interferência demais no filme(até mesmo por se tratar de um estreante em Hollywood),mas mesmo assim enxerguei a marca do Padilha e acho que ele conseguiu dar o seu recado.

    Com mais liberdade para ele,creio que enfim um diretor Brasileiro poderá fazer uma carreira sólida no exterior.

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  12. Acho que faltou empatia da sua pessoa.
    ahahahahahah
    :p

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    • Nem foi, fui com um espírito muito bom para o cinema e a mente tranquila e bastante receptiva, mas nessa parte, nesse quesito em questão, o filme é ruim.

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