Eden_Lake

Título: Sem Saída / Eden Lake

Direção: James Watkins

Elenco: Kelly Reilly, Michael Fassbender, Thomas Turgoose.

Sinopse: Jenny e seu namorado Steve vão acampar em um paradisíaco Lago. Não demora para o casal ser intimidado por um grupo de adolescentes dispostos a fazer da estadia deles um inferno.

A sinopse pura e simples não despertou em mim vontade alguma de ver Sem Saída. Posso dizer sem sombras de dúvidas que fui adiante por causa do nome de Michael Fassbender no projeto. Bastardos Inglórios, X-Man, Shame,  Prometheus, são apenas alguns dos filmes desse ator que tanto gosto e agora posso acrescentar Eden Lake a nessa lista.

Se tem uma coisa que me incomoda bastante em filmes do gênero terror é o fato das pessoas volta e meia escolherem lugares ermos para passar férias/ finais de semana. Casas no meio da floresta, acampamentos remotos, locais mal assombrados, quanto mais distante de qualquer civilização… melhor. E de preferência sem sinal de celular ou chance de resgate caso algo dê errado. Em Sem Saída isso não é diferente. Steve convida sua namorada Jenny, uma delicada professora primária, para passar o fim de semana em um Lago aos arredores de Londres e que em breve será cercado por uma construtura. A apresentação do casal pra mim foi muito eficiente, entendemos que ela é uma mulher frágil, ponderada e que prefere relevar as inconveniências alheias. Já Steve é impulsivo, cabeça quente e não deixa barato os incômodos causados pelos visitantes.

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Alerta de Spoilers:

Quando já estão instalados no Lago, o casal é intimidado de forma sutil por um grupo de adolescentes com um cão rottweiler. A gangue ouve som alto, fuma maconha e não se importa com o assédio da cadela ao casal que está a cerca de 10 metros deles – em determinado momento  ela fica latindo quase encostando no rosto de Jenny que se encontra deitada tomando sol. Na minha visão pacificadora e atenta aos sinais de #MeFerrei esta seria minha deixa para abandonar o local. Mas, o que faz nosso amado protagonista? Vai tirar satisfações com os adolescentes e tentar intimidá-los também. Nessa hora eu me pergunto, será que ele não sabe contar? Eles estão em dois – meio se pensar que Jenny tem um estilo ai, quebrei minha unha e o outro grupo está em seis + uma cadela rottweiler.

Apesar do momento inicial espumar de raiva eu comecei a compreender mais as atitudes do Steve. Ele começou a encarar essas intimidações como uma questão de honra. Não poderia jamais desistir dos planos de um final de semana perfeito por causa deles afinal ele era o adulto e tinha chegado primeiro ao lugar. Medir forças, procurar os pais daqueles garotos, tudo isso foi apenas um aperitivo para o que viria após Steve matar acidentalmente a cadela dos meninos. A partir daí temos uma virada significativa na trama, uma sequência de perseguição implacável e sadismo; nesse momento começamos a conhecer um pouco melhor a gangue e um aprofundamento de personagens muito sutil porém interessante.

Fica bastante claro que naquele grupo nem todos são criminosos mas apenas suscetíveis ao ambiente. Antes da loucura começar já temos um aperitivo do que é o núcleo familiar do Brett, líder do grupo, com um pai muito violento. A medida que todos se entusiasmam em ser bad boys com uma garota mal encarada, roubando carros, perturbando o casal, intimidando para mostrar quem é que manda, notamos que eles apenas precisam de uma prensa. Quando o limite entre o vandalismo e o crime hediondo é ultrapassado entendemos melhor que o líder é um psicopata e sabe exatamente como manipular o ambiente em que está inserido. Obrigando a garota a fazer uma filmagem dos atos do grupo, Brett consegue incutir na cabeça dos colegas de que eles são tão responsáveis pelos acontecimentos quanto ele, afinal estavam presentes e serão penalizados cado algo dê errado.

Não sou uma especialista e por isso tenho receio de envolver qualquer teoria em relação ao comportamento daqueles meninos. Bullying, ambiente familiar/social , distúrbio mental, encontramos todos os dias nos noticiários crimes cometidos por jovens como aqueles e o assunto precisa ser amplamente discutido. Uma das coisas que mais geram desconforto em Sem Saída é exatamente essa violência palpável, conhecida, familiar. E quando você pensa que chegou ao final, eis que a trama se fecha de uma maneira surpreendente.

P.S. Esse filme tem uma temática muito parecida com Ils.

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