Frances sonha em ser uma grande dançarina e luta muito por isso, o que ela talvez não saiba é que não possui talento para dança. Frances também não possui um emprego, um apartamento próprio e outras coisas mais que uma mulher de 27 já deveria ter. Sempre correndo atrás dos seus sonhos e tomando “na cara” Frances não desiste nunca. Apesar de parecer não levar jeito para nada e ser “inamorável”, Frances nunca deixa de ser otimista e seguir lutando.

Dirigido por Noah Baumbach e com roteiro de Greta Gerwing, que também faz a personagem principal da trama, “Frances Ha” é um filme lindo, cativante e uma das melhores coisas que você vai assistir neste ano (foi lançado inicialmente no Festival de Toronto em 2012 mas só agora estreou em circuito comercial por aqui).

Frances-Ha

Em preto e branco, segundo o diretor foi uma escolha para deixar o filme mais intimista e nostálgico, o espectador é convidado a seguir em Nova York as ‘desventuras’ da jovem Frances. Ela tinha a certeza que continuaria dividindo o apartamento com sua melhor e inseparável amiga Sophie (Mickey Summer, filha do cantor/ator Sting), e até recusou o convite para morar com o namorado, ou melhor, agora ex-namorado. Só que sua amiga resolve seguir a sua vida e vai morar com outro sujeito. A partir daí começa a peregrinação de Frances para encontrar outro local para morar e que se adeque à suas finanças, já que ela ainda não é uma grande bailarina, é apenas uma aluna que aguarda ansiosamente a sua oportunidade, que ela acredita que virá em breve.

A direção de Noah é muito segura e bastante inspirada e o roteiro consegue trabalhar muito bem a história e traz ótimos diálogos. Além de dividir o roteiro com Noah, Greta Gerwing presenteia o espectador com uma atuação impressionante e consegue construir uma personagem bastante crível, carismática (apesar de ser inamorável) e que carrega consigo um otimismo que, aos olhos de alguns, pode até parecer tolo ou sem fundamento, mas é algo lindo e bastante recompensador de se acompanhar.

Passeando pelas ruas de Nova York e outros lugares mais (não vamos estragar as surpresas), “Frances Ha” conta ainda com uma excelente trilha sonora. É impossível (a não ser que você tenha o coração escuro) não cantar alegremente “Modern Love” de David Bowie enquanto Frances corre atrás de seus sonhos. Mesmo com os obstáculos surgindo e a derrubando, a jovem segue em frente, tentando e tentando, afinal é o que lhe move e é também o que resta, mas será que lá na frente tudo vai terminar como ela planejou? O que será que o futuro lhe reserva?

frances-fight

Além de uma comédia (?) dramática (?) linda e cativante, “Frances Ha” não deixa também de ser um retrato da realidade dos muitos “jovens adultos” atuais que parecem não estar acompanhando o tempo que segue implacável, parecem estar parados se for analisado sobre a ótica do que “espera” a sociedade atual de pessoas nessa idade. Estando tudo certo ou errado, aqui quase sempre errado, o importante é seguir lutando não é mesmo? Pelo menos é isso o que nos traz o singelo e emocionante “Frances Ha”, um dos melhores filmes que assisti neste ano.

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  1. Na última cena, já pertinho de subir os créditos você vai descobrir o porquê do título do filme.

frances_ha_posterFrances Ha (2012/2013 – 86 min)
Comédia, Drama.

Dirigido por Noah Baumbach com roteiro de Noah Baumbach e Greta Gerwig. Estrelando: Greta Gerwig, Teddy Cañez, Adam Driver e Hannah Dunne.

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Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.