Desde que foi anunciado como vencedor deste ano da Palma de Ouro em Cannes que o filme “Azul é a Cor mais Quente (La Vie d’Adéle)” vem chamando bastante atenção, tanto pelo seu conteúdo - cenas de sexo com as atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux – quanto pelos elogios que vem recebendo mundo afora. Trata-se de um belo romance dramático com duas atuações impressionantes das protagonistas. O resto é puro alvoroço.

Na trama somos convidados a conhecer a vida de Adèle (remetendo ao título original francês), que é uma jovem que parece ainda não ter se encontrado. Até mesmo ficar com o garoto mais bonito do colégio não lhe deixa verdadeiramente feliz. Tudo muda quando ela (Adèle Exarchopoulos) conhece Emma (Léa Seydoux, “Sister”), uma mulher de cabelo azul que lhe permite conhecer o desejo, a se afirmar como mulher e aprender sobre o amor.

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Adaptado de uma HQ escrita por Julie Maroh, “Azul é Cor mais Quente” traz além das excelentes, e porque não corajosas, atuações das atrizes principais, um trabalho primoroso na fotografia e nas escolhas dos cenários, sempre remetendo aos nossos olhos a cor azul, seja nas roupas de Adèle, seja no banco do parque, e por aí vai. É claro que, para muita gente, o que mais chama a atenção e que tem causado mais comentários a respeito do filme são as cenas de sexo, que são bem INTENSAS e longas também (tem uma cena que dura 10 minutos enquanto você que está lendo esse post se resolve em menos de 1) com as atrizes totalmente desnudas em tela, com direito a algumas tomadas bastante “elucidativas”, digamos assim.

O diretor Abdellatif Kechiche (só é possível escrever o nome dele copiando no google) procura dar um tom bastante realista em seu trabalho, sejam nas cenas mais tórridas, seja quando Adèle chora (e acompanhamos o seu nariz vazando litros) ou quando ela come, com tanta vontade que somos ‘convidados’ a acompanhar até a sua mastigação em close. O mesmo ‘realismo’ acompanha a trama que, ao contrário de outras produções do gênero, foge um pouco daquela fórmula manjada e desgastada onde já sabemos tudo o que vai acontecer do início ao fim que, diga-se de passagem, demora muito a chegar já que o longa possui 3 horas de duração, o que pode cansar os menos preparados.

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Ao contrário do que se possa pensar à primeira vista, em minha opinião fecal (infelizmente só tenho ela), é um filme que serve muito mais ao propósito dos fetiches masculinos do que propriamente a qualquer outra coisa mais profunda acerca de opções sexuais e aos demais assuntos afins, apesar de trazer na linha de frente uma relação homossexual (ou bissexual para Adèle).

E o que é que este bom filme (apenas isso) guarda em sua essência? Uma história de amor nua e crua, sem floreios exagerados ou fórmulas padrões do cinema. O resto é barulho (ou gemidos…).

***

  1. 180 minutos. É maior que o Hobbit que tantos reclamaram da duração. Pense nisso.
  2. Sim, aparece tudo. Tudinho.
  3. Agradecimentos especiais ao Fala Cinéfilo pelos convites para assistir este filme.

Bom: Classificação 3 de 5

Azul-é-a-Cor-Mais-QuenteAzul é a Cor mais Quente (La Vie d’Adéle, 2013 – 180 min)
Romance, Drama

Dirigido por Abdellatif Kechiche com roteiro de Abdellatif Kechiche e Ghalia Lacroix adaptando HQ de Julie Maroh. Estrelando: Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux, Salim Kechiouche, Benjamin Siksou e Mona Walravens.

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Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.