Somos Tão Jovens

Ídolo de uma geração (coca-cola), cantor, poeta, músico, Renato Russo era tudo isso e muito mais, era de esperar então o forte apelo que o filme “Somos Tão Jovens” teria quando fosse lançado nos cinemas. Cresci ao lado de amigos fãs chatos fervorosos da Legião Urbana e sou grato por eles, pois, sempre mantive uma distância de segurança desse fanatismo (como já diria o Capital Inicial: ‘não quero ser como vocês‘) com o grupo mesmo adorando várias canções e tendo sido grato por ter participado dessa época tão importante para o cenário musical brasileiro, mesmo assim, ainda que o lado afetivo fale mais alto, “Somos Tão Jovens” é um pouco caricato demais para ser uma obra perto da ‘Perfeição’ como tanto os fãs queriam, mas também não chega, de forma alguma, a ser ‘Tempo Perdido’ por ter mais acertos do que erros.

A trama acompanha os primeiros passos de Renato Russo (Thiago Mendonça, “2 Filhos de Francisco”) no fim de sua adolescência quando iniciava a sua carreira musical na banda Aborto Elétrico’ Fã do punk rock, Renato começa a se envolver e fazer parte do cenário musical que estava se formando em Brasília que, posteriormente, se transformaria num dos berços do rock nacional que viria a ter, com orgulho, como um dos ‘filhos’ mais famosos a Legião Urbana.

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O filme retrata apenas o período inicial da carreira de Renato e da Legião Urbana bem como das outras bandas que estavam eclodindo naquele cenário como o Capital Inicial e a Plebe Rude e, por isto, alguns que estavam esperando a história completa de vida do trovador solitário acabaram se espantando com o desfecho ‘abrupto’ do filme. ‘Será’ que abordar toda a história dele até a sua morte seria uma saída inteligente ou seria apenas ‘Mais do Mesmo’?

De início achei que o ator Thiago  Mendonça estava um pouco exagerado na interpretação mas a medida que o tempo avança ou ele melhora ou a gente se acostuma com o que tem em tela. Está ruim? Jamais, ele demonstra ser um bom ator, encarnou bem o seu importante papel e fisicamente ficou muito parecido. Do elenco coadjuvante fica o destaque para Laila Zaid (“E aí, Comeu?”) que interpretou Aninha muito bem e os demais personagens da ‘fauna folclórica de Brasília’ daquela época que orbita ao redor do brilho ofuscante de Renato Russo estão bem divertidos, em especial Herbert Viana (ria sempre que ele falava) e Dinho Ouro Preto (aliás, se botassem o Dinho original ninguém iria perceber afinal ele continua com 15 anos de idade).

Se o elenco manda bem  e a direção de Fontoura é segura e acerta na maior parte do tempo onde estão os erros? No roteiro talvez que peca em especial nos diálogos que inserem referências cretinas (como algumas que estou colocando nesta resenha) a canções ou frases de canções marcantes como quando dizem que ele gosta de ‘Meninos e Meninas’ ou que está em uma ‘festa estranha com gente esquisita’. É meio forçado e, para completar, existe a questão da forma como Renato é apresentado em algumas cenas, como se ele fosse um predestinado já desde aquele tempo e já soubesse disso. Nada que atrapalhe muito, é verdade, mas poderia ser melhor trabalhado.

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Representar a época do berço do rock nacional que foi Brasília acabou sendo um trabalho bastante simples para a produção, afinal a capital do país continua hoje como era naquela época e só foi preciso arrumar uns carros antigos e ajustar o figurino (com exceção dos óculos que atualmente são os mesmos dos anos 80). Para  completar a ambientação uma trilha sonora, obviamente, composta pelos grandes clássicos do rock nacional, não se restringindo apenas a uma banda e tendo também canções (muito bem vindas) do Aborto Elétrico e (posteriormente) do Capital Inicial, dentre outras.

Há Tempos’ que o cinema nacional estava devendo uma homenagem a Renato Russo e, mesmo não sendo um filme perfeito, cumpre o seu objetivo. Conta com boas atuações e até alguns momentos de emoção muito bem colocados (de todos o que acontece com a música ‘Ainda é Cedo’ é, para mim, de longe o melhor). ‘Eu Sei’ que é pedir demais que uma obra biográfica não tenha seus clichês e exageros, e se eu disser a vocês, queridos leitores, que eu esperava mais do que o que foi apresentando estaria mentindo, portanto, no final das contas, “Somos Tão Jovens” é um bom filme e serve para nos trazer boas lembranças – para os mais novos para conhecer um bom momento do cenário musical brasileiro que não vivenciaram – , e só isso já o bastante.

***

  1. Propositalmente, pegando carona no que acontece nos diálogos do filme, fiz a resenha mais cretina possível utilizando músicas da Legião Urbana.
  2. O filme arrecadou muito bem na sua semana de estreia e tem tudo para conseguir ainda mais.
  3. Minhas músicas favoritas: ‘Daniel na Cova dos Leões’, ‘Teatro dos Vampiros’ e ‘Vento no Litoral’. Na verdade são quase todas, é difícil escolher.

 

thiago-mendonca-interpreta-renato-russo-em-somos-tao-jovens-1362432465087_300x420Somos Tão Jovens (2013, 104 min)
Biografia

Dirigido por Antonio Carlos da Fontoura com roteiro de Marcos Bernstein. Estrelando:  Thiago Mendonça, Laila Zaid, Sandra Corveloni, Marcos Breda, Bianca Comparato e Olívia Torres.

 

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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8 Comments

  1. Suas referências no texto estão mais cretinas do que as do filme.
    Mas se você colocar no Ocioso “Somos Tão Jovens não chega a Perfeição, mas também não é Tempo Perdido” vai bombar de acessos.
    ahahahahahaha

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    • Porra, boa ideia! E a intenção era ser tão cretino quanto o filme, acho que exagerei né? hahahahah

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  2. Ainda bem que não perdi tempo. Há alguns títulos que pelo anúncio já não me motivam. Quando vi: “pelas pessoas de 2 Filhos de Francisco” eu já joguei para cima. Vendo os trailers eu só confirmei as minhas impressões e por sua análise não houveram mais dúvidas.

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    • Você está meio preconceituoso demais a começar por “2 Filhos de Francisco” que é um dos melhores filmes da ‘nova safra’ cinema nacional. Tirem as crianças da sala. É isso mesmo hehehe

      Eu detesto sertanejo, não queria assistir mas quando fui conferir fiquei IMPRESSIONADO.

      Outra, achei “Somos Tão Jovens” divertido e vale pelas lembranças. Acho que só se você for daqueles que nunca curtiram Legião, aí realmente não vale muito à pena.

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  3. A resenha ficou bastante divertida. Pois é, eu acho que gostei do filme um pouco mais que você, e nem sou fã. Acho q a pegada despojada combinou bem com proposta do filme, de ser alto astral e tal. Como RR era um cara melancólico, acho que muita gente acabou não comprando isso.

    Abraço!

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  4. Mas eu assisti depois na TV Márcio e só concretizei minha ideia inicial da época do lançamento. Filme clichê, cheio de situações forçadas para mitificar a história dos protagonistas, não me desceu.

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    • Sério man? Pelo visto não é o amor que mexe com sua cabeça e lhe deixa assim, deve ser outra coisa hahahaha

      Abração!

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  5. Ri muito com suas citações cretinas da mesma forma que ri com Herbert e algumas cenas que ficaram risíveis por causa de alguns coadjuvantes inexperientes.

    Quanto à Thiago, tive a mesma sensação que você.

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