Angie (Open Road)

Quem deixou o caminho livre e entregou conhecidos atores internacionais como Juliette Lewis e Andy Garcia e até mesmo a brasileira Camilla Belle nas mãos de Márcio Garcia para fazer (mais) um filme? Esta pergunta é logo respondida quando se inicia “Angie (Open Road)” e surgem vários patrocinadores em tela, é neste momento que se inicia o maior bingo cinematográfico dos últimos tempos. Tenha papel e caneta na mão para ir fazendo seus “checks” toda hora que um destes produtos (e até locais como Vitória-ES) surgirem em tela, provavelmente será sua única diversão nesta produção que deixa MUITO a desejar.

Na trama conhecemos a jovem Angie (Camilla Belle, “À Deriva”) que deixou para trás sua família no Brasil (mãe e irmã) e partiu para os Estados Unidos em uma jornada de “auto descobrimento”. Morando no meio do mato ela aproveita para desenvolver sua arte e também ter conversas ‘filosóficas’ com seu ‘vizinho’ Chuck (Andy Garcia). Na busca por alguém que a abandonou há muito tempo, Angie sai pulando de cidade em cidade e emprego em emprego, numa destas ‘paradas’ ela conhece um jovem policial chamado David (Colin Egglesfield) de onde surge uma paixão.

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A pobre da Camilla Belle até tenta dar uma profundidade maior à sua personagem, mas seus esforços, tal qual aquela espremidinha na embalagem do creme dental que já está no fim não dão em muita coisa. Num roteiro ruim e envolto de PÉSSIMOS diálogos e, para completar, recheado de piadas inacreditavelmente nada engraçadas – e que PIORAM por ainda precisarem ser explicadas em mais 2 ou 3 diálogos como em uma envolvendo “Chuckrates” – não sobra muita coisa que se salve nesta obra do meu xará Márcio Garcia.

Tá certo que Juliette Lewis (“Hick”) e Andy Garcia não são lá atores do primeiro escalão internacional, mas fica claro ao assistir “Angie” que o dinheiro é capaz de qualquer coisa, até mesmo de fazer algumas pessoas participarem de grandes furadas. Toda vez que via Andy Garcia “atuando” me dava vontade de chegar para ele e perguntar: “Andy meu velho, o que você está fazendo aí? Corra que Christiane “bebê Torloni vai te pegar”.

Numa sucessão de cenas montadas à moda caralha (perdoem meninas a expressão) a direção de Garcia, para completar, nunca se encontra e ele acaba mesmo é se especializando na arte do “Product Integration” no cinema. Em um momento Angie diz a irmã, interpretada por Carol Castro (que assim como a personagem de Torloni faz 96,72% das suas cenas sentadas conversando ao telefone), que está “no mundo em lugar nenhum”, na cena seguinte ela recebe da Leader (CHECK!) uma encomenda em seu novo trabalho do exótico país chamado Brasil. Seria um macaco? Fica a dúvida do produto recebido mas a certeza de termos uma empresa com o melhor sistema de geolocalização do mundo. Orgulho!

E a história, por mais incrível que pareça, guarda um grande mistério que é resolvido sabe por quem? Pela Gillete (CHECK!), sim, isso mesmo. Todo o mistério é resolvido depois que um produto da Gillete entra em ação. Em sua essência, então, podemos concluir que “Angie” é um filme que nos prova que essa empresa nacional possui alguns dos produtos mais valiosos do mundo que podem mudar vidas e traçar novos destinos. Que orgulho! E o pior é que não para por aí o nosso bingo cinematográfico, não tarda muito e vemos a Korean Air (CHECK!) ligando famílias separadas entre os EUA e Vitória do Espírito Santo (CHECK! BINGO!).

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Numa sucessão de falhas fica difícil levar alguma coisa a sério neste segundo trabalho de Márcio Garcia na direção. Entendo perfeitamente a batalha que deve ser produzir e terminar um filme e eu, mais do que muitos, sempre gosto de defender o nosso cinema ou nossos diretores e atores, mas tem coisas como esta aqui que não há defesa. Quando você vê mãe e filha que conversaram durante todo o filme em português pelo telefone se recepcionarem pessoalmente em inglês, é hora de jogar a toalha e rir da situação. É o máximo que você poderá fazer com esta obra, rir dela. Junte seus amigos, se for de maior beba alguma bebida forte e entre no cinema para se divertir do início ao fim. É o maior incentivo que posso dar para tentar ajudar o meu xará que precisa melhorar muito se quiser ganhar algum respeito por aqui.

 


angie-posterAngie (Open Road, 2013)
Drama

Um filme de Márcio Garcia com Camilla Belle, Juliette Lewis, Colin Egglesfield, Andy Garcia, Christiane Torloni, Carol Castro e Anya Andrews.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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18 Comments

  1. Não dá mesmo para levar a sério esse filme. Dá vergonha alheia de Andy Garcia e Juliette Lewis… hehe. O jeito é brincar de Bingo mesmo e se divertir. hehe

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    • É isso aí, fica a dica para quem for assistí-lo, com o bingo das marcas vale muito a pena hehehehe

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  2. Cara, parabéns pela coragem de assisitir… hehehe
    Isso deve ser uma bomba atômica!
    Como gosto de sofrer, talvez assista quando sair em DVD.

    Abraço!

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    • Aquela coisa Celo, cabine de imprensa e a turma toda reunida… no final das contas foi bem divertido até hahahaha

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  3. Rapaz, eu fiquei com uma curiosidade mórbida da porra de ver esse filme. Deve ser tão ruim, mas tão ruim, que deve ser “bom”. hahahahahaha…
    Quando passar na tv por assinatura eu vejo, ou não.
    ehehehehe

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    • É nesse esquema mesmo, de tão ruim fica até divertido de se assistir. Melhor ainda se tiver mais alguém para compartilhar a ‘agonia’ contigo.

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  4. Essa Camila Belle é ruim demais, depois de 10.000 AC não dá para crer que nada do que ela faça um dia vá prestar. Sem falar que não é nada bonita, apesar de quererem dizer que é.

    Quanto ao filme não vi, nem pretendo ver é tosco só de imaginar. Pelo relato fica parecendo que eles quiseram dar aquela aparência de filme diálogo típico de produções que recebem inúmeros louros em festivais, mas com um roteiro porco e um elenco fraco não tem como algo do tipo dar certo.

    A questão das marcas não me incomoda de fato. Isso é algo comum no cinema em geral basta o filme ser contemporâneo que geralmente há um show de marcas sendo exibidas na tela e sempre desempenhando um papel relevante na trama, quanto mais simples o filme maior o destaque de tais marcas. O que incomoda de fato é quando a parte técnica deixa a desejar.

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    • Cara, a da Leader é demais, você não tem noção hahahaha

      Camilla Belle fez “À Deriva” que é bom… teve outros filmes como esse 10.000 A.C. ou Herós (Push) que são meio complicados realmente.

      Ela tem uma beleza estranha, meio exótica. Acho que é mais sensualidade do que beleza propriamente dita.

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      • Ela fez o “Más companhias” (The Chumscrubber) que, na minha opinião, é um ótimo filme

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  5. E esse cartaz no final do post? Tentativa tosca de colocar Juliette Lewis em destaque só por causa do “nome”.

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    • Tem um outro que dá ‘spoiler’ do filme e da importância da Gillete. Pior ainda hehehe

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  6. é uma pena mesmo,mas eu já esperava por isso,pelo trailer que vi não parecia lá grande coisa,mas depois de ler sua crítica passarei o mais longe dessa bomba hahaha.

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    • Como eu disse no final, somente levando como uma grande piada e se juntando com uma turma para rir de tudo é possível assistir Angie. Parece que nem meu xará levou seu filme a sério.

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  7. Assisti ontem, e nao entendi aquelas cenas em que ela qse é estuprada num parque por 2 homens..Alguem entendeu? era imaginaçao,pesadelo dela?

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  8. É o tipo de filme que apaguei da minha mente, nem lembro que cena é essa.

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  9. Nem vi o filme. Mas estou aqui pra criticar a crítica, se é que isso é possível. É a segunda crítica péssima sobre o trabalho desse diretor. A outra que li foi sobre o primeiro longa (e esse é o segundo). Sempre falam muito do escancaramento do merchandising… A propaganda de xampu do primeiro ficou péssimo mesmo, é vero. Mas, por outro lado, ótimos filmes ultra consagrados, também têm muito merchandising. Em De volta para o futuro (parte I), Coca cola e Nike comandam a ação. Literalmente! A coca cola chega a entrar numa fala! E.T. que alavancou Steven Spilberg para o estrelado definitivamente, idem. De novo a Nike e algumas marcas de moda na época que agora esqueci. Caminhonetes da GMC e Ford (as marcas queridinhas da América, nunca estão juntas no mesmo filme… por que será?). Cigarros Malboro (até mesmo depois de leis que proibem o merchandising ostensivo de cigarros), bem como cervejas Budweiser, heineken e Corona (mexicana que aparece em Velozes e Furiosos) e tantos e tantos outros exemplos… Se formos checar de fato, como sugere essa crítica, veríamos que o fenômeno é comum a qualquer produção cinematográfica (e quanto maior e melhor e mais caro o filme, mais patrocinadores). Afinal, antes de ir às bilheterias, quem nós achamos que paga a conta? Sim, são eles, os de sempre: os patrocinadores. A não ser, é claro, que alguém normal goste MESMO de filmes independentes, auto financiados por seus produtores e que pecam em cada mínimo detalhe (mas é chique né… filosófico e “culto”… tá!). Alguém já se perguntou porque quase todo filme que necessite de locação de hotéis inclui o Ceasar Palace? Inclusive com o nome do hotel na fala, como em Se Beber não case? Ou com a placa desse mesmo hotel na tribuna em infinitas cenas de infinitos filmes em que haja um momento de conferencias e afins, como em Eu queria ter a sua vida (salvo engano) e muitos outros. Por que não o Holyday Inn? Ah sim, ele também. Em alguns casos. Mas aí o Ceasar Palace estará fora. E o edifício Crysler? Seria uma manobra de especulação imobiliária da cidade de NY? Note que nem adianta procurar no enquadramento a torre do Empire State Building quando o Crysler está em primeiro plano no “horizonte sem fim” de NY. Especialmente em certos seriados… Tudo isso é coincidência? Acho que não. Tudo isso é propaganda. A mola que move o mundo do cinema (e da televisão). Valham-nos as aulinhas de inglês: por que é mesmo que originalmente o termo oficial de “novela” é “soap opera”? Mas somente as produções de Márcio Garcia recebem tantas duras críticas por isso. Por que será? Sei de gente que foi, pelejou, tentou, e não conseguiu gravar nem uma única cena sequer. Pessoas cujos projetos jamais saíram jamais do papel (quando chegaram a sair da “cabeça” de seus mentores). E isso porque não é fácil. Então, como brasileiros, acho que devemos aclamar os esforços de quem está lutando, batalhando e amealhando algum resultado. Vale aqui o diálogo de Matt Damon e Alec Baldwin em Os Infiltrados: Baldwin: _E você vai se contentar com esse resultado? Damon: _ Bem, já é um resultado”. Vamos torcer para que novos (e melhores) talentos nossos conquistem mais e mais, em vez de ficar só criticando o que ficou ruim, sem dar nehum crédito ao sucesso pessoal na dura empreitada de simplesmente rodar um filme do início ao fim e levá-lo a cartaz. E sobre Andy Garcia e Julliete Lewis não serem do “primeiro escalão”, isso é questionável. Ambos sempre trabalharam lado a lado com o primeiro escalão de Hollywood, tanto contracenando como nos bastidores de direção e produção. Se isso não é “ser parte do primeiro escalão” não sei o que pode ser. Procurar na memória meia dúzia de nomes e daí soltar que “Robert De Niro é melhor” não vale. Vamos dar uma chance. Do contrário, fica parecendo… o que mesmo? Inveja, recalque, sei lá. É esquisito falar mal demais das conquistas alheias.

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    • Eu poderia parar de ler seu comentário já na primeira frase: “Nem vi o filme”.

      Se você nem viu o filme como vai dizer que é “recalque” e falta de reconhecimento de esforço. Não desconheço o esforço, sei que é um trabalho árduo rodar um filme, mas nem por isso posso omitir o que achei dele só pelo esforço exercido.

      É um filme ruim, infelizmente. E os merchan que é feito é feito de uma maneira MUITO ruim, muito deslocada e que acaba tirando o espectador mais dispostos e forçado que está tentando ver a história até o fim, do filme. Assista e depois comente que a gente segue discutindo.

      Grande abraço.

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