Vendido como o novo “Crepúsculo”, “Dezesseis Luas (Beautiful Creatures)” chega aos cinemas como mais uma saga infanto-juvenil disposta a colocar humanos e criaturas mágicas batalhando em torno de um amor “impossível” e verdadeiro. As semelhanças e comparações com a saga dos vampiros purpurinados não são nem um pouco descabidas, ainda assim, esta adaptação do primeiro dos quatro best-sellers juvenis escritos por Kami Garcia e Margaret Stohl dirigida por Richard LaGravenese é menos pálida e insossa e até mais divertida, apesar de não deixar de ter toda a sorte de baboseiras que envolvem estes tipos de romances adolescentes.

Na trama conhecemos Ethan Wate (Alden Ehrenreich), um estudante colegial que mora num pequeno vilarejo chamado Gatlin. Perturbado pelos sonhos de uma garota misteriosa, ele vive um pouco à parte dos outros jovens locais e dos demais intolerantes moradores de sua cidade. Quando uma nova e estranha adolescente, Lena Duchannes (Alice Englert), chega ao local, uma paixão entre a jovem que enfrenta problemas de adaptação e Ethan se inicia. Mais do que enfrentar familiares e amigos, Ethan descobre que Lena possui poderes mágicos e os dois precisarão superar ainda uma maldição secular se quiserem ficar juntos.

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O início, por mais incrível que possa parecer, é bem interessante e divertido. O roteiro, num geral, é bem amarrado e os diálogos são recheados de referências e boas piadinhas sobre livros, grandes autores, filmes e elementos da cultura pop. Boa parte do filme é narrada pelo personagem de Ethan Wate, o que ajuda a situar o espectador na história da cidade e a conhecer um pouco mais toda a “fauna” de Gatlin. Quando Ethan descobre sobre o segredo de Lena e de sua família, que ela é uma bruxa, ou melhor, uma conjuradora, é que a aventura se desenrola mais pro lado “fantástico”. Existem até algumas piadas envolvendo as palavras “Witch” e “Bitch” que se perdem um pouco na tradução mas estão lá presentes para tornar menos enfadonhos os bobos momentos que envolvem a parte mais fantasiosa da aventura entre o jovem apaixonado casal.

Os efeitos especiais estão em nível bem aceitável e a parte visual puxa um pouco à memória o estilo Tim Burton de cinema, só não sei se isto deve ser visto como uma homenagem ou uma profanação. A duração do filme também é um pouco longa demais, tem uma parte lá pelo meio da história que demora a passar e nos faz lembrar o quão infantil é acompanhar uma disputa pela escolha (invocação) entre os lados das trevas ou da luz.

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É uma pena notar no entanto que o protagonista principal, o jovem Alden Ehrenreich, não atua muito bem (em minha opinião). É certo que o seu personagem se limita em ter como único “poder especial” o fato de ser irritantemente persistente, mas seus trejeitos e sorrisos não convencem. A jovem protagonista Alice Englert, por sua vez, não se mostra ser nenhuma grande atriz, mas atua razoavelmente bem e se salva por conta das cenas finais. A grande sorte dos jovens protagonistas é que eles são acompanhados por ótimos nomes no elenco coadjuvante como os de Viola Davis (“Histórias Cruzadas“), Emma Thompson (“Homens de Preto 3“) e Jeremy Irons (“Dungeons & Dragons“). Achei ainda que o divertido e engraçado Thomas Mann (“Projeto X – Uma Festa Fora de Controle”) poderia ser melhor aproveitado. E, para fechar com chave de ouro pelo menos para os marmanjos, a atriz Emmy Rossum justifica com beleza e pouca roupa a sua participação no filme.

Ser melhor que “Crepúsculo” não quer dizer muita coisa, mas já é um alento mínimo e, pelo momentos de diversão e por algumas poucas boas sacadas (como inserir um pouco de boa literatura e poesia no meio da história), resolvi aproximar para cima a classificação desta produção que promete, pelo menos, não criar tantas indignações e revoltas quanto a saga dos purpurinados. Não sei muito bem como a história poderá ter fôlego para continuar minimamente interessante daqui para frente, já que faltam mais 3 livros a serem adaptados, os quais não li nenhum e não posso comentar sobre a adaptação. De qualquer forma já dá para ficar feliz pela franquia ser composta ‘apenas’ por 4 livros, já pensou se fosse um livro para cada lua do título nacional?

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Aos olhos da distribuidora “Dezesseis Luas” é mais uma chance de fazer dinheiro nos cinemas, aos olhos dos fãs dos livros e de aventuras do gênero é mais uma franquia para se apaixonar e defender e, para todos aqueles que não aguentam mais estes tipos de romances fantásticos é mais uma produção para ser ignorada. Escolha o seu caminho e seja feliz, não sei se para sempre, mas pelo menos até a próxima saga do gênero aparecer em nossos cinemas.

 

Ps: De 0 a 10 daria uma nota 5 ou 5,5 por achar ser um filme razoável, mas como não tenho como colocar 2,5 controles de 5 tive que escolher o caminho da luz (mesmo com as trevas me tentando) e aproximar para cima a classificação.
Ps2: A classificação é algo complicado para mim, antes de comentar sobre uma resenha baseado apenas nos “controles”, dê pelo menos uma lida no texto, ele é a referência ‘real’ de minha opinião.


3 de 5 controles16 luas

Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, 2013 – 124 min)
Romance, Fantasia

Um filme de Richard LaGravenese adaptando obra literária de Kami Garcia e Margaret Stohl. Estrelando: Alden Ehrenreich, Alice Englert, Emma Thompson, Viola Davis, Emmy Rossum, J.D. Evermore, Jeremy Irons, Kyle Gallner, Lance E. Nichols, Rachel Brosnahan, Thomas Mann e Tiffany Boone.

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