A Viagem (Cloud Atlas)

Da leva dos filmes lançados lá fora no ano de 2012 que tiveram suas estreias adiadas aqui no Brasil para o início deste ano de 2013, “Cloud Atlas” que ganhou o preguiçoso e inoportuno título nacional  “A Viagem” era um dos mais esperados (pelo menos por mim). Com Andy e Lana Wachowski, responsáveis pelo mítico “Matrix”, e Tom Tykwer, responsável pelo cult “Corra Lola, Corra”, adaptando um romance (daqueles ditos como inadaptáveis) originalmente escrito por David Mitchell não era para esperar menos do que algo grandioso tanto em seu tempo de duração quanto em suas ambições artísticas.

cloud atlas sturgess

Na trama acompanhamos em um ritmo frenético seis histórias diferentes que vão desde o Pacífico Sul do século 19 até um longínquo futuro pós-apocalipse nuclear. Entre os saltos temporais (e das histórias) seguimos ainda uma situada momentos depois da segunda guerra mundial sobre a criação de uma obra prima musical e um amor homossexual ‘proibido’, uma investigação jornalística sobre usinas nucleares na década de 70, um grupo de velhinhos tentando fugir de um hospício nos dias atuais (que é hilária: “eu sei, eu sei…”) e uma ainda numa Seul futurista de 2144 que envolve uma empregada de uma cadeia de restaurantes que se torna o embrião de uma revolução.

Sem pedir licença, as histórias vão se alternando de forma quase alucinante, o que pode deixar os espectadores um pouco perdidos no início. De forma surpreendente e interessante elas vão se conectar, essa é a promessa da divulgação do longa e que é cumprida, mas não é com uma linha mestre que une todos os ‘cenários’, mas sim com ligações mais sutis que aí envolvem discussões filosóficas, cármicas e sobre vidas passadas e destinos de cada um na evolução dos tempos.

cloud atlas

Durante a suas quase 3 horas de duração, “Cloud Atlas” é um verdadeiro passeio entre os gêneros cinematográficos, muita ficção científica, drama, aventura, alguns momentos de ação e, para completar, divertidos momentos de comédia. Dentre as referências a outras obras uma das mais interessantes é a que se faz ao clássico pós-apocaliptico “Soylent Green” por duas vezes, uma verbalmente na fuga do hospício e outra incluída na história do destino das atendentes da rede de restaurantes da Neo-Seul. Isso ajuda enriquecer ainda mais a obra.

Assim como tudo em “Cloud Atlas” o elenco também é imenso, e uma das melhores coisas é acompanhar os diversos personagens que cada ator faz, as épocas vão se alternando, o filme vai caminhando para o seu desfecho e o jogo do “quem é quem” em cada uma dessas histórias é muito gostoso de se acompanhar. E aí varia bastante, os atores alternam entre vilões e mocinhos, pessoas normais e até entre sexos. Ao final, durante os créditos, são exibidos cada um dos personagens interpretados por cada um dos atores e, alguns deles, são bastante supreendentes. Alguns outros ficam forçados, como por exemplo quando temos uma oriental ‘transformada’ em uma ruiva.

jim-broadbent-in-cloud-atlas

Visualmente fantástico e com belíssimos efeitos especiais, “Cloud Atlas” – me recuso a dizer ‘A Viagem’ – provavelmente não dará tanto o que falar quanto obras como Matrix, mas é uma experiência que merece ser assistida, discutida e repensada. Mais do que apenas um filme grande e pretensioso (e vale um parêntese, não vejo essa pretensão como algo ruim conforme muitos vem comentando por aí, em especial a crítica especializada), é uma exploração de como atos individuais, sejam eles bondosos ou maldosos, podem impactar através das eras para transformar o fluxo da vida e dos destinos de cada um.

Ps: Para quem achou tudo muito grande e complicado, a dica é dar uma olhada nesse ótimo post do Poses e Neuroses:

Link: Para Entender A Viagem / Cloud Atlas


Excelente: Classificação 5 de 5
poster filmeA Viagem (Cloud Atlas, 2012/2013 – 172 min)
Ficção Científica, Fantasia

Um filme de Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer adaptando romance de David Mitchell. Estrelando: Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi, Zhou Xun e Doona Bae.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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15 Comments

  1. Eu assisti na estréia e confesso que no início me perdi mesmo. No meio do filme, ainda sem entender muito bem o que cada um era, percebi que o filme era grande (não falo de tamanho, mas de qualidade de conteúdo). E comecei a me esforçar para assimilar o início com o que estava acontecendo ali, por volta das 1h e 20 de projeção. A experiência é fantástica, o filme é fantástico. Tenho que assistir de novo.

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  2. Tava priorizando os filmes do Oscar, mas esse fim de semana devo conferir esse aí.

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  3. É interessante que mesmo com a confusão inicial e sem captar alguns detalhes na primeira apreciação, o filme nos dá uma sensação de sentido, até porque o roteiro das seis histórias se constroem em paralelo abrindo e fechando cada arco no momento certo. Gosto do filme, apesar de achar que eles poderiam facilitar um pouco a “acessibilidade” para público.

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  4. vc foi a primeira pessoa que falou bem desse filme,pois nos outros blogs e sites a maioria o taxou de mediano ou ruim hahaha………

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    • Aí daqui a alguns anos estes mesmos blogs e sites vão chamá-lo de “cult” hehehe

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  5. eles nunca mais na vida deles farão um filme que supere Matrix…

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    • Assim como Tarantino dificilmente irá superar “Pulp Fiction” ehehehe

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      • podes crer…Pulp Fiction tbm é o meu favorito do Tarantino…

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  6. É man, fui assistir na sexta esse filme e vou postar sobre ele hoje.
    Não gostei tanto quanto você, mas é um ótimo filme e bem interessante.

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    • Nem se preocupe man, quase ninguém gostou tanto assim quanto eu, posso contar nos dedos a turma que está comigo hehehehe

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  7. extremamente ambicioso e um belo acerto dos wachowski… pretendo rever o filme para captar mais coisas, mas de fato é muito bacana acompanhar as ligações entre os séculos e também identificar os personagens.
    é engraçado, as 6 histórias separadamente não são grande coisa… mas fazendo parte do todo… formam um EXCELENTE filme.

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    • É isso Bruno, concordo contigo. Você é mais um integrante da curta lista dos que acharam “Cloud Atlas” um excelente filme. Pelo menos não estou sozinho hehehe.

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  8. O filme é ótimo. Graças a Deus fui alertada pelo meu namorado logo no início a prestar atenção nos personagens, aí ficou mais fácil de gostar. Muito bom, 5 merecidos controles.

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  9. Eu acho que foi dito muito sobre a pretensão do filme pela forma escolhida para contar a história buscando dar um ar de grandiosidade até cósmico. Isso está muito nos olhos de quem vê, mas não é um pensamento que acho totalmente descabido. Para mim não passou essa imagem de forma que incomodasse tanto.

    Eu achei o filme bom, não é excepcional, bem longe disso. Conta com algumas falhas técnicas, algumas decisões de roteiro bastante questionáveis se foram para melhor ou para pior (a meu ver para pior) e um alongamento desnecessário de algumas telas da grande figura.

    Um erro muito cometido por times técnicos que tem alguma competência é que quando adaptam eles pensam que devem esmiuçar e trazer absolutamente tudo do que está sendo adaptado e nem sempre pensam se vai ficar bom no formato que estão inserindo. Este é um dos defeitos de “A Viagem”.

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  10. Adorei!
    Fiquei chocada por não ter sido indicado pelo menos a melhor maquiagem, sem contar outras categorias técnicas que merecia =/

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