Django Livre (Django Unchained)

Só existem dois tipos de pessoas que podem não gostar de Django, aquelas a serem estudadas e que não curtem as obras de Tarantino ou aquelas que estão sendo procuradas vivas ou mortas. Goste você ou não, Quentin Tarantino é um dos maiores ícones do cinema e enquanto ele estiver na ativa seus trabalhos sempre estarão cercados de muitas expectativas e ansiedades, o que não foi diferente com seu novo filme lançado lá fora em 2012 mas que só chegou agora no início de 2013 aqui no Brasil, “Django Livre (Django Unchained), mais uma excelente e super divertida obra de sua filmografia tão peculiar.

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Na trama conhecemos o ‘Dr.’ King Schultz (Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”) que se apresenta primeiramente como um dentista mas que na verdade é um caçador de recompensas. Ele compra a alforria de um escravo chamado Django (Jamie Foxx, “Quero Matar Meu Chefe”) e, em troca da sua liberdade, solicita a ajuda dele para resolver ‘um trabalho’. Além da promessa de liberdade, Schultz treina Django em sua ‘profissão’ e se compromete a ajudá-lo a recuperar a sua esposa que foi vendida para algum desconhecido fazendeiro do sul americano.

Quem mais poderia criar um conto de velho oeste no sul dos Estados Unidos e ainda trazer a tona uma discussão sobre o racismo de uma forma tão feroz e, tremam os que não entenderam ou não curtiram, engraçada? E o que falar da trilha sonora que insere até mesmo raps em meio ao bang-bang? Seu estilo único de transformar os gêneros em algo bastante particular é um dos fatores que fazem de Tarantino um cineasta tão admirado.

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Adoro a forma como ele constrói as cenas ‘sem pressa’. Enquanto diálogos espirituosamente profanos (e marcantes) auxiliam na tarefa de apresentar/montar cada um dos personagens (e cenas), o espectador é convidado a esperar pelo momento certo de ver o sangue jorrar, e esta espera é muito bem recompensada pois, quando é chegada a hora, o sangue jorra grosso (lá ele) pintando paredes de vermelho vivo enquanto mortos se amontoam, cabeças explodem, membros se despedaçam e corpos são arremessados para todos os lados. Falando assim nem parece que se trata apenas de uma história de dois bons companheiros que possuem como missão final resgatar uma princesa.

O elenco é um show a parte, Cristoph Waltz está excelente, quase sempre rouba a cena e é um dos melhores (mais uma vez). Jamie Foxx protagoniza muito bem e entra pra lista dos principais (anti?) heróis tarantinescos. E o que dizer de Leonardo DiCaprio e seu hilário vilão? Melhor que ele só mesmo Samuel L. Jackson que já se tornou um meme até na internet fazendo um ‘puxa-sacos’ sensacional, é de chorar. Na verdade é difícil encontrar alguém fora de sintonia, até mesmo os que fazem uma pontinha como Jonah Hill e o próprio Tarantino tem os seus momentos.

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– Mas Tarantino já fez filmes melhores que esse Django aí!
Retruca a jovem hipster de óculos de acetato aro grosso e camisa de alguma banda indie que ninguém nunca ouviu falar.

Pode até não ser o seu melhor trabalho, mas não deixa de ser mais uma excelente obra dessa sua filmografia tão interessante e particular. Brutal e extremamente violento e divertido, só mesmo não sendo fã do estilo tarantinesco de fazer cinema ou estando com a cabeça a prêmio para não gostar de Django.

Ps: Existe uma cena ‘escondida’ de 2 segundos após os créditos.
Ps2: Como fã de Tarantino e dono do blog tomei a liberdade de ser bastante passional. Podem chamar a polícia da internet.


Excelente: Classificação 5 de 5

django-unchained-poster2Django Livre (Django Unchained, 2012 – 165 min)
Faroeste

Um filme de Quentin Tarantino estrelando Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Zoë Bell, Kerry Williams e James Remar.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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22 Comments

  1. kkkkkkkkkkkk. excelente critica, pra comentar um filme de tarantino, uma critica politicamente incorreta,dando um foda-se pra nerdsinhos…. pra combinar!!!
    pra mim,talvez a sua melhor critica de filme até hje.
    abraço

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  2. Esse com certeza vai estar na lista de melhores do ano.

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  3. Django é sensacional mesmo, a minha cena favorita é acena da sátira a Ku Klux Klan me acabei de rir…eu gosto mais dos antigos, mais esses filmes novos apartir de Bastardos inglorios seguindo uma linha diferente só prova o quanto o Tarantino é genial, será que ele ainda vai fazer um filme de terror? isso eu espero..

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    • Poxa, seria interessante ver Tarantino fazendo um terror com a sua cara hein?

      E esta cena é justamente a cena em que Jonah Hill faz uma ponta, é tão hilária que lembra a turma do Monty Python até!

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  4. Sou fã do Tarantino, Pulp é top 10 da vida e Bastardos no mínimo top 50, mas não gostei tanto assim de Django como eu queria gostar.

    Fazer da violência algo engraçado é algo que o Tarantino se especializou e talvez aqui ele tenha chegado ao ápice nesse sentido, mas não consegui me empolgar tanto com o desenrolar da história.

    Os 4 atores que você citou estão obviamente sinistros e fica difícil escolher o melhor. Acho que escolho o Samuel L. Jackson mesmo, o cara tava muito a vontade pra falar os seus famosos “motherfuckers”

    E não há dúvidas que uma das coisas que fazem o QT ser foda são os diálogos, na realidade os longos monólogos de seus personagens, mas achei eles menos inspirados do que o normal.

    Enfim, obviamente quero ver de novo, mas por enquanto vou de 7/10 ou 4/5.

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    • Uma nota 7 de 10 daria uns 3 de 5 na classificação. Cada um tem uma visão, uma opinião, não se sinta compelido a assistir novamente e mudá-la não, a graça é essa afinal hehehe.

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  5. ainda nem vi esse filme,mas só de ter o Quentin Tarantino dirigindo agente sabe que vale a pena ver,adoro todos os filmes dele,adoro até aquele á prova de morte,que ele disse ser seu filme mais fraco.e apesar de não ter de fato feito um terror ,ele já foi produtor executivo do albergue com seu amigo e diretor Eli Roth,que apesar de muita gente achar apelativo eu acho um dos melhores filmes de terror da atualidade,mas tbm adoraria que ele dirigisse seu próprio terror.

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    • Adoro “O Albergue” também e fui assistí-lo em uma cabine de imprensa sem saber do que se tratava.

      Concordo com Tarantino, “A prova de morte” é mesmo seu pior filme, mas ainda assim não é ruim.

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  6. Eu odeio Jamie Foxx quase tanto quanto eu venero Tarantino! Ainda tô sofrendo com o coração dividido entre as duas emoções. Saí do cinema pensando a mesma coisa que quando li que ele seria o protagonista: filme foda, que merda Tarantino ter feito essa escolha! =S

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    • Não tenho nenhuma birra contra Foxx não, que ódio é esse em seu coração?

      E não vi nada de tão ruim assim em sua atuação no filme. Acho que quem atua pior é o próprio Tarantino, mas sua participação especial é tão explosiva que não tem do que reclamar hehehe

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      • Ah, mas a participação de Quentin nos próprios filmes já é quase uma tradição, mesmo todo mundo (inclusive ele) sabendo que, como ator, ele é um excelente diretor. E eu acho que dá um temperinho ao filme, já que ele mesmo se bota em papeis menos importantes, que interferem menos no andamento da historia.

        Já o Jamie Foxx eu acho péssimo mesmo e acho que, com ele, o filme não foi nem de longe tão legal quanto poderia ser se fosse um Will Smith, um Cuba Gooding Jr, um Denzel Washington ou (minha primeira opção pra esse papel) um Forrest Whitaker.

        Acho que ele fez um papel meio que de um rapper meio metido a gangsta badass, muito mais pra 50-Cent-com-cara-de-mau-e-arma-na-cintura do que pra ex-escravo-que-se-fudeu-muito-na-vida-movido-pelo-amor-e-pelo-desejo-de-reencontrar-e-libertar-a-mulher-e-se-vingar. Em alguns momentos do filme o personagem não tinha qualquer coerência com o contexto passado e isso me doeu um pouco de ver. Os personagens de Tarantino são humanos, profundos, complexos, nunca são só bons nem só maus, são muito mais ricos e difíceis de definir e, na minha opinião, Jamie Foxx Fez um Django raso, com respostas, textos e ações caricatos e previsíveis.

        Não me leve a mal, gostei muito do filme, muito mesmo! Continuo achando Tarantino foda, os diálogos (e monólogos às vezes) foda, Sam Jackson foda, Christoph Waltz foda, Leo DiCaprio cada vez mais foda, e o filme é sim muito bom!

        Mas um filme tão focado num único personagem, interpretado tão assim assim, por mais que meu coração doa em fazer isso com o meu all-time-most-favouritest diretor do universo QT, eu não daria os 5 controles remotos…

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        • Jamais levo alguém que não concorda com meus textos a mal, ainda mais você Clarinha, que é isso.

          As resenhas aqui, pelo menos as que eu escrevo, são bastante passionais mesmo e, por isso, as vezes são divergentes com a maioria das críticas e sites especializados.

          E não se sinta “mal” ou cheia de dedos por não achar que este filme mereça 5 controles, muitos também pensam como você.

          Abração! 🙂

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          • Gosto do ambiente livre de opiniões daqui, por isso que “abri o coração” tranquilamente!

            E, por falar em abrir o coração, vou tentar desarmar o meu e ver o filme de novo pra ver o que acontece!

            Beijo! =D

  7. Ao contrário, eu adoro Taranta. Só discordo da idolatria que se faz em cima dele. Há méritos em seus trabalhos sim, são pessoas como ele que fazem a diferença, mas não que seja um gênio. Ele está mais para um desbravador, um cara que quebra conceitos e avança o tempo, mostrando que não é tempo impulsiona as pessoas, mas o próprio homem e seus desejos.

    Feita esta breve introdução que venha o tópico principal. Ótimo filme, atuações marcantes, direção segura e autoral (como já é de se esperar), mais uma obra acima da média de Quentin. Olhando por um viés ele é melhor que Bastardos Inglórios, mas pior se visto por outros prismas, portanto chamo quase um empate nessa briga.

    No mais, aproveito o momento para perseguir o avoado dono deste blog, pois ele insiste em dizer que esta pérola deve estar em 2013 e não em 2012. AHAHA! Vou encher o saco com isso. Olha que lá vem Lincoln. Ai, ai. 😛

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    • E eu te pergunto, meu caro. Não entra em 2013, não entrou na lista de 2012 que já está pronta (não faz sentido lançar uma lista de melhores do ano 2012 em março de 2013), fica onde estes filmes? No limbo? hehehehe

      O mais certo, e é justamente o que a maioria das pessoas fazem, é contar com a data de exibição em nossos cinemas.

      Fizeram isso lá fora também com “Cidade de Deus” que foi indicado junto com o “Senhor dos Aneis 3”.

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  8. Tarantino é um gênio sim, e a meu ver, na época atual, ele ao lado de Pedro Almodóvar são insuperáveis.

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  9. Gente, o que foi Christoph waltz??? Não tem nenhum vestígio do Nazista de “Bastardos Inglórios” nesse alemão engraçadinho. Também gostei bastante do Leonardo Di Caprio, fiquei bastante surpresa com a atuação dele.Não que eu não ache que seja um bom ator, mas sobra um ranço da minha época de adolescente quando ele era galãzinho de todas nós.

    Eu acho que nem importa tanto qual fime é melhor e blá blá… é mais um filme de Tarantino e pronto. Acho que o único filme dele que eu realmente não gosto é aquele do Grindhouse (não lembro o nome, não é Planeta Terror que é do Robert Rodriguez). Mas é sempre bom assistir um filme do Tarantino, reconhecer a insanidade dele nas cenas. E mais! é mais um filme com uma trilha sonora impecável!!!

    Só uma correção, Márcio: a jovem hipster não usa mais camisa de banda indie desconhecida, agora ela é vintage!!

    E Django é um filme de amor, porra! 😉

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    • O filme ao qual você se referiu também acho o menos legal dele, é o “A Prova de Morte”.

      Vintage né? Anotado hahaha

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  10. Também achei um baita filme e não realmente não curto esse debate hipster se foi ou não o seu melhor trabalho.
    Concordo com o teu cometário sobre o suposto caráter racista do filme, que o Spike Lee criticou. Só pq os personagens falam “niger” 500 mil vezes. Nesse mundo politicamente correto, as pessoas não querem ou não entendem a ironia. O filme ridiculariza os racistas.

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  11. Adorei!
    Falto assistir os miseráveis, mas por enquanto Django é meu favorito! =D

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