O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (The Hobbit – An Unexpected Journey)

Numa toca no chão vivia um Hobbit. Essa é a primeira frase do livro lançado por J.R.R. Tolkien em 1937 que se tornou um dos maiores sucessos literários do mundo. Depois de adaptar a grande saga do Senhor dos Anéis, Peter Jackson convidou todos os fãs da obra de Tolkien a revisitar a Terra-Média para se aventurar no ‘prelúdio’ de toda a saga do anel com o Hobbit Bilbo Bolseiro e sua “Jornada Inesperada”. Uma aventura com momentos muito divertidos e que trouxe ainda um grande avanço para o mundo do cinema com os seus tão falados 48 quadros por segundo (HFR) e que inicia uma trilogia que vai exigir de todos nós MUITO fôlego para ir até lá e de volta outra vez.

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Na trama, o jovem Bilbo Bolseiro (Martin Freeman, “Chumbo Grosso”) certo dia recebe a visita do mago Gandalf (Ian McKellen, “Stardust – O Mistério da Estrela”) o convidando para compartilhar uma aventura com 13 bravos anões. Bastante relutante, Bilbo se vê em meio a uma jornada inesperada rumo a recuperar o antigo lar dos anões que foi tomado por um dragão chamado Smaug e também a conquistar grandes tesouros. A única promessa que ele recebe é que, caso consiga voltar (o que não lhe é garantido), é certo que ele nunca mais será o mesmo.

Alguns diálogos foram adaptados de forma idêntica, sobrando espaço inclusive para uma passagem do primeiro livro do Senhor dos Anéis, ainda assim, muita coisa foi inserida, algumas oriundas de apêndices e outras criadas para dar mais sentido e “liga” a alguns fatos e acontecimentos que, no livro, não são muito explorados. E talvez essa ideia de pegar uma história mais simples e curta e estender em 3 GRANDES filmes – começando por este com suas praticamente 3 horas de duração –  acabou por deixar “Uma Jornada Inesperada” um pouco longo demais e, no final da sessão, me senti exausto. Daria tranquilamente para retirar uns 30 minutos na sala de edição e reservar para uma versão estendida no DVD/Blu Ray afim de deixar a experiência de assistí-lo no cinema menos cansativa.

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Assistir o filme em HFR (High Frame Rate) 3D foi uma deslumbrante, uma experiência simplesmente fantástica. Ao contrário das muitas reclamações que surgiram nos primeiros dias de exibição onde pessoas diziam que era tudo muito real, particularmente achei muito bem vida essa “super realidade”. O visual é impressionante, os cenários são vivos, as cachoeiras parecem estar ali na sua frente, as florestas tudo o mais. Existem algumas coisas que causam ainda certo estranhamento como alguns momentos de luta e as chamas (se bem que as faíscas ficaram coisa linda). A parte dos monstros (orcs, wargs, goblins, etc) que eu achei que seria um problema foram uma das melhores coisas, mais fascinantes até do que ver os atores reais em “alta definição”.

Na parte técnica não existe brecha para muitas reclamações e, seguindo assim, a direção de Peter Jackson é muito boa, principalmente no trabalho com o elenco. Ian McKellen segue muito bem como Gandalf, O Cinzento – ele inclusive confidenciou que gosta mais da sua versão cinzenta do que da branca – e na trupe dos anões existe espaço para a maioria deles se desenvolverem bem (ainda que tenha achado que Bombur poderia aparecer mais). Só que quem rouba a cena é Martin Freeman que está simplesmente sensacional. Embora a cena mais lembrada e comentada seja o seu duelo de advinhas com Smeagol/Gollum (Andy Serkis), tem muitas situações em que ele surge se esgueirando por detrás do grupo ou dando aquelas “olhadelas” nos planos e reuniões que são geniais e hilárias.

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Apesar de ser claramente esticada até não poder mais, a história traz uma jornada interessante de acompanhar e com momentos bem divertidos. As canções dos anões que pareciam prometer um longo suplício quando foram apresentadas nos trailers se mostraram um dos grandes acertos do filme. Não sei se chega ao status de um épico (quando o que mais me sobressai numa obra cinematográfica são os quesitos técnicos e não a emoção transmitida da tela, é porque está faltando algo), até por conta de sua longa duração e inserções na história que se mostraram desnecessárias, mas o retorno à Terra Média foi, sem sombra de dúvidas, muito bem vindo.

Se todos vamos ter fôlego suficiente para mais duas longas e grandiosas jornadas nas salas de cinema com as vindouras segunda e terceira para desta trilogia, sinceramente, não sei ainda responder (vai do amor de cada um pela obra).  O que sei é que  “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada” é sim um ótimo filme, mas não tanto quanto eu imaginei e gostaria que fosse.


Ótimo: Classificação 4 de 5

primeiro-poster-em-portugues-do-filme-o-hobbit-uma-jornada-inesperada-11012-1349113436361_735x10801O Hobbit – Uma Jornada Inesperada (The Hobbit – An Unexpected Journey, 2012 – 169 min)
Fantasia, Aventura.

Dirigido por Peter Jackson com roteiro de Peter Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens e Guillermo del Toro. Estrelando: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, James Nesbitt, Adam Brown, Aidan Turner, Dean O’Gorman, Graham McTavish, John Callen, Stephen Hunter, Mark Hadlow, Manu Bennett, Peter Hambleton, Ken Stott, Jed Brophy, William Kircher, Jeffrey Thomas, Mike Mizrahi, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Elijah Wood, Andy Serkis, Sylvester McCoy, Lee Pace, Bret McKenzie, Barry Humphries e Benedict Cumberbatch.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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25 Comments

  1. Agora me convenci a rever em HFR. Quanto ao tamanho do filme, nem vida o tempo passar.

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    • Provavelmente eu sou o chato man, de ter achado o filme longo. Assistí-lo em 3d (mesmo que no HFR) numa noite de sexta-feira talvez tenha motivado o meu cansaço.

      Assista novamente em 48 quadros, eu fiz um esforço pra ver já de primeira assim pois saberia que dificilmente arrumaria tempo pra revê-lo nos cinemas.

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  2. Então…
    O texto está ótimo (como sempre haha), mas eu fiquei com uma pulga. Não sei se assisti 48 FPS. Fui no UCI mesmo, 3D Dub, mas eu não sei se foi 48, parecia muito normal.

    Quadros a parte, eu gostei muito do filme. Acho que merece as estatuetas de direção de arte, fotografia e maquiagem, pq estavam ótimas. As cenas com Galadriel foram impressionantes.

    PS.: Quando eu ouvi “Numa toca no chão vivia um Hobbit”, eu arrepiei hahahaha
    PS².: Genial aquele jogo de sombras e câmeras e tal pra não revelar o dragão né? (aimeodeosnãoseisefoispoiler)

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    • Tinha apenas uma sala no UCI Iguatemi em Salvador (dublado mesmo) passando em 48 frames man. E se você tivesse assistido nessa tecnologia teria notado uma diferença enorme no visual, sendo assim, acho que você viu a versão normal mesmo.

      E eu também me arrepiei quando começou com essa frase.

      Sim, a cena é genial e deixou um gosto de quero mais realmente. Que venha 2013!

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  3. Olha que o Martin podia ter feito muito mais como Bilbo, mas concordo que ele conseguiu demonstrar bem as expressões como seriam realmente. Eu não achei o filme longo. Os problemas para mim foram outros.

    Já falaram que a versão de DVD tem mais 40 minutos que aí talvez me pergunto do que será, pois não vejo o que mais inserir de interessante. As alterações frente a obra não foram todas acertadas sob minha ótica, mas ainda reputo como um filme muito bom para determinado de postura ao ser assistido.

    Captcha Márcio?

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    • Tive que colocar o Captcha man contra minha vontade, o servidor tava recebendo muito acesso de SPAM (cerca de 300 comentários falsetes por dia) e eles estavam bloqueando meus arquivos e tal, um inferno.

      Por enquanto vai ficar esse captcha aí de soma, mas vou colocar um esquema que já tiver comentado uma vez aqui não precise mais preencher captcha.

      Abração

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  4. quando eu assistir nos 48 quadros 3D..não senti o tempo passar..pra mimo filme era menor..depois quando vi em 2D…aí eu senti esse peso dessas horas..foi até bom..eu pensava que era curto, mais depois que caiu aficha de quão o filme era longo..me senti mais aliviado pois é assim que eu gosto..eu achei o filme excelente, tanto que assistir duas vezes..e estou lendo o livro de acordo com o filme..esse mesmo são os 6 primeiros capitulos do livro…ele até que não mudou muita coisa, comparado com o livro…o filme tem muito mais ação…eu só queria que apenas o final fosse igual ao sexto capitulo do livro..o resto ficou perfeito..espero está lá de volta outra vez….

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    • Quanto as coisas que ele inseriu algumas vieram até em boa hora Thiago, como a questão das motivações de cada um e tudo mais, ficou mais crível do que simplesmente vamos ali numa aventura com 13 anões atrás de um dragão, mas também tiveram coisas que só fizeram o filme se alongar sem muito ganho para a história, deixando o ritmo do filme meio inconstante.

      Mas eu achei um ótimo filme e espero ir até lá e de volta outra vez também!

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  5. nem vou falar nada pois nem assisti,mas quando soube que tinha a ver com os filmes de o senhor dos anéis desanimei,adoro os atores mais odeio os filmes.sei que serei cruxificada aqui mas dormi assistindo todos eles,por isso passarei longe desse,foi mal aí Marcio 🙁

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    • é um prelúdio para a Saga do Senhor dos Anéis, se gostasse de ler fantasia medieval eu recomendaria o livro do Hobbit muito mais do que os livros do Senhor dos Anéis.

      Mas já sei, pelo seu perfil, que não é muito chegada em filmes divertidinhos e engraçadinhos de aventura, portanto, talvez seja melhor não assistí-lo mesmo Vanessa hehehe.

      []´s

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  6. Ainda acho que poderia rolar mais um controlezinho ali, Marcio! Mas concordo com praticamente tudo o que você disse. Só a experiência de “voltar” a Terra Média já valeu o filme inteiro (pra mim, pelo menos). Parabéns pela crítica, Man! Sempre acertando em cheio.

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    • Talvez realmente pudesse até merecer mais um controle, mas como não o achei um filme “completo”, resolvi deixar os 4 controles.

      E que bom que concordou com o que escrevi, no final das contas é o mais importante e o que realmente vale, os controles são apenas uma hierarquia de classificação que, as vezes, escalono muito mal. Mas é difícil se manter assim.

      Grande abraço!

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  7. Estou com boas expectativas em relação ao filme, até porque sempre fui fã do mágico universo de Tolkien. Nunca li O Hobbit (apesar de só ter sossegado quando li a trilogia dos Anéis na adolescência, era minha meta de vida), mas confio inteiramente na genialidade de Jackson.

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    • Apesar de adorara a trilogia do anel, prefiro o livro do Hobbit por seu tom mais divertido e despreocupado, mas leve de se ler.

      O filme tem um pouco desse espírito, o único problema foi mercadológico, esticar a história para 3 filmes.

      Acho difícil se decepcionar com o filme

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  8. Já eu não tinha boas expectativas com o filme, então me surpreendi muito positivamente!

    Apesar de não ter me cansado e gostado de cada minuto, acredito que o filme poderia melhorar sim se fosse editado. Seria a mesma coisa que aconteceu com A Sociedade do Anel no cinema e a versão estendida, mesmo a estendida sendo ótima, a que vimos no cinema funciona muito melhor.

    Tb gostei muito da atuação de Martin Freeman, justamente por esses detalhes que você mencionou.

    Não sei se terei empenho de rever em 48, pois quero ver outros filmes recém-lançados, mas acho que vale a pena o esforço.

    Abraços!

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    • Foi por não saber se teria tempo, fôlego ou vontade de assistir mais de uma vez que resolvi encarar logo ele nos 48 frames hehehe

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  9. É isso, é um filme divertido, bem feito, mas visivelmente esticado para render, hehe. Vamos ver o que ele consegue fazer nas outras duas partes…

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    • Tenho um palpite de que o segundo, A Desolação de Smaug, será o melhor dos três.

      O terceiro já vai envolver muita coisa oriunda de apêndices e etc, deve fugir mais da história.

      Oremos

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  10. Legal saber que você gostou! Tinha lido a resenha da Veja, que não tinha sido muito elogiosa – se não me engano, ganhou duas estrelas de cinco – e fiquei desanimado de assistir o filme. Mas já que você curtiu, acho que não custa dar uma chance.

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  11. Muito bom!! Só achei também que poderia ser um pouco mais curto.

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  12. O início foi muito lindo com som do Condado nos ouvidos, fiquei emocionado. Não tenho do que reclamar, não me cansei, pelo contrário, desejei mais.

    Peter Jackson acertou em aumentar o número de filmes, seria impossível fazer The Hobbit em apenas um único filme, aliás, fica ótimo mostrar um pouco mais do que Gandalf faz ou pensa, porque no livro some e aparece sem dar explicação de nada. O Senhor dos Anéis é um livro maior, verdade, porém, quem leu sabe muito bem que grande parte é de descrições e informações (só o inicio é meio livro “enrolado”), tudo é muito lento. O Hobbit mesmo sendo um único livro é todo o momento em uma aventura, várias passagens, se fosse um filme menor iriamos ver eles chegando do nada em todos os lugares, e deixaria de ser uma aventura boa aventura, seria estranho e rápido demais. Para mim está ótimo como está.

    Thorin ficou muito grandioso, melhor que o personagem do Tolkien nos livros. O filme não ficou tão infantil como nos livros, os anões sem aquelas capas coloridas ou sendo bobões demais. (risos)

    Minha cutucada vai em alguns anões que não parecem anões, até as mulheres são descritas/ditas como barbudas e até difíceis de definir, porém, no filme temos uns bonitos e cara quase limpa, entendo querer deixá-los mais fáceis de memorizar por suas diferenças, porém, acho que fugiu em alguns características de um anão.

    PS Não assisti em 48.
    PS O segundo filme será melhor, mas o momento épico e memorável será o terceiro; quem leu sabe como o final é incrível demais e surpreendente.

    Até, M. Melo, boa escrita como sempre.

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  13. Sabe uma coisinha de nada que eu senti falta? da reclamações de Bilbo durante a viagem…ele só reclamou do lenço a primeira vez e pronto,e eu me divertia muito no livro com ele insatisfeito, assim como nem deu pra perceber que eles não tinham comida quando chegaram a Valfenda…aliás, eu tenho uma memória péssima, mas me lembrava que demorava horrores até chegar a Valfenda…

    Assisti normal, mas em 3d, e achei o 3d completamente desnecessário

    No mais, adorei, e apenas…

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    • Até nos 48 quadros onde o 3D fica mais confortável de se assistir, ele não se justifica tanto.

      Imagine que tem gente reclamando dos 45 minutos que levaram pra sair do condado e você querendo mais um tempo pra chegar em Valfenda hehehe

      Eu achei que o tempo do filme para cinema, no geral, foi um pouco longo. Numa versão estendida em DVD/Blu ray va lá.

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      • hahahahhahahahah foi esse tempo todo pra sair do condado? hahahh

        rapz, o filme é longo, é, mas é beeem mais leve do que O senhor dos anéis, assim como o livro, né? eu assisti 3d pq fui no sábado e só tinha essa cópia legendada, e tava o tempo todo pensando “que loucura, assistir 3 horas de filme em 3d”, mas no final, não foi tão doloroso quanto eu imaginava…passou até rapidinho.

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  14. acabei de rever o filme pela terceira vez em Qualidade Bluray, é fatastico a perfeição deste filme, dá pra ver até os detalhes dos rostos dos personagens, seus traços perfeitos, eu me emocionei mais uma vez em FullHD..uma espereiencia que será repetida ao longo dos anos, assim como eu faço com “o Senhor dos anéis”….que Dezembro chegue logo…

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