Finalmente (palavra que será usada mais de uma vez neste texto) serve para representar o sentimento de alívio que tomou conta de mim com “Amanhecer – Parte 2”, o último filme da tão falada “Saga Crepúsculo”. A estratégia de dividir o último capítulo em dois se mostrou desde a TERRÍVEL primeira parte apenas mercadológica, já que o conteúdo apresentado foi insuficiente para duas produções, aliás, toda a saga poderia ser facilmente resumida em 2 filmes nos cinemas. E digo isso sem querer desmerecer a franquia, até porque assisti toda ela de peito aberto (sem brilhar no sol feito purpurina) e desde o primeiro momento entendi que sempre se tratou em sua essência de uma história de amor, com vários defeitos e algumas poucas qualidades.

A trama se inicia momentos depois do desfecho de “Amanhecer – Parte 1”, Bella (Kristen Stewart) agora experimenta como é bom ser uma vampira e precisará aprender a controlar o seus instintos e, de quebra, ser mãe e esposa de seu amado Edward (Robert Pattinson). A sua filha além de despertar interesse de Jacob (Taylor Lautner), que a história originalmente escrita por Stephenie Meyer coloca como um tal impriting que é apenas uma desculpa para resolver de maneira fácil o triângulo amoroso mesmo que para isso sirva de insinuações à pedofilia (quem se importa né?), desperta também o interesse dos malvados vampiros Volturi. Tudo leva a crer que o bicho vai pegar e um prenúncio de uma batalha épica começa a reunir os vampiros ao redor do mundo.

O início do filme beira o tedioso e existe um “show-off” de poderes vampíricos galhofa por demais. Primeiro com Bella – que inacreditavelmente aprende a controlar seus instintos de maneira trivial – e depois com aparições de vampiros ao redor do globo, uns fazem foguinho, outros dão choquinho e, dentre vários outros, existem os brasileiros que são daquele jeito que os gringos acham que somos, índias amazonenses com poderes de simular coisas na sua mente como uma floresta tropical imensa cheia de macacos, coisa linda de se ver.

Verdade seja dita, apesar do início não ser lá muito animador, ele reserva alguns bons momentos de humor que ajudam a amenizar um pouco e, confesso, me diverti em algumas cenas até. Só que toda a diversão acabava sempre que aparecia o bebê Renesmee numa computação gráfica HORROROSA e ASSUSTADORA. Não sei quantos meses serão precisos para eu voltar a dormir em paz. Na tentativa de deixar o rosto da filha “meia imortal” (recebam mais essa) do casal principal mais parecida com sua versão ‘atual’ (a da atriz mirim no caso) só o que conseguiram mesmo foi deixá-la parecida com o CRAMUNHÃO DE ASAS. E ela vai crescendo rapidamente, como é mostrado na história, e não melhora. Até mesmo numa visão que mostra ela já “adulta” ela parece um alien. O horror, o horror.

Do elenco as atuações que mais chamam a atenção são de, pasmem, Kristen Stewart e é inclusive dela uma das melhores cenas do filme quando enxota o papa-anjo do lobinho de sua casa e, outro que está muito bem também, Michael Sheen numa versão ultra-afetada do chefe dos Volturi. O restante não sai muito do habitual.

A melhor e a pior coisa, em minha opinião, de “Amanhecer – Parte 2” é o embate final, o clímax não só deste filme como de toda a saga, a luta para proteger Renesmee. Todos os acontecimentos convergem para este momento que foi visto por mim e por vários outros espectadores em minha sessão com total incredulidade perante a tudo que estava sendo apresentado. Foi aí que mais uma vez me veio a palavra FINALMENTE. E porquê é a melhor e a pior coisa? Só poderei explicar com alguns spoilers, e aí vai (pra quem já assistiu o filme leia abaixo):

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[AVISO DE SPOILERS]

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Quando o campo de batalha começa a cheirar a morte (parafraseando o poeta Edson Gomes) nem dá tempo do espectador respirar e cabeças voam e personagens importantes morrem. As lutas são incríveis e meus olhos incrédulos estavam emocionados de tanta alegria. O que mais pensava era que tinha valido a pena ver tanta baboseira para chegar até aqui. No momento em que a vampira volturi interpretada por Dakota Fanning se caga de medo e tenta correr eu gritei no cinema: CORRE VADIA! E a emoção de vê-la sendo almoçada foi demais para mim. Sério, sensacional demais.

Só que claro, “A Saga Crepúsculo” não pode ser assim, não pode ser tão boa e tão legal, parece ser uma indicação proibitiva. E  recebi aquele balde de água fria quando é mostrado que nada daquilo aconteceu (era só a previsão do que PODERIA ocorrer se a luta seguisse) e tudo se resolve com um “não quero pagar pra ver e nem pra morrer, então beleza, não vamos lutar”. Foi nessa hora que dei meu segundo grito no cinema, um ‘PQP’ seguido de vários “não acredito”.

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[FIM DOS SPOILERS]

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No final das contas “Amanhecer – Parte 2” é apenas um filme regular tendo em conta o início que não contribui muito, a computação gráfica utilizada para produzir uma das coisas mais assustadores que vi na minha vida nos cinemas e, principalmente, o grande coito interrompido que é a batalha final. Tem seus méritos sim, consegue divertir em alguns momentos e tem algumas cenas interessantes, mas foi muito pouco e muito tarde.



A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 (The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2, 2012 – 115 min)
Romance

Dirigido por Bill Condon com roteiro de Melissa Rosenberg adaptando romance de Stephenie Meyer. Estrelando: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Ashley Greene, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Mackenzie Foy, Lee Pace, Dakota Fanning, Maggie Grace e Michael Sheen.

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