Polissia (Polisse)

Vencedor do prêmio de juri do Festival de Cannes, “Polissia (Polisse)” traz para os cinemas um assunto delicado e polêmico, o abuso infantil (em principal a pedofilia). Extremamente bem atuado, o filme se baseia em (terríveis) fatos reais para construir um drama policial com um “ar documental” capaz de fazer o espectador enfrentar estes problemas ‘cara a cara’, uma produção que, mas do que recomendada, se torna necessária de ser assistida por todos.

Na trama acompanhamos o dia a dia de uma seção especial da polícia francesa que é encarregada de combater crimes contra crianças e adolescentes que vão desde pedofilia a tráfico e prostituição. Mais do que encarar de frente esta dura realidade em suas jornadas de trabalho, eles precisam ainda conciliar seus problemas pessoais e familiares. Em meio a esta rotina, uma fotógrafa (Maïwen) surge para acompanhar o trabalho destes policiais.

Além de atuar, Maïwen dirige e co-escreve o roteiro (em parceria com Emmanuelle Bercot). Um esforço impressionante e muito bem executado em todas as ‘esferas’. Trazer para a história relatos verdadeiros foi um grande acerto e ajudou a dar maior realidade com tudo o que é apresentado. É impossível não se impressionar com o envolvimento deles em resolver os casos ao mesmo tempo em que precisam lidar com seus próprios problemas, divórcios, dificuldades em engravidar e por aí vai.

Os problemas particulares e esta entrega dos ‘policiais’ em resolver todos os casos, enfrentando até mesmo um chefe que parece não se importar com nada (segue aquela linha de lavar as mãos ou de favorecer pessoas importantes) ajudam a tornar todos os personagens essencialmente humanos, e não apenas estereótipos manjados. Tá certo que o desfecho deixa um pouco a desejar por seguir um caminho meio exagerado, mas ainda assim trata-se de um ótimo filme.

Comentar mais a respeito de “Polissia” seria entregar detalhes que só fariam estragar a surpresa de  quem ainda pretende assistí-lo. Mais do que uma história com início, meio e fim, trata-se de um tipo de produção que clama por ser assistida, muitos dos relatos são vistos diariamente nos telejornais e noticiários mundo afora. Os problemas existem e sempre estiveram por aí. Como combatê-los? E as pessoas que lidam com isso no dia a dia, como ficam nessa história toda e como conseguem conviver com seus próprios dramas pessoais?

PS: Sim, o título nacional propositalmente ficou Polissia.


Polissia (Polisse, 2011/2012 – 127 min)
Drama, policial

Dirigido por Maïwenn com roteiro de Maïwenn e Emmanuelle Bercot. Estrelando: Maïwenn, Karin Viard, Joey Starr, Marina Foïs, Nicolas Duvauchelle, Frédéric Pierrot, Arnaud Henriet, Riccardo Scamarcio, Wladimir Yordanoff e Karole Rocher.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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6 Comments

  1. Algum cinema aqui de ssa com ele em cartaz? Nem vi falar desse…

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  2. parece ser do mesmo nível de tráfico humano e a infomante, filmes dos quais eu gostei muito,porque se for deve ser bem chocante,pena que esse tipo de filme faz nossos olhos suarem 🙁

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    • Não é tão chocante assim, não em questão de cenas fortes e tal. É triste quando você sabe que essas coisas acontecem direto e a gente vai deixando pra lá e fingindo não se importar.

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  3. Achei excelente. Inclusive o desfecho final, mostrando que o impacto psicológico dos crimes de pedofilia era insuportável.
    Para mim a única coisa que deixou a desejar foi a atuação da diretora como a fotografa, tudo bem que havia necessidade de um personagem assim para dar o ar documental ao filme, porém achei ela muito irritante e a participação sem pé nem cabeça, estilo sou feinha, mas sensual.

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    • Realmente Fred, na verdade ela é super estranha por si só, mas é toda esquisitinha e não sei o que, enfim, mas de fato não chega a atrapalhar muito mesmo não.

      Sim, é mais um daqueles filmes passam desapercebido e sem muito espaço no cinema mas que merecia mais público, merece ser assistido.

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