Na minha lista de diretores favoritos David Fincher ocupa um lugar de honra e, de início, foi o suficiente para me fazer assistir “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo)”, que é a adaptação americana (referenciá-lo como um remake pode soar tal qual uma ofensa nos tempos atuais) do primeiro dos três livros best sellers escritos por Stieg Larsson. Não cheguei a ler os livros e tampouco assisti a elogiada trilogia do cinema sueco, mesmo assim acredito que esta foi uma das raríssimas vezes em que a preguiça dos americanos em ler legendas resultou em uma obra excelente.

Na trama acompanhamos a vida do jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig, “Cowboys & Aliens“) que depois de uns contratempos é contratado para investigar o desaparecimento de uma garota numa pequena cidade Sueca, caso este que aconteceu há mais de 40 anos e nunca foi solucionado. Uma garota hacker chamada Lisbeth (Rooney Mara, “A Rede Social”) chega para auxiliá-lo nessa busca e, juntos, descobrem mais coisas do que “deveriam”.

O filme foi lançado lá fora no ano passado mas só chegou aos nossos cinemas no início deste ano de 2012, pouco antes de sua participação no Oscar em que venceu o prêmio de melhor montagem (fora outras 10 premiações em outros festivais). A direção de Fincher é, como de praxe, muito segura e o seu trabalho com o elenco é espetacular e o roteiro de Steven Zaillian, pelo que andei lendo, é bem fiel ao romance escrito por Stieg Larson.

A forma como a história vai se desenrolando e, principalmente, a medida que os personagens vão sendo apresentados e vão entrando no “jogo investigativo” é muito interessante e consegue fisgar o espectador desde o início por nos deixar diante de algo bastante curioso. Mais genial ainda é a forma como todos os arcos vão se entrelaçando e, quando você menos espera, a história muda de perspectiva.

Na linha de frente do elenco Daniel Craig faz bem o seu papel, ainda que o peso de ser o atual “Bond” esteja sobre suas costas, mas é a hacker tatuada e “esquisita” interpretada por Rooney Mara que rouba o filme para si. Ela aparece de início ser apenas uma auxiliar qualquer, mas rapidamente surgem cenas extremamente fortes com sua personagem e, aos poucos, ela se transforma numa heroína bem ao gosto de David Fincher, sofrida e nada modesta (alguns diriam petulante). O restante do elenco de apoio também entrega importantes atuações.

A esta altura é bastante complicado comentar algo que já não tenha sido falado sobre esta excelente produção, afinal, não bastasse o belo trabalho na direção, no roteiro e nas atuações de todo o elenco, “Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” ainda possui uma excelente qualidade técnica com uma poderosa trilha sonora. Não tenho, infelizmente, como comparar com o livro e tampouco com sua versão sueca, mas se eles forem ainda melhores que esta ‘versão americana’ sinto que preciso urgentemente rever meus conceitos e correr atrás de conhecê-los o quanto antes.

É difícil não se render ao talento de David Fincher que, como poucos seriam capazes, conseguiu aqui com essa história da garota com a tatuagem de dragão e todos estes homens maus que não amam as mulheres fazer um suspense investigativo intenso, forte e ao mesmo tempo cativante e capaz de emocionar. Para mim é esta a maior beleza deste filme e que faz dele um dos melhores do ano.


Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011/2012 – 158 min)
Suspense, Thriller.

Dirigido por David Fincher com roteiro de Steven Zaillian adaptando romance de Stieg Larsson. Estrelando: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Steven Berkoff e Joely Richardson.

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