A regra da máquina de escolha de títulos nacionais para filmes é clara: Se tem viagem no tempo tem que ter “do futuro”, e foi assim que o simples “Looper” ganhou o subtítulo de “Assassinos do Futuro” e chegou aos cinemas brasileiros dividindo opiniões. Alguns apontam um roteiro cheio de furos e problemas, outros acreditam que se trata de uma produção com uma trama inteligente, uma reviravolta surpreendente (tendo em vista o que tinha sido mostrado no trailer) e com atuações bastante convincentes de um elenco bem recheado, e é neste segundo grupo que este que vos escreve se encontra.

Na trama somos apresentados a um “looper” chamado Joe (Joseph Gordon-Levitt, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”) que nos explica (em uma narração em off) como funciona o sua profissão: 30 anos no futuro (do filme) a viagem no tempo foi inventada, de lá organizações criminosas enviam para o ‘presente’ (2042) pessoas para serem assassinadas por eles. Trabalho simples já que eles já aparecem amarrados e com rostos cobertos. As coisas começam a complicar quando ele encontra sua versão 30 anos mais velha (Bruce Willis, “Os Mercenários 2”) que escapa de suas mãos.

Brincar com questões envolvendo viagens no tempo é sempre muito difícil, poucas produções conseguiram fazer isso tão bem e, talvez, este seja o ponto mais polêmico de “Looper”, ele levanta questões paradoxalmente complicadas. Imagine se encontrar com sua versão vinda do futuro até o seu tempo presente, parece maluquice né? E as coisas que “já aconteceram” x “as coisas que podem acontecer”, como fica tudo isso? Para os espectadores menos atentos, em determinada parte do filme as coisas podem ficar um pouco bagunçadas, mas o roteiro foi hábil em costurar cada um dos eventos e nos apresentar as ações e suas consequências no momento certo. Outro grande trunfo é a “reviravolta” que a trama nos traz em determinada parte que, obviamente, não vale a pena ser contada para quem ainda não assistiu ao filme, afinal é justamente a maior qualidade de “Looper”, é o que faz dele uma das produções mais surpreendentes deste ano de 2012.

O trabalho do elenco é incrível, a começar pelo transformado Joseph Gordon-Levitt que ganhou “contornos” no rosto para ficar mais parecido com Bruce Willis, e que não se resumiu apenas a semelhanças físicas, ele aprendeu também todos os ‘trejeitos’ de Bruce e colocou em seu personagem. É verdade que o senhor Willis atua em sua “zona de conforto”, mesmo assim convence. Temos ainda um Jeff Daniels (“Intrigas de Estado”) e Paul Dano (“Cowboys & Aliens”) com participações muito boas, mas sem dúvidas um dos grandes destaques é Emily Blunt (“Agentes do Destino”). Ela está simplesmente espetacular em seu papel.

Pode parecer um pouco lento e parado para os acelerados tempos atuais, mas o diretor e roteirista Rian Johnson ensina com este seu trabalho que momentos de calma e reflexão são necessários para se construir histórias mais inteligentes. Há quem enxergue diversos furos em “Looper” e, por isso, as opiniões em relação a ele tem sido bastante divergentes. É verdade que algumas questões ficam ‘abertas’ quando chegamos ao final, mas no lugar de furos ou problemas, eu fiquei foi com a trama viva e “girando” em minha memória.

Um filme difícil de ser indicado ou de ser resumido sem estragar as surpresas com spoilers, mas que vale todo o risco de assistí-lo nos cinemas. Você pode até não gostar, mas não poderá dizer que não foi pego de surpresa com a história apresentada.


Looper – Assassinos do Futuro (Looper, 2012 – 118 min)
Ficção Científica, Ação.

Um filme de Rian Johnson com Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt, Jeff Daniels, Paul Dano, Piper Perabo, Garret Dillahunt, Tracie Thoms, Anh Huu e Pierce Gagnon.

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