Uma produção zumbi cubana de baixo orçamento, só quem é muito fã deste subgênero chega até uma pérola cinematográfica como esta. Trash em seu PRIMOR,  “Juan de Los Muertos (Juan of the Dead)” é um dos filmes mais divertidos (deste gênero) que já assisti. Apesar do elenco bastante amador e dos escassos recursos para cuidar dos efeitos especiais, trata-se de uma obra que possui alguns momentos impagáveis e inesquecíveis que fazem com que tudo valha a pena.

Na trama acompanhamos a forma com que um grupo de “vagais” (ociosos ficaria mais bonito, mas é um filme trash) e preguiçosos cubanos enfrentam uma invasão zumbi em seu país. O governo e a mídia local (se é que existe alguma diferença) informa que a horda que está tomando conta e dizimando a população são, na verdade, dissedentes americanos revoltados com o governo.

Foi preciso um grande esforço financeiro conjunto que levou cerca de 2 anos – e que contou com o ICAIC (Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficas), Canal Sur, Televisón Española e a colaboração da Junta de Anadalucía, Ibermedia e até da Universidad de Guadalajara – para o filme acontecer, inclusive a ajuda governamental e o fato da invasão zumbi ser culpa dos Estados Unidos é unir útil ao agradável (e que rende uma cena engraçadíssima).

Na frente do grupo temos Juan (Díaz) e seu fiel companheiro e amigo baixinho e barrigudo (Jorge Molina) que, em primeira instância, seguem com suas vidas. Quando as coisas começam a complicar, eles, juntamente com um jovem sedutor, sua linda filha (Andrea Duro), um negão gigante que tem medo de sangue e um travesti (isso mesmo) abrem uma central de serviços, a “Juan de Los Muertos” que acaba com o sofrimento das famílias cubanas em meio ao CAOS matando seus entes queridos por alguns trocados (só de pensar já começo a rir).

O elenco é ruim, e isso não se pode negar, são muito amadores e algumas vezes é perceptível que algumas cenas poderiam ser melhores. Só que, paradoxalmente, como ele podia ser tão lindamente trash e descompromissadamente divertido caso fosse interpretado por grandes e conhecidos astros? E este mesmo pensamento pode ser utilizado ao se analisar os efeitos especiais que contaram com pouca grana.

Tanto o roteiro quanto a direção estão em um bom nível e foi muito feliz em unir algumas boas cenas de ação (tem até bullet time de estilingue acertando a cabeça de um morto-vivo) com algumas ótimas piadas. No melhor estilo Romero de produção zumbi, Alejandro Brugués conseguiu inserir todo um contexto de discussão política no meio de todas as altas confusões do barulho. E o melhor é que todos os responsáveis por este filme, apesar de deixarem claro que gostam de sua querida ilha (demonstram isso na sequência final), não deixam de rir de seus próprios problemas e defeitos, e talvez isso seja a melhor coisa desta obra.

Se analisado friamente como uma produção cinematográfica é apenas (ou no máximo se você for bem chato) um filme “ok”, mas se visto sob a ótica de uma comédia sátira trash é, literalmente, daqueles filmes de matar (de rir). E o melhor, quando chega ao fim é difícil não continuar acompanhando algumas artes durante os créditos que nos deixam com gosto de “quero mais”. Para os amantes do gênero só digo uma coisa: Estejam preparados para um épico!


Juan de Los Muertos (Juan of the Dead, 2011 – 92 min)
Comédia, Horror, Trash

Um filme de Alejandro Brugués com Alexis Díaz de Villegas, Jorge Molina, Andrea Duro, Andros Perugorría, Jazz Vilá, Eliecer Ramírez e Antonio Dechent.

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