Tem gente que só de ouvir falar na Globo Filmes tem arrepios na espinha e, em casos mais graves, não consegue nem dormir a noite. Já virou lugar comum falar mal das produções (aqui no caso é uma co-produção) da vênus platinada, até porque ela encontrou um filão de sucesso financeiro e continua insistindo apostando nele. Dessa forma, não é de se espantar o alto número de críticas detonando o filme “Até Que a Sorte Nos Separe”, mesmo assim ele segue com uma boa bilheteria nos cinemas e, confesso, fui assistí-lo depois de ter dado umas risadas ao ver o trailer (por mais que isso tenha gerado um sentimento de auto-repreensão na minha pessoa).

A trama obviamente segue um roteiro manjadinho e sem muitas surpresas, nela vamos conhecer um casal que ganhou na loteria e, depois de gastar inconsequentemente, chegam a falência. O primeiro a ser avisado deste fato é Tino (Leandro Hassum) que se vê sem conseguir contar para a sua esposa (Danielle Winits) e seus filhos. Na pindaíba, ele vai ter que se rebaixar e aturar o seu chato vizinho como conselheiro financeiro, e seguir os seus 5 passos da riqueza.

A “história” é livremente baseada no livro de auto-ajuda “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” escrito por Gustavo Cerbasi e o roteiro é mais raso que prato chique de sobremesa de restaurante francês. Até chegarmos ao final redentor onde todos aprendem uma lição e descobrem, vejam só que elucidativo, que “dinheiro não é tudo”, somos brindados com vários momentos de humor, algumas piadas infames, piadas batidas e sobra espaço ainda para algumas gags.

Por mais incrível que pareça o nível do humor não chega a ser tão ruim como, por exemplo, o que é apresentado no  Zorra Total. Tem um monte de bobeira e clichês mas que não chegam a ofender tanto assim. Nitidamente faltou um maior cuidado e um pouco mais de competência em algumas cenas que poderiam render ótimos momentos mas que acabaram sendo estendidas MUITO ALÉM da conta, como em uma quando Tino descobre que sua esposa está grávida. Você se acaba de rir no início, só que a cena se prolonga tanto que você rapidamente se arrepende de ter rido daquilo. Piadas imbecis assim (não estou desmerecendo) precisam ser mais ágeis, o timing é um ponto muito importante. Você não pode dar tempo do espectador perceber o quão infame e medíocre foi aquilo que você disse ou fez.

Que fique bem claro antes de qualquer coisa, eu DETESTO o Zorra Total e NÃO GOSTO nem um pouco do programa “Os Caras de Pau”, mas é preciso fazer justiça com Leandro Hassum já que ele é o grande responsável por este filme não ser um desastre. Carisma ele tem de sobra e apesar de alguns exageros ele consegue até se sair bem. No restante do elenco tem um ou dois atores que estão – com uma dose cavalar de boa vontade – num nível razoável, mas a maioria não acerta o tom, em principal o elenco mirim que é MUITO ruim, nem mesmo a garotinha com estilo hipster se salva.

Por mais que não seja uma comédia imperdível e que tenha suas falhas e clichês, “Até que a Sorte nos Separe” não é tão ruim como estão dizendo por aí. Entre os erros e acertos é uma produção que fica perto da média e que é capaz de te arrancar algumas risadas sem que para isto seja preciso baixar muito o nível.


Até que a Sorte nos Separe (2012 – 90 min)
Comédia

Dirigido por Roberto Santucci com roteiro de Paulo Cursino e Angélica Lopes. Estrelando: Leandro Hassum, Danielle Winits, Kiko Mascarenhas, Rita Elmôr, Carlos Bonow, Júlio Braga, Julia Dalavia, Henry Fiuka, Aílton Graça, Victor Mayer, Marcelo Saback, Rodrigo Sant’anna e Maurício Sherman.

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