Depois de desbancar o excelente “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” como o filme francês mais visto ao redor do mundo até aqui , “Intocáveis (Intouchbles)” pode ser considerado um grande fenômeno do cinema do país. Não traz nada que já não tenha sido mostrado em outras diversas produções do gênero, é verdade, mas a história que é baseada em fatos reais sabe ‘brincar’ com problemas sérios sem para isto precisar apelar para exageros.

Na trama acompanhamos a vida de um rico aristocrata chamado Phillipe (François Cluzet) que é tetraplégico e contrata para cuidar dele um sujeito chamado Driss (Omar Sy). Recém saído da prisão e com uma realidade social muito diferente do ricaço, Driss começa a conquistar seu espaço e uma amizade inesperada e improvável começa a surgir entre os dois.

Lançado na França no ano passado, o filme já vinha obtendo um grande sucesso de público e de crítica na Europa e nos Estados Unidos antes de aportar aqui no Brasil, e todo este “burburinho” não era em vão. A história dos dois tem uma força muito grande e os diretores (e também roteiristas) Olivier Nakache e Eric Toledano conseguiram trabalhar muito bem todos os elementos necessários para fazer uma obra deste gênero funcionar direitinho, equilibrando de maneira bastante acertada a parte dramática com os momentos de diversão, que são muitos e não é difícil cair na risada por diversas vezes durante o desenrolar da trama.

Grande parte da “culpa” do sucesso desta produção é, sem dúvidas, do elenco, em especial a dupla de protagonistas. Os dois atores principais entregam atuações bastante carismáticas e convincentes e sem cair na temida pieguice, que geralmente acompanha junto filmes deste tipo. Os dois personagens tem uma espécie de tolerância perante os seus problemas que realmente cativa o espectador, brincam com suas diferenças e sobra até espaço para piadas que muita gente que vive neste mesmo tempo que o nosso (apesar de não parecer) podem taxar de “politicamente incorretas”.

Existe no entanto uma zona de conforto e uma falta de ‘originalidade’ no roteiro e enredo que não chega a ser um grande problema, mas diria que é o que falta para tornar “Intocáveis” uma obra inesquecível. Não deixa de ser um ótimo filme por conta disto, que fique bem claro antes que a “polícia da internet” venha resmungar nos comentários.

Com uma direção muito segura e sem grandes exageros, trazendo atuações marcantes e uma história muito bonita sobre amizade e companheirismo, “Intocáveis” é daquele tipo de filme extremamente recomendado para todos que gostam de se divertir com obras de bom gosto que, além de boas gargalhadas, é capaz de emocionar e tocar os corações menos petrificados e relembrar às mentes menos ‘cansadas’ algumas importantes lições.


Intocáveis (Intouchables, 2011/2012 – 112 min)
Comédia, Drama.

Um filme de Olivier Nakache e Eric Toledano. Estrelando: François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny e Audrey Fleurot.

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