Janela Indiscreta (Rear Window, 1954 – 112 min)
Mistério, Romance, Thriller.
Dirigido por Alfred Hitchcock, roteiro de John Michael Hayes inspirado no conto de Cornell Woolrich. Elenco Principal: James Stewart, Grace Kelly e Wendell Corey.
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Pouca gente percebe, mas a filmografia de Alfred Hitchcock pode ser comparada com o mundo das drogas. Eu, por exemplo, comecei com Psicose, depois passei pra Festim Diabólico, Pássaros, O Homem Que Sabia Demais… Quando vi estava assistindo Janela Indiscreta, já pensando em qual seria o próximo, cada vez mais viciado na genialidade do diretor. A diferença é que – ao contrário do vício em drogas – o vício em filmes do Hitchcock deveria ser aprovado pelo Ministério da Saúde e da Cultura, quem sabe até com a criação de uma “bolsa suspense”, facilitando o acesso à todos. Bom, mas enquanto isso não acontece, vou falar sobre o meu atual entorpecente “Hitchcockiano”, Janela Indiscreta.

O filme mostra o dia-a-dia de Jeff (James Stewart), um fotógrafo que se recupera de uma perna quebrada em seu pequeno apartamento e que tem como única diversão uma grande janela, que lhe possibilita observar o comportamento de todos os seus vizinhos. Tudo vai bem até que, a uma semana de tirar o gesso, ele suspeita que um deles possa ter matado a esposa, que desapareceu. Com o auxílio de sua bela noiva, Lisa (Grace Kelly, de fato belíssima) e da enfermeira Stella (Thelma Ritter), ele começa a tentar descobrir o que de fato aconteceu no apartamento em frente.

Alfred Hitchcock é o meu diretor preferido, eu conheço bem o seu estilo afinal já assisti diversos filmes dele, mas ainda consigo me surpreender com a sua genialidade. Ainda não havia assistido Janela Indiscreta – nem o original nem o remake, com Christopher Reevee (imagine a música tema do Superman agora) – e achei a “mão” de Hitchcock muito visível nele. O filme inteiro acontece no apartamento de Jeff (o que me fez lembrar um pouco de Festim Diabólico, sobre o qual ainda falarei algum dia), seja dentro dele ou na vizinhança, mas sempre através da vista que se tem da janela dele. Bem coisa de Hitchcock. O cenário da vizinhança, aliás, é muito bom e colabora com a qualidade do filme.

Além do trabalho muito bem feito, outro ponto recorrente nos filmes de Hitchcock é a presença de belas atrizes. A escolhida da vez foi Grace Kelly, um ícone da beleza no cinema e uma atriz muito bem qualificada que fez um trabalho excelente. Ainda temos a tradicional presença de James Stewart – que está para Hitchcock assim como Johnny Depp está para Tim Burton – que também garante um bom trabalho no protagonismo do filme. O roteiro também merece destaque especial, afinal os diálogos são excelentes e constroem muito bem a história mesmo que, em minha opinião, ele tenha abusado de cenas muito curtas, o que não me agrada muito, pois deixa o filme meio “quebrado”.

Se alguém perguntasse minha opinião sobre Janela Indiscreta, mesmo antes de eu tê-lo assistido, eu já diria que se trata de um grande filme. Agora posso dizer com toda certeza de que ele é de fato excelente. A história é ótima e ainda conta com um bom roteiro, boas atuações e a sempre muito boa direção de Alfred Hitchcock, que a meu ver é mais uma vez responsável por um grande filme.

“Nada tem causado à raça humana tantos problemas quanto a inteligência”
– Stella

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