Guerreiro (Warrior)

Assim como a mente das mulheres, é praticamente impossível entender a lógica (se é que existe alguma) da distribuição de filmes nos cinemas brasileiros. Porque um filme ambientado no universo das lutas MMA (Mixed Martial Arts), ‘esporte’ que vem ganhando cada vez mais fãs, bem conceituado pela crítica lá fora, com indicação ao Oscar e bons atores como Tom Hardy e Nick Nolte sai, aqui no Brasil, direto em DVD é difícil mesmo de entender. O que é uma pena, uma vez que “Guerreiro (Warrior)” é tão emocionante e bem realizado que consegue fazer o espectador relevar até os clichês, e obras deste gênero que são assim, interessantes, são bem raras.

Na trama acompanhamos a vida de um ex-fuzileiro americano (Tom Hardy, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”) que retorna à casa de seu pai (Nick Nolte) para ser treinado por ele para um torneio de lutas MMA chamado “Sparta”, que dará ao vencedor a quantia de 5 milhões de dólares. Do outro lado seu irmão mais velho (Joel Edgerton), ex-lutador UFC, está prestes a perder a sua casa e enxerga nas lutas a única chance de evitar esse desastre familiar, uma vez que seu salário como professor de física não é o suficiente. Um família esfacelada por um passado duro, vai ter que se enfrentar não apenas nos ringues.

Com uma direção segura e competente, “Guerreiro” consegue entregar cenas de luta muito bem coreografadas e vibrantes sem, para isto, precisar apelar para a sanguinolência. Além da dupla de protagonistas estar com um preparo físico impressionante – Tom Hardy por sua vez está um monstro de tão gigante, arrisco dizer que para fazer o vilão Bane parece que ele emagreceu– o filme contou com a participação de alguns lutadores profissionais, o que ajudou a dar ainda mais verossimilhança nestas cenas de luta.

Não adiantaria, no entanto, termos lutas espetaculares e bem realizadas se todo o embasamento dramático por detrás delas não fosse interessante, e o grande trunfo do filme foi saber dosar as cenas de ação com a parte dramática. As histórias dos personagens são bem construídas e quando o espectador se encontra no meio do torneio, esperando ver quem tem a motivação “justa” para ganhar o tal prêmio e percebe que ambos irmãos tem seus motivos, e todos bastante plausíveis, é que “Guerreiro” eleva seu status e se torna um ótimo filme. Fora todo esse embate ainda temos as questões familiares mal resolvidas, um pai com um passado de bebedeiras (papel que rendeu a indicação de Nick Nolte a melhor ator coadjuvante no Oscar deste ano).

Talvez o maior problema aqui seja o tom um pouco “fantasioso” que o filme ganha principalmente quando estamos chegando em seu desfecho, durante a jornada alguns clichês surgem se esquivando marotamente na sua frente, mas nada que lhe faça dar três palmadinhas no chão do ringue, até porque, convenhamos caros leitores, se não existisse um pouco de fantasia e “exagero” não seria tão empolgante, e o cinema está aí para isto também.

Particularmente (se me dão licença para falar diretamente com vocês) nem sou fã dessas lutas UFC, confesso sem demagogias e sem julgamentos, e quando uma obra consegue fazer você relevar clichês e pequenos defeitos com algo que você nem é fã, te levando a emocionar e a vibrar como se estivesse torcendo para seu time do coração – a propósito o meu está quase subindo pra primeira divisão novamente – é porquê ele tem realmente algo de especial, algo que valha a pena você correr atrás para o assistir já que, inexplicavelmente, ele foi ignorado pelos nossos cinemas.


Guerreiro (Warrior, 2011/2012)
Drama, Ação, Luta

Dirigido por Gavin O´Connor com roteiro de  Gavin O´Connor, Anthony Tambakis e Cliff Dorfman. Estrelando: Tom Hardy, Joel Edgerton, Nick Nolte, Jennifer Morrison, Frank Grillo e Kevin Dunm.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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13 Comments

  1. Isso, eu vi falar desse filme, estava pra baixá-lo, mas tinha esquecido o nome. Eu vi outro site de criticas e foram tão positivas quanto as suas. Gostei mesmo! Go Vitória!

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  2. Filmão mesmo, todas as 3 principais atuações do filme são ótimas. mas eu fiquei impressionado com a imponência que o tom hardy (não só fisica) apresenta no filme. o cara tem um futuro promissor pela frente. a cena do encontro na praia, apesar de ser meio aleatoria, foi a cena que mais me emocionou

    se o filme tivesse mais 5 minutos no arco final para amarrar melhor o desfecho eu daria 5 controles.

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    • Realmente, uma cena muito emocionante mesmo quando ele dá a “real” pro irmão dele.

      Fiquei numa dúvida imensa quanto a nota aqui, no rotten tomatoes eu dei 4 estrelas e meia, mas aqui não tenho como dividir hehehe, ai eu aproximei pra baixo por conta do tom um pouco “fantasioso”, mas é um filmaço.

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  3. Sempre tive curiosidade de saber qual era esse seu time que nunca ganha. com esse post finalmente descobri =D
    Realmente a distribuição dos filmes nos cinemas brasileiros só não é mais enigmático do que a escolha dos nomes em português para os mesmos.

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    • Sabe o mais engraçado Leandro? Depois disso meu time só ganha agora, somos os líderes da Série B! hahahah

      Se algum post atrasar aqui é porque estou me recuperando da ressaca de alguma vitória do meu Vitória, afinal, ganhando tantos jogos assim tenho que comemorar, não deve durar muito hahaha.

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  4. Eu até tinha baixado pra ver na época do Oscar, mas depois acabei deixando de lado. Vou pensar no caso dele.

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  5. hahahah… sobrou espaço pra dar uma pincelada sobre o vitória no review, é?
    meu time tá perigando cair para série B ano que vem… vamos ver.

    bom, eu tb consegui relevar praticamente todos os clichês. QUE filme excelente! As lutas foram coreografadas de maneira exemplar e cheias de emoção, algo que não aconteceu com O Vencedor, por exemplo.

    Olhe, acho que Warrior é top 5 em termos de filmes de luta pra mim. E provavelmente vai ficar no meu top 10 do final do ano.

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    • Foi difícil dar a classificação final e por pouco não dei nota máxima também. Na pior das hipóteses estará na sessão “menções honrosas” do meu top 10 melhores do ano.

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  6. Caramba, nunca tinha ouvido falar nesse filme, em nenhum site ou blog… Vish.. Gostei da crítica. Vou correndo baixar. Valeu pela dica!

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  7. pense num filme que me emocionou profundamente….se eu tivesse visto ele antes da minha lista dos melhores ele concerteza tinha entrado..e teria ficado em uma colocação muito boa…o final é digno de aplausos…eles mereceram…eu tava torcendo pelos dois…só faltou eu me levantar e começar a gritar…kkkkk

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    • Como comentei acima, ele entrou mesmo pelo menos na lista de menções honrosas. Um filme digno de aplausos realmente, talvez merecesse até uma classificação mais generosa.

      Abraços Thiago!

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