Românticos Anônimos (Les émotifs anonymes)

Um casal se conhece e compartilha o mesmo gosto refinado por chocolates, eles se apaixonam e são feitos um para o outro, entretanto, possuem sérios problemas de relacionamento social e uma timidez imensa. A premissa de “Românticos Anônimos (Les émotifs anonymes)” pode dar a entender que se trata de apenas mais uma boba comédia romântica, mas o cinema francês consegue mostrar que, mesmo seguindo a fórmula manjada das produções do gênero, consegue entregar uma obra gostosa de se assistir e com uma levada bem divertida.

Na trama conhecemos Jean-René (Benoît Poelvoorde) e Angélique (Isabelle Carré). ambos possuem uma paixão muito grande por chocolate. Ele é dono de uma fábrica de chocolate que não se atualizou no mercado e está a beira de uma falência, ela é uma mestre em fazer chocolates. Quando surge uma oportunidade de emprego na tal fábrica, os dois acabam se conhecendo.

Logo de início vemos os transtornos que a timidez causa na vida dos dois, ele é tido como um chefe reservado e mal humorado, mas poucos sabem que ele frequenta um terapeuta para conseguir fazer coisas banais como falar com os outros ou tocar alguém. Ela frequenta um grupo, no estilo alcoolicos anônimos, que sempre que alguém vai dar um depoimento começa com: “Eu sou emotivo…”, e lá ela tenta se livrar desse mal que sofre, chegando até mesmo a desmaiar quando alguma situação sobe um pouco no nível de “emoção”. E esse seu problema já começa até mesmo a lhe atrapalhar quando vai procurar emprego na fábrica de Jean-René, Angélique pensou que era pra cozinha, mas acaba se tornando consultora de vendas.

Os mal entendidos e toda a sorte de situações inusitadas – o próprio romance dos dois é bastante inusitado – causadas por essa timidez crônica dos dois é o grande culpado pelos momentos mais cômicos de “Românticos Anônimos”, situações que são levados a um certo nível de exagero para nos fazer rir, mas que não chegam a se tornar caricatas por isso.

A dupla de protagonistas está muito bem no papel e entregam ambos ótimas atuações, inclusive a atriz Isabelle Carré foi indicada ao prêmio francês César de melhor atriz, que é tipo NET o Oscar da França. Curioso é notar o fato de que trata-se de um casal de atores bem diferente do que estamos acostumados a ver em outras produções do gênero que são, geralmente, protagonizadas por caisas melhor afeiçoados, digamos assim. Não que atriz Isabelle Carré seja feia, mas ela não é nenhum modelo de beleza e o barrigudo e com nariz de corvo Benoít Poelvoorde não é alguém que tire o sono das mulheres, sejamos sinceros. Somente uma atuação convicente, carismática e com uma boa química poderia tornar a história dos dois crível (relevando alguns pequenso exageros como já citado) e daquelas que dão gosto de torcer por um final feliz  e acompanhar até o fim.

Em meio a alguns desencontros e erros de como lidar em um relacionamento afeitvo entre os dois personagens é que vemos brotar um amor inocente num casal já “maduro”, fazendo de “Românticos Anônimos” um filme sensível, encantador e, ao mesmo tempo, engraçado, ou seja, tudo o que uma comédia romântica precisa para agradar e sair do lugar comum.

 


Românticos Anônimos (Les émotifs anonymes, 2010/2012)
Comédia Romântica.

Um filme de Jean-Pierre Améris com Benoît Poelvoorde e Isabelle Carré

 

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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6 Comments

  1. Tentei assistir e larguei na metade. Achei meio sem graça, vai ver eu estava num dia ruim.

    Se gostaste desse, te sugiro Rien à Déclarer (http://www.imdb.com/title/tt1528313/) que não lançaram por aqui, comédia hilária nos mesmos moldes do “A Riviera Não É Aqui”, como o Benoit Poelvoorde e Dany Boon (o carteiro bebum de A Riviera…). Trata dos conflitos e rivalidade entre oficiais de fronteira da França e da Bélgica.

    Abs, Freddy.

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    • Gostar do filme tem muito disso mesmo Krueger, o estado de espírito conta também, de qualquer forma não é nada imperdível assim apesar de ser muito bom.

      Valeu pela dica, está anotada e correrei atrás de assistir!

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  2. Filminho leve e despretencioso… concordo em tudo com você, Márcio. Venho sempre aqui, mas não costumo comentar. Gostei tanto do filme que resolvi recomendar!
    Grande abraço a todos…

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    • Obrigado Dani, e fico feliz por sempre estar lendo nossos textos aqui. E que bom que comentou 🙂

      []´s

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  3. Passou por aqui mas nem me interessei em assistir.

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  4. Fóda, um bom tempo ser vir aqui, uns 3 meses, e milha lista já está 7 filmes na espera. Esse é mais um.

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