Para Roma Com Amor (To Rome With Love)

O passeio do cineasta Woody Allen pela Europa chegou  à Itália com “Para Roma Com Amor (To Rome With Love)” depois de uma passagem premiada pela França com “Meia Noite em Paris”.  Seguindo com sua marca incrível de lançar (escrever, dirigir e, às vezes, até atuar) um filme por ano, por mais que não esteja no mesmo nível de outras grandes produções suas, mais uma vez ele consegue entregar uma obra leve, divertida e gostosa de se assistir.

Acompanhamos aqui quatro histórias distintas e que possuem como único elo de ligação a cidade de Roma, cartão postal que serve como cenário para se conversar sobre romance, desejo, aparências e, claro, romance, tendo espaço ainda para a fantasia e a comédia.

A última vez que Woody Allen tinha atuado em um filme seu foi há 6 anos e 5 filmes atrás com “Scoop – O Grande Furo”. Seu ‘retorno’ é muito bem vindo como sempre, por mais que os personagens que ele cria em seus trabalhos tenham sempre muito dele, vê-lo em cena é sempre gratificante. A maneira como consegue roubar todas as cenas em que surge e como consegue nos arrancar facilmente os risos é mesmo impressionante. Não é surpresa também ser a história em que ele participa a melhor de todas, e que tem como plus um sujeito que ele descobre ser um grande cantor de ópera, mas somente quando canta no chuveiro.

As outras histórias estão num patamar um pouco abaixo. A que envolve Alec Baldwin (“Simplesmente Complicado“), Jesse Eisenberg (“A Rede Social“) e Ellen Page (“A Origem“) tem seus momentos e a que envolve Roberto Benigni pode não ser lá muito inspirada e tem seus altos e baixos, ainda assim traz boas e divertidas situações. A mais fraca delas é sem dúvidas a que envolve um casal (Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi) e Penélope Cruz  (“Nine“) extremamente caricata e no piloto automático interpretando uma garota de programa onde, depois de uma série de trapalhadas e desventuras, o jovem casal se “perde” um do outro e acabam caindo nas armadilhas do desejo e no jogo dos tentações e aparências.

Apesar de oscilar em alguns momentos, alternando ai passagens extremamente divertidas com outras nem tanto assim, “Para Roma Com Amor” prova mais uma vez porque Woody Allen possui tantos fãs, seus filmes nem sempre podem ser considerados “obras primas” (e este aqui está até longe disto), mas são sempre divertidos, inteligentes e recheados daqueles sarcasmos e neuroses que todo ano nos leva ao cinema com aquela certeza de que nosso tempo e dinheiro serão bem gastos.

 

PS: O termo “Melancolia de Ozymandias” dito pelo personagem interpretado por Alec Baldwin foi inventado por Woody Allen no seu filme “Memórias (Stardust Memories)” de 1980.


Para Roma Com Amor (To Rome With Love, 2012 – 102 min)
Comédia, Romance


Um filme de Woody Allen com Woody Allen, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Greta Gerwig, Ellen Page, Alison Pill, Flavio Parenti, Fabio Armiliato, Roberto Benigni, Alessandro Tiberi, Alessandra Mastronardi e Penelope Cruz.

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Author: Marcio Melo

Analista de Sistemas, amante da sétima arte desde os tempos imemoriais e com muito sangue nerd fervilhando em veias hipertensas, fundou o Porra, Man! com o intuito de comentar sobre cinema de forma descomplicada e fácil de entender. Nas horas vagas torce prum time que nunca vence e mata monstros que não existem.

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6 Comments

  1. A história que eu menos gostei foi a de Roberto Benigni, mas tem Allen no filme como ator então tá tudo certo.

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    • Mesmo as histórias que não são muito boas, como esta que você menos gostou, tem boas cenas.

      E Allen em cena é realmente demais.

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  2. Tb gostei do filme, apesar do jabaculê (como diria o Lobão) constrangedor de Roma (no início e no final do filme).

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    • Seja lá o que for jabaculê pelo visto não atrapalhou o resultado final, pelo menos. hehehehe

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  3. Jabaculê, é a grana que as gravadoras pagam p/ as rádios tocarem exaustivamente uma música e grudar na cabeça do ouvinte.
    No caso do filme, a grana que pagaram p/ o Allen gravar o filme por lá, representada na cena final do discurso na sacada de que Roma era maravilhosa e isso e aquilo.

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Trackbacks/Pingbacks

  1. O Duplo (The Double) - Crítica do Filme - […] do tímido, desinteressante e ‘invisível’ Simon James (Jesse Eisenberg, “Para Roma Com Amor“). Ele não tem o merecido reconhecimento…

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