Doze Homens e uma Sentença (12 Angry Men, 1957 – 96 min)
Drama.

Direção de Sidney Lumet. Roteiro de Reginald Rose. Elenco Principal: Henry Fonda, Martin Balsam, Lee J. Cobb, Jack Warden e E.G. Marshall.


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Eu não sei exatamente em que momento da minha vida eu decidi cursar Direito, mas acho que o cinema teve grande influência nesta decisão. Lembro-me de assistir vários filmes com temática jurídica e ficar admirado pela figura do advogado e talvez tenha sido assim que, há anos atrás, decidi o que ia fazer da minha vida. Só sei que, se de fato o cinema contribuiu para essa decisão, o filme “Doze Homens e uma Sentença” tem os seus méritos. Assisti a versão de 1997 quando ainda estava no ensino fundamental, não me lembro de muita coisa, apenas que gostei muito. Vários comentários nos meus posts anteriores falaram da versão original deste filme e, assim como os filmes de tribunal devem ter me incentivado a cursar Direito, eles me incentivaram a assistir esse clássico do cinema.

A trama acompanha o Júri de um jovem porto-riquenho que é acusado de ter matado o próprio pai. Após o julgamento, os doze jurados se reúnem em uma sala para inocentá-lo ou condená-lo à cadeira elétrica, com um veredicto que deve ser unânime (no Brasil, o Júri é composto por sete jurados, o voto é secreto e não precisa ser unânime, bastando para a condenação ou declaração de inocência do Réu a anuência da maioria). Em uma primeira votação, todos parecem ter certeza da culpa do rapaz, menos o Jurado nº 8 (Henry Fonda) que, com sérias dúvidas sobre as provas apresentadas, dá início a uma discussão que deverá mudar a opinião dos outros onze jurados ou a sua própria.

Vou deixar de lado as comparações com a versão de 1997, primeiro porque não lembro quase nada dela e segundo porque o remake sempre perde essas discussões. O filme se passa quase todo dentro da sala do Júri, onde os jurados discutem seus votos tentando chegar a um consenso. Isso, juntamente com o grande número de diálogos apresentados nesta sala, praticamente todos com grande relevância para a trama, podem deixar o filme um pouco cansativo para algumas pessoas (minha mãe até dormiu). Mas a verdade é que se trata de um filme muito interessante, trazendo uma história muito bem construída e que revela a importância do papel do jurado para a justiça.

Os diálogos descrevem muito bem todas as dúvidas que surgem no decorrer do filme acerca das provas apresentadas para comprovar a culpa do Réu. As atuações são excelentes sendo que cada ator desempenha muito bem o seu papel, o que é muito importante, uma vez que as personalidades e conflitos pessoais dos jurados são fundamentais para a trama. Destaque para Lee J. Cobb (Jurado nº 3), que incorpora com louvor o papel do jurado mais “chato”, cheio de preconceitos e pré-julgamentos, assim, completamente fechado a todos os argumentos apresentados por seus colegas em defesa do Réu. Os motivos que levam este Jurado a ser tão intransigente não ficam bem claros no final do filme e confesso que não consigo afirmar com certeza quais são. Burrice da minha parte ou não, acho que este ponto poderia ter sido mais bem trabalhado – já que os diálogos são o maior destaque do roteiro – afinal outras pessoas podem não entender com clareza este ponto da história.

Apesar de apresentar certa monotonia por ficar sempre no mesmo cenário, acho que, de todos os filmes que eu já assisti, este foi o que mais me prendeu a atenção. Em determinados momentos eu percebi que estava, literalmente, sem piscar, ouvindo a tudo atentamente como se fosse um dos jurados. A temática me atrai, é inegável, mas o fato é que a história é muito interessante e o filme – com um tom meio teatral – é todo muito bem feito, merecendo tanta atenção do público quanto o destino do Réu merece dos doze jurados.

 

“Nós temos uma dúvida razoável, e isso é algo que é muito valioso em nosso sistema. Nenhum Júri pode declarar um homem culpado a menos que tenha certeza”

– Jurado nº 8

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