O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974 – 84 min)
Terror, Mistério, Suspense.
Dirigido por Tobe Hooper. Roteiro de Kim Henkel e Tobe Hooper. Elenco: Marilyn Burns, Paul A. Partain, Allen Danziger, William Vail, Teri McMinn, Edwin Neal, Jim Siedow, Gunnar Hansen, John Dugan, Robert Courtin, William Creamer, John Henry Faulk, Jerry Green, Ed Guinn, Joe Bill Hogan e John Larroquette.

Muita gente deve estar pensando: “ah, eu já vi este filme”, mas a grande maioria provavelmente viu foi só o remake de 2003, o que não é exatamente a mesma coisa. Eu, por exemplo, sempre tive curiosidade de assistir O Massacre da Serra Elétrica de 1974 porque não gostei do remake, mas me interessei muito pela figura do Leatherface e, principalmente, pelo instigante “baseado em fatos reais” que aparece nos créditos. Apesar de ser, na verdade, “LEVEMENTE baseado em fatos reais”, este filme chocou o público de 1974 pelo seu realismo (que hoje em dia, como se sabe é ainda maior) e, é provavelmente o retrato mais interessante que se tem da figura de Ed Gein, serial killer americano que inspirou ainda outros filmes muito importantes, como Psicose e O Silêncio dos Inocentes.

Independente do ano ou de ser uma produção original ou um remake, a trama deste tipo de filme é sempre a mesma: um grupo de jovens sem nada na cabeça que está viajando para um lugar qualquer e acaba sendo brutalmente assassinado por um maluco usando uma máscara, SPOILER: exceto pela mulher mais bonita do grupo que, assim como o assassino, fica viva no final, deixando um gancho para uma continuação sem pé nem cabeça.

Sinceramente, este tipo de terror não me atrai muito. Eu prefiro filmes com um aspecto mais psicológico, como os de Guillermo del Toro, Stephen King ou Alfred Hitchcock. Em filmes como O Massacre da Serra Elétrica (remake, original ou similar do gênero), parece que a história é o que se tem de menos importante. Especialmente neste filme – precursor do gênero – a grande maioria das cenas é extremamente escura, sendo quase impossível ver alguma coisa. Além do mais, o filme consegue ser irritantemente barulhento até mesmo quando todos estão quietos. As atuações, embora não sejam ruins, não merecem destaque algum, são apenas “sem sal”. E a escolha de Ed Guinn para o caminhoneiro que aparece no final do filme só pode ter sido motivada pela semelhança do seu nome com o de Ed Gein, afinal seu personagem não tem nenhuma fala e fisicamente o ator faz lembrar o Chef de South Park, ficando um pouco pitoresco e descontextualizado.

O que se destaca neste filme, com relação ao remake e tantos outros filmes semelhantes que o sucederam, é o constante clima de tensão que é passado para o público. Embora todas as mortes aconteçam pouco depois da metade do filme, o clima que é criado faz você acreditar que algo ruim pode/vai acontecer a qualquer momento. A forma que o diretor encontrou para chamar a atenção dos produtores para tirar o filme do papel evidencia muito bem isso, ele “[…] criou um trailer que consistia numa tela negra — com apenas os sons de Leatherface — perseguindo uma jovem na velha casa. Uma visão rápida da cena foi incluída nos últimos 10 segundos, junto com o ruído da serra […]” (Wikipédia).

Pode ser implicância minha, mas eu acho que este filme está longe de ser bom. Mas em comparação com o remake que é basicamente uma sucessão de gente sendo esquartejada com o único intuito de chocar, sem causar muita apreensão ou fazer sentido, o clima de tensão criado aqui faz com que você consiga prender sua atenção por vários momentos e ficar realmente apreensivo. Isso faz com que O Massacre da Serra Elétrica de 1974 compense os 84 minutos gastos assistindo. Mas não mais de uma vez.

 

“É apenas algo que temos que fazer. Você não precisa gostar”
– Drayton Sawyer, irmão do Leatherface

PS.: Para fazer uma espécie de comparativo entre os subgêneros do terror, no meu próximo texto vou escrever sobre Psicose (1960) de Alfred Hitchcock, também inspirado em Ed Gein.

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