A parceria entre Tim Burton e Johnny Depp já se tornou uma espécie de ‘pacto de sangue’ nos cinemas e qualquer trabalho envolvendo os dois é sempre muito aguardado. Baseado numa série televisiva exibida entre as décadas de 60 e 70, “Sombras da Noite (Dark Shadows)” é o mais recente resultado do trabalho em conjunto destes dois pirados. Mesmo sem conseguir ser tão bom quanto suas outras parcerias – Edward Mãos de Tesoura, por exemplo, foi um dos filmes que mudaram a minha forma de ver o cinema – vale por algumas boas cenas e algumas boas risadas que poderiam ser melhor aproveitadas caso o roteiro não se perdesse em tantas subtramas e personagens desinteressantes.

A história acompanha então a vida de Barnabás Collins (Johnny Depp, “Alice no País das Maravilhas”), herdeiro de uma rica família britânica que chegou aos Estados Unidos na época da expansão colonial. Depois de se envolver com uma mulher chamada Angelique (Eva Green, “A Bússola de Ouro”) e não ter se interessado em manter algo mais sério, uma vez que é apaixonado por outra mulher, ele então enfrenta a fúria de seu desafeto amoroso. Angelique é uma bruxa que além de enfeitiçar o amor de sua vida e fazê-la se matar, amaldiçoa Barnabás o transformando em um vampiro e o trancafiando em um caixão.

Após quase 200 anos ele é acidentalmente libertado e vai de encontro aos seus familiares vivos ao mesmo tempo em que inicia uma vingança contra Angelique. Sem conseguir de imediato se situar na época em que acorda, o ano de 1972, Barnabás sofre com o choque entre as gerações que geram situações engraçadíssimas e que acabam se tornando os melhores momentos do filme.

Apesar de seus bons momentos, “Sombras da Noite” se perde em meio a tantos arcos e historinhas paralelas altamente manjadas, caricatas e desinteressantes. Adicione aí nesse bolo personagens sem nenhuma grande relevância para a história. Talvez fossem marcantes na série – que não assisti e nem tenho como opinar melhor ou saber quais os personagens foram transpostos de lá para cá, se é que existiu algum além do principal – , mas aqui realmente de quase nada valem. Desde a adolescente “piriguete” (Chloe Moretz, “Kick Ass”) (ou melhor, como diria Barnabás “mulher de vida fácil”) até o par romântico sem um pingo sequer de carisma e sua chata e aborrecida história sobre o seu ‘misterioso’ passado, só o que se salva aqui é mesmo o vampiro “na pegada Michael Jackson” interpretado por Depp e a vilã que conta com uma boa atuação da bela Eva Green.

Este é o oitavo filme que Tim Burton faz com Johnny Depp, o sétimo com Helena Bonham Carter (sua esposa), o quinto com Christopher Lee e o segundo com Michelle Pfeifer. É uma das obras menos inspiradas deste cultuado cineasta, ainda assim, vale pelas boas risadas e pelo entretenimento proporcionado. Ruim não é, só prometia ser bem melhor.


Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012 – 113 min)
Comédia

Dirigido por Tim Burton com roteiro de John August e Seth Grahame-Smith. Estrelando: Johnny Depp, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath, Jackie Earle Haley, Jonny Lee Miller, Christopher Lee e Alice Cooper.

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