Quem somos? De onde viemos? Qual afinal é a verdadeira teoria de nossa criação? Perguntas que até hoje só apenas um número limitado de pessoas sabe a resposta (42) são a principal base da trama de “Prometheus”, que chegou aos cinemas depois de muito hype gerado em torno desta produção de Ridley Scott. Para todos aqueles que esperam uma ‘prequência/prequela’ (prequel, obra que traz os eventos que precederam a história de algum filme ou franquia) a decepção pode estar te esperado a milhares de anos luz daqui, mas quem sabe que se trata, na verdade, de uma obra original tem tudo para sair do cinema satisfeito, por mais que existam alguns furos e problemas.

Toda esta ‘confusão’ se deu porque originalmente “Prometheus” foi anunciado mesmo como uma prequela da grande franquia Alien. Depois Ridley Scott decidiu que seria na verdade um filme com vida própria que deveria ser encarado como uma obra original, ainda que inserido em todo universo de “Alien”, e que poderia ser visto também como uma espécie de homenagem ao seu outro grande sucesso do cinema (fonte: IMDb).

Na trama acompanhamos uma equipe de exploradores que após uma descoberta na Terra encontram uma pista para a origem da humanidade, e ela aponta para além do nosso planeta. A bordo de uma nave espacial chamada “Prometheus”, uma tripulação de cientistas viaja através do universo para investigar formas de vida alienígenas. Uma vez lá, em meio a algumas descobertas, eles precisam lutar por suas (nossas) vidas.

O diretor Ridley Scott se mostrou muito competente tanto na escolha do elenco quanto na própria ambientação no tal universo “Alien”. O filme consegue passear por diversos gêneros de maneira bastante interessante, é uma história de ficção científica com momentos de muita tensão (que são bem construídos), momentos de ação, momentos de suspense e horror, sim, horror define algumas cenas grotescas (no bom sentido, se é que existe um) que são apresentadas, sem pressa, em “Prometheus”. Geralmente vemos a câmera capturando imagens lá de cima, e os personagens andando diminutos em um vasto planeta. Até mesmo as cenas nas ‘cavernas’, por mais claustrofóbicas e escuras que sejam, apequenam os humanos perante a muita coisa que eles encontram.

A forma como a protagonista, a cientista Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, “Sherlock Holmes 2”), é construída na história é muito boa. Em meio a tantos personagens logo conseguimos visualizar os que serão descartáveis, mas a protagonista surge ‘tímida’ e vai numa crescente incrível (algo semelhante ao que aconteceu com Signoey Weaver). É dela a melhor cena do filme, e arrisco a dizer uma das melhores cenas deste ano (até esta data), que envolve ela numa maca futurista de cirurgia (sem maiores spoilers). Outro personagem/ator que consegue destaque aqui é justamente um androide interpretado por Michael Fassbender (“X-Men – Primeira Classe”) que possui motivações questionáveis para um não humano. O restante do elenco entrega atuações apenas satisfatórias, até mesmo Charlize Theron (“Branca de Neve e o Caçador“) não se sobressai muito aqui como em outros trabalhos seus, mais pelo personagem que ela possui do que por falta de talento.

A trama deixa o espectador com mais perguntas do que respostas, e para piorar ainda mais um pouco neste sentido, existem alguns furos e situações nada coerentes. De forma incosequente pode-se atribuir estas falhas a um dos roteiristas, Damon Lindelof, que é um dos responsáveis pela série Lost. Existem ainda situações um tanto quanto incoerentes, dentre elas um biólogo fugindo com medo/receio de uma das maiores descobertas da humanidade para, logo mais a frente, dar uma de imbecil perante outra.

Para quem for esperando um novo “Alien” ou com expectativas muito altas, assistir “Prometheus” pode ser um exercício de incrível frustração. No geral, apesar de seus problemas e inconsistências no roteiro, trata-se de mais uma boa obra de ficção científica que, mesmo não sendo aquilo que todos esperavam, vale o seu ingresso e proporciona bons momentos de suspense, ação e as muitas perguntas deixadas no ar vão servir para as sequências que já se anunciam, pelo menos isso é o que se espera.

PS: Se pudesse dividir um controle no meio, adicionaria ele a classificação. Digamos que de 0 a 10 dou uma nota 7.
 
PS2: Porque alguns cineastas tem adoração por objetos fálicos? E objetos fálicos entrando na boca de forma assustadora? Que mundo é esse?
 

Prometheus (2012 – 124 min)
Ficção científica, Suspense, Horror

Dirigido por Ridley Scott com roteiro de Jon Spaihts e Damon Lindelof. Estrelando: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall, Kate Dickie, Benedict Wong, Emun Elliott e Patrick Wilson.

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